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No dia 3 de junho, sexta-feira passada, ocorreu em Tel Aviv a 19ª Parada do Orgulho Gay. A Organização do Evento afirma que este reuniu mais de 200.000 pessoas, sendo uma das principais paradas mundiais do gênero. O Tel Aviv Pride Parade é o único desfile no mundo que é totalmente patrocinado pela Prefeitura, contando com um investimento anual de 1 milhão de dólares. O tema do desfile deste ano foi: “Mulheres para uma Mudança”.

Muitas cores, música, alegria e grande número de pessoas na Parada usando camisas com frases como “Love is Great” (O amor é grande). O dia, no entanto, iniciou com ameaças a Amir Ohana, um deputado homossexual do partido governante Likud, que precisou ir ao evento com escolta.

A parada começou no centro da cidade, às 11h da manhã (5h da manhã, no horário oficial de Brasília – Brasil) e percorreu cerca de 2 quilômetros até a praia, onde terminou em uma grande festa. Shai Doitsh, ex-presidente da associação LGBT de Israel, entre 2013 e 2015, e ativista pelos direitos homossexuais há 17 anos, falou sobre a importância deste evento para a comunidade: “Muitos gays se sentem sós, alguns demoram para se assumir e diversos fatores favorecem a depressão e até mesmo o suicídio. A Parada Gay mostra que não estão sozinhos, que continuamos reivindicando nossos direitos e estamos comemorando nossos direitos conquistados com muita luta[1]. Doitsh ressaltou ainda que em Israel há respeito em relação a orientação sexual das pessoas.

Atualmente, o principal embate da comunidade gay no país é transformar em leis os direitos que a Corte Suprema lhes outorgou. Este é o desafio, pois o Parlamento (Knesset) tem uma resistência grande para aprovar essas medidas, identificadas como mais progressistas.

Apesar desta conjuntura, Israel é, hoje, um dos países do mundo que mais incorporou direitos em termos de igualdade para as minorias sexuais, de forma que os casais homossexuais possuem os mesmos direitos que os casais heterossexuais. Com relação aos casamentos, no país só é permitida a cerimônia religiosa para casais heterossexuais, não existindo a possibilidade de realizar casamento civil de nenhum tipo (heterossexual ou homossexual). Por outro lado, Israel reconhece as uniões que foram oficializadas em outros países, mesmo se esta união for entre pessoas do mesmo sexo.

Uma série de conquistas legais ocorreram em Israel, praticamente equiparando os direitos parentais de casais do mesmo sexo aos de casais heterossexuais e provocaram uma transformação da realidade jurídica e social, favorecendo também o “Baby Boom” entre casais gays no país e isso levou a um grande aumento da procura de barrigas de aluguel no estrangeiro (autorizado desde 2008), bem como a fertilização in vitro.

De acordo com estimativas da empresa de consultoria jurídica Nova família de Israel, realizada em 2011, existiam, até o momento, 18.000 famílias homoafetivas no país e mais de 3.000 crianças sendo criadas no seio das famílias LGBT, com duas mães ou dois pais.

Em 2011, a Lei do Retorno foi aplicada pela primeira vez a um casal homossexual. Por esta Lei, a cidadania israelense é extensiva ao cônjuge, ainda que este não seja de origem judaica. No caso citado, o processo de imigração deles foi tratado como o de qualquer casal que faz aliah (imigração).

Com relação a aceitação aos gays, a sociedade israelense se apresenta em outra situação em relação a vários países pelo mundo. Um fato que deve ser considerado, o qual foi destacado por Doitsh, é que, em Israel, a média de idade em que os jovens se assumem gays é 12 anos, sendo que a média mundial é 15 anos. Este dado reflete o componente da segurança para esses jovens assumirem sua sexualidade, sem ocorrer repressão familiar e da sociedade em geral.

2. Captura de Tela 2016-06-04 às 21.28.43Foi possível observar na Parada muitas famílias (de casais gays e héteros), muitas crianças, adolescentes, ressaltando-se que houve uma convivência pacífica, harmoniosa, tranquila, feliz e natural. Como vem sendo destacado por vários observadores internacionais, tal realidade é completamente diferente do que ocorre pelos países vizinhos a Israel.

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Imagem (Fonte):

Foto realizada pela autora

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Fonte da citação:

[1] Entrevista realizada por Daniela Alves

Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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