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Israel e Irã: quando a diplomacia cede espaço ao desejo de poder

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As relações diplomáticas e comerciais entre Israel e o Irã cessaram com a Revolução Iraniana, em 1979, altura em que findou a monarquia pró-ocidental de Mohammad Reza Pahlavi e teve início a República Islâmica, sob a liderança do aiatolá Ruhollah Khomeini. Desde então, Israel foi declarado, por Ruhollah Khomeini, como o “inimigo do Islã”.

As hostilidades entre Israel e o Irã se mantiveram e, atualmente, retomaram o antagonismo explícito numa clara disputa direta pela manutenção do status atual de poder ou sua expansão para garantir a segurança, implicando em algumas situações na projeção de poder de ambas as partes no Oriente Médio. Por outro lado, é necessário sublinhar que Israel tem se mantido como principal potência bélica regional ao longo de muitos anos.

Desde, pelo menos, a Guerra do Yom Kippur Israel tem usado o seu poderio militar como fator dissuasório e a aliança com os Estados Unidos[1] como meio de persuasão, numa estratégia dupla com efeitos positivos ante os seus adversários.

Neste contexto, Israel e o Irã vivem na antessala de um conflito, cuja tendência poderá transpor as fronteiras e formar alianças estratégicas[2]. Os dois Estados movem o tabuleiro político de acordo com suas pretensões estratégicas, e isto leva ao enfraquecimento da diplomacia, que é uma dimensão fundamental da atividade política.

Ante os objetivos políticos dos dois Estados, a diplomacia entrou em estado de letargia, o que torna mais distante a possibilidade de entendimento e de uma eventual mediação diplomática para a resolução dos contenciosos existentes. Observadores apontam que as próprias políticas externas de Israel e do Irã estão mais concentradas na expansão de seus meios de força do que em buscar acordos bilaterais.

Nesse sentido, o impasse que está sendo consolidado, ou mesmo a ineficiência diplomática dos últimos tempos, nos leva a crer num possível fracasso das próximas ações diplomáticas e, consequentemente, na transferência do debate para o campo bélico[3].

Como constantemente tem sido destacado por especialistas, quando o diplomata não consegue transpor as barreiras impostas pelo desejo inflexível de poder, a diplomacia sucumbe, cedendo espaço à arena militar e fazendo com que, doravante, o ambiente das relações internacionais seja ocupado predominantemente pelo soldado.

Por essa razão, observadores apontam que, provavelmente, esta será a próxima fase do relacionamento entre Israel e o Irã se os esforços diplomáticos continuarem em queda. Tal cenário está sendo esperado independentemente de, nos próximos meses, o Irã ter eleições, pois a sua política externa em relação a Israel e ao Ocidente não será renovada, na medida em que a essência dessa política consiste na rejeição dos pressupostos e fundamentos do Estado de Israel e de certos princípios do mundo ocidental, levando-se em conta que a vitória previsível no processo eleitoral será dos conservadores ou dos ultraconservadores.

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Imagem (Fonte):

http://www.gloria-center.org/2011/09/israel-iran-and-the-new-middle-east/

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://jornal.ceiri.com.br/wp-content/uploads/2013/04/RAND_MG1143.pdf

[2] Ver:

http://jcpa.org/text/downloads/iran-from-regional-challenge-to-global-threat.pdf

[3] Ver:

http://www.worldaffairsjournal.org/article/israel-and-iran-grounds-israeli-attack

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Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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