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Israel instala bloqueios em bairros de Jerusalém em meio ao aumento da violência

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O Gabinete de Segurança de Israel aprovou uma série de novas medidas destinadas a combater a espiral de violência entre israelenses e palestinos depois do primeiroministro Benjamin Netanyahu ter prometido tomar “medidas agressivas” para evitar novos confrontos[1]. “O gabinete de segurança decidiu em prol de diversas medidas de combate ao terrorismo, notadamente autorizando a polícia a lacrar ou impor um toque de recolher em partes de Jerusalém em caso de atrito ou incitamento à violência[1], declarou o Gabinete, em um comunicado divulgado na manhã desta quarta-feira, 14 de outubro. Outras medidas incluem a implantação de forças de segurança israelenses em toda a rede de transportes públicos de Jerusalém, usando unidades militares para reforçar a força policial israelense, a “demolição de casas dos terroristas” e a revogação de sua residência permanente. Violentos confrontos têm sido reportados desde que as Forças de Segurança de Israel começaram a reprimir fiéis palestinos no composto da Mesquita alAqsa em Jerusalém Oriental, ocupada no mês passado[1]. Desde então, tumultos se espalharam rapidamente por Israel, na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

As Forças de Defesa de Israel (IDF) iniciaram nesta quarta-feira, dia 14, a implantação de seis companhias nas grandes cidades, a fim de ajudar a polícia em conter a onda de ataques terroristas[2]. A polícia também está criando postos de controle nas saídas de bairros árabes de Jerusalém Oriental. A implementação dos postos de controle já foi usada ​​durante picos anteriores de violência, e moradores palestinos os consideram uma punição coletiva em violação as leis internacionais[3][4]. As medidas foram anunciadas depois do Gabinete de Segurança ter decidido “impor um fechamento sobre, ou cercar, centros de atrito e de incitamento em Jerusalém, de acordo com considerações de segurança[2], informou o escritório do PrimeiroMinistro. Desde o início desta onda de ataques, a IDF tem reforçado sua atividade em toda a Israel e sobre os territórios ocupados com 11 batalhões de suas forças regulares, não reservistas.

O que configura um aumento de 50% sobre o número que foi implantado antes de 1º de outubro. Além da implantação do efetivo militar, o Comitê de Relações Exteriores e Defesa do Knesset aprovou nesta quarta-feira, pela manhã, a mobilização de 1.400 reservistas da polícia fronteiriça[2]. Os ministros também decidiram durante a reunião que “as casas dos terroristas que tinham sido demolidas não serão reconstruídas[2], e que “os direitos de residência permanente de terroristas será revogado e suas propriedades confiscadas[2]. O Governo Israelense também anunciou outras medidas drásticas, incluindo a facilitação de leis para aquisição e porte de armas de fogo por cidadãos israelenses[3].

Uma onda de ataques palestinos, sobretudo de esfaqueamentos, espalhou medo em Israel nos últimos 15 dias. Um ataque com arma e faca em um ônibus em Jerusalém na última terça-feira, 13 de outubro, matou duas pessoas e levou os israelenses à indignação[3]. O surto de violência que começou em 1º de outubro leva alguns analistas e manifestantes a advertirem sobre o risco de uma terceira intifada ou levante palestino.

Sete israelenses foram mortos[1] e dezenas de feridos. Pelo menos 30 palestinos morreram[1], incluindo crianças e supostos atacantes, alguns deles adolescentes. Centenas foram feridos em confrontos com Forças de Segurança Israelenses[3]. A crescente onda de violência já registra mais de 20 ataques por esfaqueamento, além de inúmeros protestos tempestuosos. Embora os ataques tenham espalhado ira e medo entre os israelenses, vídeos das forças de segurança disparando e matando supostos atacantes igualmente alimentaram a ira dos palestinos, com manifestantes apontando alguns dos assassinatos como injustificados[3].

Com o primeiroministro Benjamin Netanyahu sob imensa pressão para deter a violência e incapaz de lidar com jovens palestinos frustrados, as deliberações do Gabinete israelense rotulam manifestantes e revoltosos como terroristas e recrudescem suas políticas de cunho militarista. Na tentativa de aliviar as tensões, o governo do premier somente reforça o ciclo endêmico de violência.

Mustafa Barghouti, presidente da Iniciativa Nacional Palestina, um movimento político democrático, declarou que as medidas de recrudescimento israelenses somente levarão ao resultado exatamente oposto ao esperado por Israel, em Jerusalém. “Toda a ideia de muros e de postos de controle somente irão aprofundar a ocupação militar[1], disse à Al Jazeera. De acordo com Barghouti, a única maneira para acabar com a violência é encerrar esta ocupação militar, ainda que o mundo se recuse a olhar para a causa. “Este é um novo levante e vai continuar. Sempre quisemos a resistência popular não-violenta, mas é Israel que está fazendo uso da violência, eles estão permitindo que os colonos ataquem os palestinos[1], pontuou.

Grupos de direitos humanos também acusam as forças israelenses de uso excessivo de força e se opõem a continuidade da construção de assentamentos exclusivamente judaicos por Israel em toda a Cisjordânia, em violação do direito internacional e a Resoluções da ONU[1]. As novas restrições foram condenadas, por exemplo, pela ONG Human Rights Watch. De acordo com a organização, a iniciativa de Israel infringe a liberdade de movimento dos palestinos e é uma reação excessiva aos recentes episódios de violência[5][6]. “A onda de ataques é um desafio para qualquer força policial, mas exacerbar a política punitiva da demolição de casas é uma resposta fora da lei e destinada a provocar dano[5][6], disse a representante local da entidade, Sari Bashi.

Gilad Erdan, Ministro da Segurança Interna de Israel, declarou também no último dia 14, que os corpos de agressores palestinos mortos não seriam devolvidas às suas respectivas famílias. Segundo Erdan, “cortejos fúnebres de palestinos que mataram israelenses muitas vezes se transformam em um ato de apoio ao terror e de incitação ao assassinato[5]. OMinistro declarou, adicionalmente, que Israel não permitirá que os agressores mortos “desfrutem de respeito e de cerimônias[5]. Ele sugeriu que os corpos sejam enterrados sem alarde em cemitérios distantes, juntamente com outros agressores palestinos.

A mais recente instabilidade levou a apelos internacionais por calma entre as partes, enquanto o Secretário Geral da ONU, BanKimoon, pediu a Israel que realizasse uma avaliação sobre se suas forças de segurança recorreram à força excessiva[3]. HassanNasrallah, Secretário Geral do Hezbollah, apoiou a insurgência palestina, chamando-a de terceira intifada contra a ocupação israelense[7]. A mais recente insurgência é reflexo da interrupção dos infrutíferos e esgotados diálogos entre as autoridades israelenses e palestinas. Os acordos firmados parecem cada vez mais distantes de serem implementados nos territórios ocupados e em Gaza.

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Imagem Polícia fronteiriça israelense checa um motorista palestino fora do bairro de Jabal Mukaber, em Jerusalém Oriental, em 14 de Outubro de 2015” (Fonte – Manahem Kahana / AFP):

http://www.dailymail.co.uk/wires/afp/article-3272573/Israel-sets-east-Jerusalem-checkpoints-violence-spikes.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/10/israel-authorises-police-blockade-jerusalem-suburbs-151014000001556.html

[2] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/1.680379

[3] Ver:

http://www.dailymail.co.uk/wires/afp/article-3272573/Israel-sets-east-Jerusalem-checkpoints-violence-spikes.html

[4] Ver:

http://www.dailystar.com.lb/News/Middle-East/2015/Oct-14/318867-israel-sets-up-checkpoints-in-palestinian-east-jerusalem.ashx

[5] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/10/1693745-israel-autoriza-fechamento-de-bairros-em-jerusalem-e-reforco-na-seguranca.shtml

[6] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-34527369

[7] Ver:

http://www.dailystar.com.lb/News/Lebanon-News/2015/Oct-14/318897-nasrallah-declares-support-for-palestinians-third-intifada.ashx

Natalia Nahas Carneiro Maia Calfat - Colaboradora Voluntária

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).

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