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Israel prossegue planos para assentamentos em Jerusalém Oriental

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Na última segunda-feira, dia 3 de julho, agências internacionais reportaram que Israel vem promovendo avanços em seus planos de construção de 1.800 novas habitações residenciais em Jerusalém Oriental. O projeto controverso representaria a maior onda de construção de novos assentamentos nos últimos 10 anos. Os planos ainda serão avaliados pelo Comitê de Planejamento Distrital de Jerusalém neste mês (Julho de 2017). Se aprovados, eles marcariam o fim da desaceleração relativa da construção israelense na parte leste da cidade. Grupos de direitos humanos condenaram a proposta esta semana.

Pisgat Ze’ev é um assentamento israelense em Jerusalém Oriental, maior bairro residencial em Jerusalém, com uma população de mais de 50.000 habitantes

Os planos de construção incluem propostas para edifícios judaicos, como uma Yeshiva* de oito andares, em Sheikh Jarrah, que os palestinos consideram estar no coração de Jerusalém Oriental. De acordo com a organização não governamental israelense Peace Now, os planos também envolveriam a demolição de casas de cinco famílias palestinas, que detém direitos de arrendamento de longo prazo. A organização e outros grupos condenaram os projetos, acusando o Governo israelense de tentar destruir a solução de dois Estados.

Conforme Peter Beaumont, do The Guardian, o bairro de Sheikh Jarrah detém forte simbolismo para ambos os lados. Para Israel, era o lar de uma pequena comunidade judaica até 1948, quando Jerusalém Oriental caiu sob o domínio da Jordânia, após a guerra de fundação do Estado israelense. Na década de 1950, dezenas de famílias de refugiados palestinos de Jerusalém Ocidental – deslocadas pela mesma guerra – foram instaladas na região. Nos últimos anos, no entanto, várias famílias palestinas foram despejadas como resultado de decisões judiciais israelenses para reconhecer reivindicações de propriedade judaicas pré-1948. Estas leis, contudo, recusam o reconhecimento das reivindicações feitas pelos palestinos forçados a deixar Jerusalém Ocidental em circunstâncias semelhantes.

Mapa de Jerusalém leste, 2007 – UM OCHA Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários. O muro israelense é traçado em vermelho e os assentamentos indicados em roxo. Em bege, as áreas de construção palestina

Em declaração de 3 de julho, a ONG afirmou queO governo está brutalmente tentando destruir a possibilidade da solução de dois Estados, desta vez, através do estabelecimento de um novo assentamento no coração de um bairro palestino em Jerusalém Oriental e promovendo cerca de 1.800 unidades habitacionais além da Linha Verde. O despejo de 5 famílias palestinas, que são inquilinos protegidos, para estabelecer um novo assentamento em Sheikh Jarrah mostra que nada vai impedir que os grupos de colonos e um governo pró-colonizador evitem um futuro compromisso em Jerusalém”. Respondendo aos relatórios propostos pelo Governo israelense, o Departamento de Assuntos de Negociações da Organização para Libertação da Palestina declarou no Twitter: “Israel confirma novamente seu compromisso com o apartheid e a limpeza étnica com os anúncios de assentamentos em Jerusalém ocupada, e não com a paz”.

O Estado israelense reivindica soberania sobre Jerusalém desde que ocupou a Cidade Velha e os bairros orientais, em 1967. A reivindicação de Israel não é reconhecida por grande parte da comunidade internacional e os palestinos afirmam que Jerusalém Oriental é a capital de um futuro Estado. De acordo com estatísticas oficiais israelenses, o período entre abril de 2016 e março de 2017 registrou um aumento de 70,4% na construção de moradias de assentamentos na Cisjordânia ocupada.

Gráfico de linha do crescimento populacional em assentamentos israelenses até 2005, criado a partir de dados coletados pelas organizações Peace Now e B’Tselem, a partir do Departamento de Estatística de Israel. A população de colonos israelenses em Jerusalém leste é indicada em amarelo e em roxo a população total de assentados

Peter Beaumont, do The Guardian, argumenta que o Governo de direita de Israel parece ter sido encorajado pela postura pró-israelita da administração Trump, que tem sido muito mais silenciosa em suas críticas aos assentamentos que seu antecessor, Barack Obama. Particularmente, após a visita de Donald Trump os políticos de direita reforçaram declarações de que o congelamento da construção em Jerusalém Oriental estava encerrado, informou o Haaretz.

A última rodada das chamadas negociações de paz entre os dois lados entrou em colapso em abril de 2014. As atividades de assentamento de Tel Aviv estiveram entre as principais razões por trás do fracasso das negociações. Os assentamentos israelenses são considerados ilegais sob o direito internacional, pois são construídos em território ocupado.

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Notas:

* Yeshivás são instituições onde são estudados textos religiosos tradicionais judaicos, principalmente o Talmud e a Torá.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Jerusalém Oriental e o Muro de Separação israelense na Cisjordânia, ao fundo” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:East_Jerusalem.jpg

Imagem 2Pisgat Zeev é um assentamento israelense em Jerusalém Oriental, maior bairro residencial em Jerusalém, com uma população de mais de 50.000 habitantes” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Israeli_settlement#/media/File:PisgatzeevS.jpg

Imagem 3Mapa de Jerusalém leste, 2007 UM OCHA Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários. O muro israelense é traçado em vermelho e os assentamentos indicados em roxo. Em bege, as áreas de construção palestina” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/East_Jerusalem#/media/File:Jerusalem-barrier_June_2007-OCHAoPt.jpeg

Imagem 4Gráfico de linha do crescimento populacional em assentamentos israelenses até 2005, criado a partir de dados coletados pelas organizações Peace Now e BTselem, a partir do Departamento de Estatística de Israel. A população de colonos israelenses em Jerusalém leste é indicada em amarelo e em roxo a população total de assentados” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/ca/IsraeliSettlementGrowthLineGraph.png

Natalia Nahas Carneiro Maia Calfat - Colaboradora Voluntária

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).

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