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Na última segunda-feira, dia 26 de setembro, John Kerry, Secretário de Estado dos Estados Unidos da América (EUA), reuniu-se com o presidente venezuelano Nicolás Maduro, em Cartagena, na Colômbia. A breve reunião bilateral aconteceu logo após a cerimônia de assinatura de um Acordo de Paz entre o Governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), para a qual tanto EUA quanto Venezuela foram convidados a participar.

Segundo comunicado assinado por John Kirby, Porta-Voz do Departamento de Estado dos EUA, o encontro teve como propósito dar continuidade às conversações iniciadas nos meses recentes. Ainda em comunicado, Kirby pontuou que o Secretário de Estado dos EUA expressou a Maduro as preocupações estadunidenses no que tange aos desafios econômicos e políticos que afetam a população do seu país e que o Presidente venezuelano deve trabalhar em conjunto com os líderes da oposição para solucionar tais desafios. Já John Kerry assinalou durante uma coletiva de impressa que os Estados Unidos estão dispostos a colaborar em todas as frentes para fortalecer a relação entre os dois Estados. Embora ele não tenha esclarecido que medidas foram tratadas durante a reunião, o Secretário destacou que o Governo estadunidense está profundamente preocupado com o povo venezuelano, “com o nível de conflito, a fome, a falta de medicamentos”.

Delcy Rodriguez, Ministro das Relações Exteriores da Venezuela, destacou através de sua conta em redes sociais o tom respeitoso da reunião e que novos diálogos bilaterais deverão ocorrer. Essa ideia também foi reforçada pelo próprio Nicolás Maduro, que declarou através de seu programa de rádio, no último dia 27 de setembro, que deseja construir uma relação melhor com os Estados Unidos, destacando o tom respeitoso e amigável do encontro com o Chanceler norte-americano. Maduro afirmou ainda que jamais iria sujeitar o país a qualquer potência, mas destacou que pode haver melhora nas relações entre Venezuela e EUA.

Os dois países possuem divergências ideológicas e políticas, que promoveram o aprofundamento da crise entre ambos. Desde a eleição de Hugo Chávez, em 1999, as relações tem sido conturbadas e tensas. O Governo venezuelano acusa os Estados Unidos de continuamente interferirem nos assuntos internos venezuelanos, sobretudo após o apoio dado à Oposição, na tentativa de derrubar Chávez do poder, em 2002. O antagonismo culminou em 2008, na expulsão do embaixador estadunidense em Caracas. Por isso, no presente, nem EUA nem Venezuela possuem embaixadas no outro país.

A abertura para negociações teve como passo inicial o encontro entre Barack Obama, Presidente dos EUA, e Nicolás Maduro, em abril de 2015, durante a Cúpula das Américas, que ocorreu no Panamá. Alguns analistas acreditam que esses diálogos possam vir a evoluir para uma significativa melhora nas relações, tal qual ocorreu com Cuba e, em certa medida, com o próprio Irã. Enquanto isso, outros analistas pontuam alguns erros da administração Obama, sobretudo em não pressionar dentro da Organização dos Estados Americanos (OEA) a suspenção da Venezuela e a aplicação de punições, em virtude da crise e das possíveis violações do Governo Chávez.

O encontro ocorrido nessa segunda-feira, dia 26 de setembro, também busca amenizar as tensões novamente levantadas na semana passada, quando o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciou que o Referendo Revogatório sobre o mandato do presidente Maduro não deverá ocorrer neste ano, mas sim em janeiro de 2017. Logo após a decisão do Conselho, o Governo estadunidense afirmou que tal decisão priva o povo venezuelano da oportunidade de moldar a direção do seu país. Em contrapartida, o CNE criticou os EUA, afirmando que a posição do país com relação à Venezuela é seguidamente ofensiva e intervencionista.

De acordo com o CNE, a convocação para ativação do mecanismo deverá ocorrer no início de dezembro deste ano; a partir desta data se iniciam os 90 dias legais que o Órgão tem para realizar o Referendo. No final do mês de outubro, o CNE deverá recolher 4 milhões de assinaturas em apoio a consulta popular. Em sequência, terá um mês para analisar as assinaturas recolhidas e, então, cerca de 90 dias para cumprir o Referendo, o que poderia ocorrer na data limite para a convocação de eleições presidenciais.

Essa decisão, no entanto, desagradou a Oposição, que exige que o Referendo se cumpra neste ano (2016). Assim, caso Maduro perca, eleições antecipadas seriam realizadas. Por fim, cabe destacar que os dois países se dizem dispostos a buscar mecanismos para melhorar suas relações. Nesse aspecto, tanto Kerry quanto Maduro afirmaram que Thomas Shannon, Subsecretário de Estado para Assuntos Políticos, deverá visitar a Venezuela, a fim de dar prosseguimento aos diálogos.

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ImagemMapa indicando localização dos Estados Unidos e da Venezuela” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Relações_entre_Estados_Unidos_e_Venezuela

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Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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