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[:pt]Lançada a primeira ferrovia elétrica internacional no continente africano[:]

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Foi lançada na última quinta-feira (6 de outubro) a primeira linha ferroviária elétrica internacional do continente africano. A linha conecta a capital etíope, Addis Adaba, ao porto da Cidade de Djibuti, e permitirá percorrer o trecho em aproximadamente doze horas – antes de seu lançamento, o tempo médio de viagem era de dois dias.

Mais do que permitir o fluxo de pessoas entre as duas localidades, a linha servirá como importante canal para o escoamento da produção agrícola etíope, tendo em vista que o país não tem nenhuma saída para o Oceano. O Governo da Etiópia, principal ator no atual projeto de desenvolvimento econômico do país, vê a linha ferroviária como estratégia crucial para incentivar o florescimento da incipiente indústria nacional. “[A ferrovia] irá proporcionar benefícios enormes para os parques industriais e as modernas fazendas que pretendemos instalar no futuro”, afirmou o primeiro-ministro etíope Hailemariam Desalegn.

Outro ator interessado no lançamento da ferrovia são as companhias chinesas e o Governo da China, patrocinador da ferrovia. Aproximadamente 70% do investimento necessário para a construção foi financiado pelo Export-Import Bank of China – o restante foi financiado por instituições multilaterais, como a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental, dado que o projeto final prevê a extensão da ferrovia até o limite ocidental africano.

O consórcio de administração selado traz duas companhias chinesas: a China Railway Group (CREC) e a China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC). Com um contrato de administração de seis anos, o fato acentua a presença chinesa no continente africano e a sua aproximação econômica e diplomática com os Estados da África.

Por um lado, o lançamento da ferrovia é um marco em termos de transporte e locomoção de pessoas e informações no continente. Entretanto, do outro, questiona-se em que medida grandes empreendimentos como este, conduzidos pelo Estado e financiados por órgãos externos, conduzirão a Etiópia a um processo real de desenvolvimento. Não somente a questão econômica se mostra vulnerável para a população etíope, mas também os direitos civis, cuja garantia não passa pela implementação de grandes projetos de infraestrutura, mas por mudanças políticas e institucionais na esfera pública.

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Imagem Twinsection diesel locomotive 2M62M1198 (rebuilt with CAT engines), near Kyviškės, Lithuania” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Diesel_locomotive

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Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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