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Lançador aéreo de mísseis nucleares em desenvolvimento na China

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A China busca aumentar sua segurança por meio do desenvolvimento de sistemas de defesa modernos capazes de conter ataques de potências ocidentais. Em contexto de crescentes tensões geopolíticas na Ásia entre os chineses e aliados dos Estados Unidos, a necessidade de aprimorar o sistema de defesa é aguda. Segundo o relatório norte-americano sobre o poder militar chinês no ano de 2017, a Força Aérea da China já é a terceira maior do mundo, continua a modernizar-se e está aproximando-se das forças aéreas ocidentais em um amplo espectro de capacidades.

Nações debatem a ideia de um Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares na ONU, em maio de 2016, em Genebra

Nesse sentido, o desenvolvimento de um sistema chinês de mísseis balísticos aéreos capazes de transportar ogivas nucleares não é uma surpresa. Segundo o periódico The Diplomat, o míssil CH-AS-X-13*, com alcance de 3.000 km, já foi testado em cinco ocasiões: a primeira em dezembro de 2016 e a última em janeiro de 2018. A comunidade de inteligência norte-americana acredita que o novo míssil estará pronto para ser utilizado até 2025.

Mísseis balísticos não costumam ser lançados do ar. Normalmente, os projetos dos Estados Unidos e da União Soviética**, em tempos de Guerra Fria***, estavam pautados no desenvolvimento de mísseis terrestres e submarinos. Há, contudo, vantagens de realizar o lançamento aéreo, já que, segundo especialistas em defesa, os mísseis são mais difíceis de serem interceptados. Isso garante maior capacidade de reação em eventual conflito nuclear com uma potência estrangeira.

O movimento chinês em direção à defesa nuclear aérea ocorre no momento em que a Rússia anunciou oficialmente estar produzindo mísseis aéreos capazes de transportar ogivas nucleares. O míssil Kinzhal, anunciado no começo de março de 2018, foi testado com sucesso no final daquele mês.

O Departamento de Estado dos EUA respondeu afirmando que aquele “não era um comportamento aceitável de um ator internacional responsável”. Apesar dessa resposta, os norte-americanos também entraram na nova corrida armamentista nuclear****. O presidente Donald Trump, no discurso do Estado da União, em fevereiro de 2018, anunciou que o país deveria “modernizar e reconstruir seu arsenal nuclear”.

A corrida nuclear contrapõe-se à iniciativa do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, adotado em setembro de 2017, que busca proibir a utilização ou ameaça de uso de armas nucleares, bem como torna esse tipo de armamento contrário ao direito internacional.  A China, os EUA e a Rússia não são partes do Tratado.

O projeto chinês de mísseis aéreos tem propósito dissuasório e defensivo. A estratégia do país asiático consiste em evitar ser alvo de ações atômicas, bem como de conseguir realizar resposta rápida a ataques. Por enquanto, a falta de uma data específica de conclusão do sistema e a ausência de declarações oficiais mais substantivas da liderança chinesa permitem afirmar que o programa pode ser experimental, mas também uma amostra do poder tecnológico da China.

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Notas:

Nome atribuído pela comunidade de inteligência dos Estados Unidos.

** País que durou até 1991 e compreende o território da Rússia e de outras nações europeias e asiáticas.

*** Conflito entre Estados Unidos e União Soviética durante 1947 e 1991, caracterizado pela disputa de áreas de influência e pela oposição ideológica entre capitalismo e comunismo.

**** Aumento da produção e do desenvolvimento de armas nucleares, similar ao ocorrido nos tempos de Guerra Fria.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Réplica da primeira bomba nuclear chinesa” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/China_and_weapons_of_mass_destruction

Imagem 2 Nações debatem a ideia de um Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares na ONU, em maio de 2016, em Genebra” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Treaty_on_the_Prohibition_of_Nuclear_Weapons

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Demais Fontes Consultadas:

[1] Ver:

https://www.defense.gov/Portals/1/Documents/pubs/2017_China_Military_Power_Report.PDF

[2] Ver:

https://thediplomat.com/2018/04/revealed-chinas-nuclear-capable-air-launched-ballistic-missile/

[3] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-europe-43362213

[4] Ver:

https://www.nytimes.com/2018/02/04/us/politics/trump-nuclear-russia.html

Jonas Marinho - Colaborador Voluntário

Especialista em Direito e Relações Internacionais pela Universidade de Fortaleza. Especialista em Desafios das relações internacionais, especialização oferecida pela Universidade de Leiden & pela Universidade de Genebra em parceria com o Coursera. Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Ceará.

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