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“Le Monde” apresenta avaliação apontando os riscos da economia brasileira

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Ontem, dia 15 de dezembro, o jornal francês, “Le Monde” apresentou uma caderno especial de economia, baseado em entrevistas com vários economistas de muitas instituições, que concordam que o Brasil é o membro do grupo informal denominado BRICS (“Brasil, Rússia, índia, China e África do Sul”) que mais está sendo afetado pela crise internacional e, conforme avaliam alguns analistas, de certa forma aponta a fragilidade e enganos acerca da economia brasileira.

 

Segundo consta na reportagem, a questão principal está no renascimento do protecionismo que voltou com força em todos os países do mundo. O título do caderno indica o cenário que está no horizonte: “A liberalização do comércio mundial em pane”* e destaca o debate atual que está na recusa dos países desenvolvidos em continuar dando apoio aos países emergentes como os que constituem o BRICS, enquanto estes apontam a injustiça na avaliação , já que as condições estruturais das economia desenvolvias e emergentes são diversas e com níveis distintos de desenvolvimento, razão pela qual se justificaria o protecionismo até que a condição de vida de suas populações alcance patamar aceitável.

O resultado desta contenda está em que todos estão recuando nos avanços obtidos no comércio internacional e investindo cada vez mais no protecionismo, recusando as reivindicações de vantagens comerciais solicitadas por estes países emergentes.

Da perspectiva dos analistas entrevistados, o Brasil está sendo o mais afetado e sofrerá ainda mais com a crise. Segundo consta na reportagem, “a euforia de 2012 desapareceu” no Brasil, e tem mostrado que está sofrendo muito com a diminuição das exportações para os Estados Unidos e Europa. Seu crescimento é lento, comparando-se com o dos demais membros do BRICS, ocorrendo ainda o problema da valorização do Real e da baixa dos preços das matérias-primas. Afirma que a expectativa de crescimento para 2012 será de 3,2% (recentemente houve anúncios na mídia televisionada do país de que poderia ficar em 2,8%), tendo uma queda real de 4,3% comparando-se com 2010, quando cresceu 7,5%.

As conclusões da reportagem vão ao encontro de várias críticas de analistas econômicos nacionais e estrangeiros que apontavam o fato de a economia brasileira estar atrelada a certas condições do desenvolvimento da economia internacional, ficando ainda a mercê de uma condição estrutural negativa, apesar do crescimento ocorrido no montante dos “Investimentos Externos Diretos” (IED).

Segundo apontam, isso se dá pelo fato de haver (1) problemas estruturais na educação; ser uma (2) economia pouco inovadora, com certo (3) desenvolvimento tecnológicomas que carece de investimentos adequados nos campos em que comunga da liderança e muita dependência nos setores estratégicos de tecnologia sensível; ter (4) alto índice de corrupção, o qual impede que as atividades fins possam ser realizadas; ter graves (5) entraves e deficiências logísticas, que encarecem o custo Brasil; (6) legislação trabalhista complexa e desestimulante para o investidor; além de ter escolhido como forma de desenvolver o boom do seu atual crescimento econômico o (7) assistencialismo que produziu resultados em curto prazo, mas que deveria ser limitado, pois terminará por resultar em grandes perdas para a sociedade, já que, em médio prazo, levará ao retrocesso das conquistas geradas pela estabilidade da moeda Real e pela criação de uma base mínima que teve seu sucesso construído pelo enxugamento do Estado e pela dinamização dos investimentos que ocorreram após o saneamento da economia, podendo ter sido estabelecida, ao invés do assistencialismo estrutural, as bases para desenvolvimento do empresariado, com a redução dos impostos e estímulo ao micro e pequeno empresários. São pontos que foram destacados por vários analistas políticos e econômicos ao longo dos últimos quatro anos no Brasil e por alguns observadores estrangeiros, mas acabaram sendo abafados pela resistência oferecida pelo Brasil à “Crise de 2009”, que levou os defensores do modelo adotado a ressaltar os resultados apontados e não as falhas estruturais identificadas. Conforme destacam os analistas, no caso de a avaliação disseminada pelo “Le Monde” estar certa, as expectativas para 2012 serão baixas para o Brasil e trará crises país.

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* Fonte consultada:
http://www.portugues.rfi.fr/geral/20111215-brasil-e-o-pais-mais-atingido-pela-crise-entre-os-brics-diz-le-monde
Tags:
Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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