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[:pt]Lenta e gradativamente, Alemanha se aproxima da China, líder dos Brics[:]

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Em junho de 2016, a Chanceler da Alemanha, Ângela Merkel, visitou a China. Durante a visita, foram tratados temas variados como Direitos Humanos; Acordos de Cooperação Técnica em países que sofreram desastres naturais ou políticos, especialmente o Afeganistão; a situação política e jurídica de jornalistas e organizações não-governamentais (ONGs) alemães na China (sobretudo diante de nova Lei que exigirá das organizações estrangeiras na China informações acerca da origem e destino de fundos, que entrará em vigor a partir de janeiro de 2017); a produção de aço chinês, que ameaça empresas alemãs; a falta de reciprocidade em investimentos (empresas alemãs acusam a China de impedir investimentos naquele país, enquanto chineses compram participações acionárias à vontade na Alemanha); e a atribuição à China do status de economia de mercado pela União Europeia (UE), conforme promessa da UE, logo após a adesão dos chineses à Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001, e cujo prazo se encerra em dezembro de 2016, sendo este, de longe, o assunto principal.

Esta foi a nona visita consecutiva da Chanceler alemã àquela potência asiática, para assinatura de 20 acordos, inclusive de negócios de, aproximadamente, € 2,7 bilhões. Essas sucessivas visitas reforçam rumores que dão conta de que a Alemanha quer se aproximar dos Brics, por meio de sua líder, a China, para um possível “Plano B” alemão, de integração com este grupo, no caso do fracasso de organizações ocidentais como o Banco Mundial, o FMI, a OTAN, a União Europeia e, também, do Dólar norte-americano.

Para fins de comparação do nível da aproximação do líder da União Europeia com o gigante asiático, desde que Brasil e China assinaram o Tratado Internacional de amizade, em 1974, tivemos as visitas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que lá esteve em 1995, e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com uma comitiva de mais de 400 pessoas, em 2004, fato que a imprensa estadunidense não ignorou na época, apesar da estratégia de Washington de desconsiderar, ou minimizar a importância da aproximação de potências regionais americanas com a China. Desde então, esta se tornou o maior parceiro comercial do Brasil.

A última reunião entre ambos foi durante a visita do primeiro-ministro chinês Li Keqiang ao Brasil, em 2015. Nesse encontro, foram assinados 35 acordos bilaterais de US$ 53 bilhões, com destaque para o acordo de viabilidade da ferrovia transcontinental do litoral do Brasil ao Peru, país com estratégia de crescimento focada no comércio com países do Oceano Pacífico, algo que resultou no aumento de seu Produto Interno Bruto (PIB) em 3,26%, em 2015. Nessa linha estratégica, o Brasil continuará vendendo commodities à China, porém, deverá pagar “pedágio” ao Peru.

Desde 2009, os chineses são o maior parceiro comercial brasileiro, superando o tradicional Estados Unidos da América (EUA). Coincidentemente, o preço das commodities começou a desacelerar o crescimento histórico que havia dado origem ao termo “Brics”. A produção industrial brasileira despencou e muitos industriais do país responsabilizam a política de comércio exterior brasileira de maior abertura aos manufaturados chineses por esta “queda”.

A estratégia da China parece não ter enfoque em uma região específica, mas em todo o globo, investindo tanto nas economias desenvolvidas, quanto nas emergentes. O Brasil ainda se beneficia mais que a Alemanha de sua integração com os Brics, com acordos internacionais de maior volume econômico e cooperação financeira evidente, que pode ser concretizada por meio do Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS (NBD BRICS), também referido como Banco de Desenvolvimento do BRICS, ou, simplesmente, Banco do BRICS. Porém, existe a crítica de que o governo brasileiro visita pouco o “amigo rico”, enquanto que a Alemanha – que nem integra o Bloco – realiza encontros anuais para, de forma lenta e gradual, consolidar uma parceria estratégica. O presidente interino do Brasil, Michel Temer, pretende realizar visita oficial à China em setembro deste ano (2016), podendo iniciar uma nova política econômica entre os dois países.

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Imagem (Fonte):

http://www.foxnews.com/world/2016/06/13/angela-merkel-meets-with-chinese-premier-amid-trade-concerns.html

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Marcelo de Montalvão - Colaborador Voluntário

Graduado em Direito (2000) pela Universidade da Amazônia, é diretor da Montax – Inteligência & Investigações e autor de Inteligência & Indústria – Espionagem e Contraespionagem Corporativa. Pesquisa Marketing de serviços, Guerra Econômica, Economia Política e áreas afins. Como Advogado criminalista, tem foco em ações antilavagem de dinheiro para Recuperação de ativos desviados de fraudes.

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