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A Letônia é um país que passou por graves crises políticas e sua história possui marcas profundas de intervenção estrangeira, sobretudo: na união da comunidade letã na República das Duas Nações (1569-1795), que compunha o Grão-Ducado da Lituânia e o Reino da Polônia; com sua introdução no Império Russo, durante os séculos XVIII e XIX, até a independência, em 1918, que, contudo, os letões a perderam, após a invasão da União Soviética, em 1940.

A República da Letônia somente retomou a independência política em 1991, com o desmantelamento da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e, desde este período, dedica-se na afirmação da identidade letã por meio de sua aproximação com a União Europeia (UE) e com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em 2004.

Atualmente, o país conta com uma população de 1,990 milhão de habitantes, e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,819, em 2014, porém, enfrenta uma grave situação de natureza étnica, pois, com a fragmentação do Estado Soviético, a minoria russófona que resolveu permanecer passou a sofrer de exclusão. Muitos descendentes de russos não obtiveram aprovação no exame de conhecimento de língua letã e outros foram vistos como ocupantes, por terem origem familiar soviética, em especial militar, e acabaram por não receber a cidadania europeia.

A comunidade russa na Letônia queixa-se de ser vista como não-cidadã no país, de ver a herança industrial soviética destruída, e, sobretudo, de perder voz política de forma exponencial, após a derrota no referendo da língua, em 2012. O russo é essencial no cotidiano dos letões, de tal maneira que, se todos os falantes fizessem uma greve nacional, dois quintos da Letônia parariam. Hoje, o idioma russo possui estatuto de língua estrangeira no país, embora 37,2% da população o utilizem, e, independente das divergências do passado, os letões encontram dificuldade em aceitá-lo como língua nacional.

O Ex-Presidente da Letônia, Valdis Zatlers, afirmou que os Estados bálticos não são russofóbicos e buscam relações amigáveis com Moscou. Acrescentou que não existe ameaça real contra a soberania dos países da região e que a mesma apenas ocorrera a dois anos atrás, todavia, ele culpa as políticas de auto-isolamento da Rússia como principal entrave entre as relações multilaterais.

Segundo a opinião de analistas, percebe-se que existe um problema social na Letônia, no tocante a inclusão da comunidade russa, e um receio geral no báltico, numa suposta possível retaliação russa em defesa de suas minorias presentes nestes países. Contudo, entende-se que o diálogo é o melhor método de resolução de questões, sem permitir a afloração de porfias e de nacionalismos hipérboles.    

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ImagemMapa da LetôniaFonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/84/Latvia_1998_CIA_map.jpg

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Leituras Adicionais:

[1] Estados Bálticos não são russofóbicos, afirma ExPresidente letão:

http://www.baltictimes.com/baltic_states_not_russophobic_-_ex_latvian_president/

[2] Comunidade russa na Letônia corrói:

http://www.pravdareport.com/world/ussr/08-02-2016/133277-latvia_russian_community-0/

[3] Cresce o interesse pelo russo nas exrepublicas soviéticas:

http://gazetarussa.com.br/sociedade/2014/03/22/cresce_interesse_pelo_russo_nas_ex-republicas_sovieticas_24687

Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

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