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[:pt]“Let’s not drown Belgrade” organiza novos protestos em Belgrado[:]

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Engrossando a marcha dos protestos que tomaram Belgrado no mês de junho, centenas de manifestantes se concentraram na zona central da capital da Sérvia, na última sexta-feira, 30 de setembro, para expressarem o descontentamento com a proposta de remodelagem da margem do rio Sava – que corta a capital sérvia, juntamente com o rio Danúbio. Os membros da campanha “Let’s not  drown Belgrade” (“Não vamos afogar Belgrado”, em tradução livre), organizaram seu maior protesto no ano, contabilizando cerca de 25 mil manifestantes. Desta vez, os protestos estão ligados a nova fase do projeto que visa reformular a orla da cidade.

As partes do contrato, o consórcio Eagle Hills de Dubai, com 68% da fatia dos negócios, sendo o restante para empresas sérvias, pretendem construir o maior projeto de remodelagem urbana da península balcânica: 6,5 milhões de metros quadrados, contendo um conjunto de 17 mil apartamentos luxuosos, hotéis, shoppings centers e o mais alto arranha-céu dos Bálcãs. O faraônico projeto vai ao encontro da necessidade de aumentar a oferta de empregos na Sérvia, cuja taxa de desemprego atingiu 20,8% no último ano (2015). A promessa é de 13 mil novas vagas, diretas e indiretas.

O Governo, por outro lado, defende que o empreendimento trará prosperidade à cidade. Nas palavras do Primeiro-Ministro, Aleksandar Vucic, “os cidadãos de Belgrado têm sonhado com um projeto deste calibre desde o final da Segunda Guerra Mundial”. Sobre as manifestações, pediu para que os manifestantes deixem os construtores “fazerem seu trabalho”, além de ter pedido para que os protestantes “tivessem dito antes ao que vieram”.

Apesar de todas as contestações da sociedade civil, de membros da oposição política e das imprecisões do Acordo sérvio-árabe, a construção já tomou início em abril, com demolições ocorrendo também na última semana – as quais foram as catalisadoras dessas novas queixas da população. No entanto, dúvidas surgem sobre a empreitada árabe em terras balcânicas. Membros da sociedade civil levantaram a desapropriação de terrenos, descaracterização arquitetônica e as permissões ambientais para a construção do complexo. Entre as violações do projeto, a Academia de Arquitetura da Sérvia (AAS) salienta o Artigo 89 da Constituição, mostrando que contraria a herança cultural e arquitetônica de Belgrado. Políticos oposicionistas também contestam o caráter legal da empreitada.

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ImagemMaquete do Projeto” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Belgrade_Waterfront#/media/File:Belgrade_Waterfront_project.jpg

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Matheus Felten Fröhlich - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Sociais pela PUC-RS. Bacharel em Relações Internacionais (2014), pelo Centro Universitário Univates de Lajeado - RS, realizou estudos em Segurança Internacional na Högskolan i Halmstad em Halmstad, Suécia (2013). Áreas de interesse em pesquisa são em Política Internacional, Segurança Internacional, Península Balcânica e etnias nas Relações Internacionais.'

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