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Líbia ainda vive sob tensão e violência trazendo incertezas sobre o futuro da Revolução

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Um ano após a queda do ex-líder Muammar Kadhafi (23 de outubro de 2011), a Líbia continua sob tensão, em constante estado de violência e, pela avaliação de algumas personalidades dos país, numa situação de caos, gerada pela incapacidade das autoridades centrais de desarmar as milícias, estabelecer uma organização administrativa satisfatória e promover a unidade social.

 

Segundo o discurso realizado pelo presidente do Parlamento, Mohamed Yousef el Magariaf, na sexta-feira passada, dia 19 de outubro, o país encontrava-se estagnado em termos políticos, econômicos e na segurança, tendo ficado praticamente bloqueada a transição projetada pelos revolucionários que derrubaram o regime anterior.

De acordo com o divulgado na mídia, esta autoridade chegou a afirmar em seu discurso que a situação é de “caos”* e “desordem”*, dentre vários qualificativos, destacando ainda a ausência de um Exército e Polícia adequadamente organizados.

Vários especialistas estão destacando a dificuldade em fazer com que o cidadão tenha confiança na idéia de uma sociedade unitária e abandone seus laços de lealdade com a tribo da qual faz parte, possibilitando a construção da união nacional.

Diante do cenário, vozes significativas começam a olhar para a situação em que se encontram e passam a lamentar o caminho que a Revolução está tomando, ou terá de tomar obrigatoriamente para conseguir organizar o país, ou até mesmo para manter a existência da Líbia.

Começam a surgir reivindicações de um Regime forte, podendo isto significar um período ditatorial, outro regime autoritário ou, no mínimo, várias medidas de grande violência, cujas consequências são imprevisíveis, tanto doméstica quanto internacionalmente.

Para exemplificar o tipo de reivindicação que vem sendo feita, Mohammed Zin el Abidin, membro do antigo “Conselho Nacional de Transição” (CNT) e braço político da rebelião no período revolucionário, foi explícito na solicitação de um “governo forte”*, de acordo com o que saiu na imprensa.

Outro líder, Al Berasi Mohammed Aisa, embora não tenha sido tão claro, mostrou cansaço e desesperança, abrindo espaço para aceitação de um retrocesso. Afirmou: “Os líbios querem uma vida digna e livre, a democracia e um Estado moderno com instituições fortes, mas infelizmente um grupo de oportunistas se opõe aos objetivos de nossa nobre revolução”*.

Na situação atual a violência está se perpetuando e os atentados proliferam, mantendo a Líbia numa condição de completa insegurança e com o futuro incerto, ao ponto de não haver entre os analistas vozes que anunciem um caminho razoável para a pacificação do país, nem para a construção da unidade nacional, quanto menos para instauração de uma Democracia.

Apesar de se tentar criar algumas instituições democráticas, dentre elas a representação política, o voto e instâncias legislativas do Estado, elas começam a se desgastar diante da realidade violenta em que a Líbia se encontra, bem como da estagnação administrativa e política, sendo esta uma situação que poderá levá-las ao descarte por serem vistas como ineficazes para a realidade do país, o que seria um golpe de morte na Revolução mesmo que os rebelados tenham derrubado Kadhaffi, pois teriam conseguido afastar um ditador, mas não a mentalidade, o espírito e uma suposta necessidade de comportamentos autoritários e ditatoriais.

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[1] Imagem Guerra Civil na Líbia”: Fonte Wikipédia

[2] Imagem Grupos Étnicos da Líbia”: Fonte Wikipédia

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Fontes:

* Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI6242575-EI17615,00-Libia+vive+impasse+um+ano+depois+da+morte+de+Muammar+Kadafi.html

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Ver também:

http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/ataque-na-libia-um-suspeito-morre-outro-e-detido

Ver também:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI6248428-EI17615,00-Libia+celebra+aniversario+de+libertacao+em+meio+a+conflito.html

Ver também:

http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/confrontos-na-libia-causaram-mais-de-50-mortes

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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