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No dia 22 de maio de 2017, o inglês de origem líbia Salman Abedi detonou uma mochila presa em seu corpo, contendo uma bomba de fabricação caseira, próximo a uma arena de shows na cidade de Manchester, no noroeste da Inglaterra, matando dezenas de pessoas e ferindo outras centenas. O Estado Islâmico do Iraque e da Síria (ISIS, na sigla em inglês) reivindicou a ação e o Serviço de Inteligência do Reino Unido trabalha com a possibilidade de Abedi ter viajado à Síria semanas antes de cometer o atentado, tendo em vista o terrorista ter cumprido as etapas do processo de radicalização há poucos anos, bem como ter tido auxílio externo para o cometimento do ataque, o que faria com que ação não apenas tenha sido inspirada na ideologia da organização, mas de fato planejada pelo ISIS.

Foto de Salman Abedi em uma mesquita anos antes. Fonte: Wikipedia

A escolha do local da ação chama a atenção por se tratar de um evento predominantemente frequentado por crianças e adolescentes, no entanto, duas hipóteses podem ser consideradas: a primeira diz respeito ao diagnóstico divulgado pelo Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), indicando o aumento sem precedentes do número de mortes de civis, incluindo crianças e adolescentes, pela Força de Coalizão; e a segunda se refere ao fato da cantora Ariana Grande, a qual encerrou seu show pouco antes da detonação do explosivo, inspirar meninas a decidir com otimismo o próprio destino e pregar em suas músicas o respeito a diversidade sexual, coisas que causam a ira dos fundamentalistas.

A internacionalização do terrorismo tornou irrelevante definições nacionais quanto a probabilidade de ocorrência de atentados e ao desenvolvimento de outras atividades ligadas a esse fenômeno, pois o mesmo, além de buscar publicidade em suas ações, tende a atuar onde existirem vulnerabilidades que possam ser exploradas.

Presença das Forças de Segurança como parte da Operação Temperer em resposta ao aumento do nível de alerta terrorista. Fonte: Wikipedia

O terrorismo aparece como uma lógica de ação quando ele define o ator e apresenta os motivos da luta, portanto, a violência é extrema, sem limites, e a ordem dos fins e dos meios se inverte. O mais importante é o terror, que se converte no objetivo dos terroristas, desenvolvendo uma engrenagem cuja saída conduz inevitavelmente em um enfrentamento mortal contra o Estado, a detenção, a morte e o exílio. Precisamente, a lógica terrorista está baseada nos princípios da justificativa (moral-cognitiva), da minimização (quando se comparado aos atos do Estado) e da desumanização.

Interessante apreciar que o terrorismo como lógica de ação é próprio daquelas organizações predispostas ao uso de violência regular para causar terror e que não contam com o apoio da população civil, ou seja, que têm obstáculos ou não conseguem mobilizar a comunidade na qual estão inseridos.

As vítimas objetivadas estrategicamente pelo terrorismo, não são os mortos que tombam em atentados, mas sim todos aqueles que estão vivos e se sentem indefesos perante a vontade do terrorista. O fundamento do terror, não é a morte, é a insegurança que provoca e a certeza da vulnerabilidade diante da ação do terrorista. O fundamento do terror é o sentimento inequívoco de desamparo diante da vontade do terrorista, tornando um dever dos Estados e das populações vítimas do terrorismo a busca irrestrita e incansável pela retomada da normalidade no cotidiano de suas nações.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Arena Manchester: local do atentado” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/2017_Manchester_Arena_bombing#/media/File:Manchester_Evening_News_Arena_-_geograph.org.uk_-_1931437.jpg

Imagem 2Foto de Salman Abedi em uma mesquita anos antes” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/2017_Manchester_Arena_bombing#/media/File:Salman_Ramadan_Abedi,_suicide_attacker_in_the_Manchester_Arena_bombing.jpg

Imagem 3Presença das Forças de Segurança como parte da Operação Temperer em resposta ao aumento do nível de alerta terrorista” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/2017_Manchester_Arena_bombing#/media/File:Operation_Temperer_May_2017_(1).jpg

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Moggar Frederes de Mattos - Colaborador Voluntário

Major da Brigada Militar do RS com 19 anos de serviço ativo, sendo 07 anos como Assessor de Inteligência da Agência Central de Inteligência da Brigada Militar do RS. Bacharel em Ciências Militares – Área Defesa Social pela Academia de Polícia Militar da Brigada Militar do RS e Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do RS. Diplomado em Terrorismo e ContraInsurgência e em Combate ao Crime Organizado Transnacional e as Redes Ilícitas das Américas pelo Centro de Estudos Hemisféricos de Defesa William J. Perry da Universidade de Defesa Nacional dos EUA. Negociador Policial. Observador Policial/United Nations Police (UNPol) na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH) no ano de 2008. Atualmente exerce a função de Chefe da Secretaria Executiva do Chefe do Estado Maior da Brigada Militar do RS.

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