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Macedônia tenta mudar o nome do país para ingressar na União Europeia e OTAN

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A República da Macedônia votou, no último dia 30 de setembro, pela mudança do nome oficial do país para Macedônia do Norte. Apesar de o resultado ser amplamente favorável ao pleito do Governo, ele não é válido, pois não atingiu o mínimo estabelecido de 50% para a taxa de comparecimento dos eleitores, tendo comparecido apenas 36% do total de macedônios registrados para votar.

República da Macedônia e Macedônia Grega

Agora, o primeiro-ministro Zoran Zaev deve decidir se leva a questão à Sobranie, o Parlamento, ou busca uma outra estratégia para a mudança. A intenção do atual Governo é permitir que a Macedônia tenha chances de entrar tanto na União Europeia (UE) como na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), ambas embarreiradas pela Grécia, em função do nome do país.

A alegação grega é a de que a Macedônia é uma região do seu território e a nomenclatura macedônia sugere uma possível reivindicação futura das terras pertencentes aos helênicos. Portanto, a mudança seria necessária para a sua entrada nestas instituições, hoje dificultadas por Atenas. Nesse sentido, foi realizado um acordo com a Grécia para que o processo de filiação nas organizações não tivesse impedimento dos gregos.

Sobranie – Assembleia da Macedônia

A questão agora passa a ser como o Governo vai conseguir aprovar esta medida, uma vez que a Sobranie está bastante dividida nesta questão. Para que ocorra a alteração solicitada, é preciso que dois terços do Parlamento aprove o trato entre gregos e macedônios, mas isto se mostra bastante difícil, já que quase metade desta Casa pertence à oposição. Outra possibilidade é antecipar as eleições para que uma nova composição da Assembleia permita uma votação favorável à nova nomenclatura.

Mesmo que a Macedônia consiga fazer a alteração, o caminho para entrar na UE não será fácil. Assim como a Ucrânia, a resistência interna pode causar um revés político, não nas mesmas proporções do país do leste europeu, no que culminou na anexação da Crimeia, em 2014, após tentativas ucranianas de se aproximar da UE.

A existência de um sentimento antieuropeu no continente pode ser uma “trava” para possíveis interesses do país em ingressar na organização. Ainda assim, Estados mais pobres do continente, como é o caso da Macedônia, não tendem a observar essas alianças como negativas, em um primeiro momento, o que facilitaria a ação do Governo em empregar suas pautas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1BandeiraMapa da Macedônia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Flag_map_of_the_Republic_of_Macedonia.svg

Imagem 2República da Macedônia e Macedônia Grega” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:The_Republic_of_Macedonia_and_the_wider_region_of_Macedonia.png

Imagem 3Sobranie Assembleia da Macedônia” (Fonte):

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Sobranie_-_the_Macedonian_Assembly.JPG

Matheus Mendes - Colaborador Voluntário

Bacharel em Defesa e Gestão Estratégica Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Estudos Marítimos da Escola de Guerra Naval (PPGEM/EGN). É pesquisador do Núcleo de Avaliação da Conjuntura, participando da produção do Boletim Geocorrente, ambos da mesma instituição. Suas principais áreas de interesse envolvem as políticas de Defesa do Reino Unido, com enfoque na Marinha; Brexit e movimentos separatistas europeus; questões marítimas globais; e Geopolítica.

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