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Macri inicia articulações para encaminhar reformas econômicas

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No dia 30 de outubro, segunda-feira passada, o presidente argentino Maurício Macri se reuniu com lideranças locais e nacionais para angariar apoio às reformas econômicas defendidas por seu governo e para fomentar um consenso básico com diversos setores da economia e da sociedade.

O encontro ocorreu pouco tempo depois das eleições legislativas de 22 de outubro, quando a aliança Cambiemos aumentou sua representação no Parlamento. No pleito, Esteban Bullrich, aliado do governo, ficou em primeiro lugar na disputa pelas três vagas de Senador pela Província de Buenos Aires, recebendo mais votos que a ex-presidente Cristina Kirchner.

Lideranças comparecem a ato chamado por Macri para gerar consensos nacionais

Compareceram à reunião governadores, líderes parlamentares, acadêmicos, empresários, sindicalistas, juízes e uma comitiva do Fundo Monetário Internacional (FMI). O Presidente abordou as reformas fiscal, trabalhista, eleitoral, e da aposentadoria que pretende realizar. Declarou que as reformas são necessárias para que o Estado gaste menos, evitando o endividamento e a inflação. Argumentou ainda que as dificuldades econômicas pelas quais a Argentina passa são consequência da má gestão do governo precedente.

Macri também declarou que seu Ministro do Trabalho, Jorge Triaca, vem trabalhando com a Confederação Nacional do Trabalho (CGT) e proporá mudanças na legislação para facilitar os contratos temporários, ou por produção, e ampliar os dias de licença paternidade. O Presidente criticou a atuação dos juízes trabalhistas, afirmando ser um empecilho à geração de empregos, e declarou ser necessário exportar mais para criar novas vagas de trabalho e impulsionar o crescimento econômico. Também criticou a quantidade de empregos públicos, os salários do judiciário, o número de sindicatos e de organizações sociais que recebem auxílios do governo.

A reunião de Macri mostra que o Presidente busca construir amparo em relação às reformas, conseguir adesão de setores peronistas, e evitar a perda de apoio em consequência da adoção de medidas impopulares e ajustes fiscais, prometendo realizá-los de forma gradual. Nesse sentido, o Chefe de Gabinete, Marcos Peña, declarou que a reforma da Previdência será discutida nos próximos três anos. Assim, o governo pretende que haja continuidade mesmo após as eleições presidenciais em 2019.

De qualquer forma, as reformas dificilmente serão implementadas sem resistência. Diversas organizações sociais se mobilizaram no dia da reunião contra as medidas propostas pelo Governo central. Entretanto, foram impedidas de entrar ou aproximar-se do Centro Cultural Kirchner, onde ocorria o encontro. Na concepção de tais organizações, as medidas propostas por Macri são prejudiciais às classes mais baixas e a proposta de gerar um “consenso nacional”, presente na reunião, os excluiu. Os líderes prometeram continuar mobilizados com vistas a dificultar as reformas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Maurício Macri discursa no Centro Cultural Kirchner” (Fonte):

http://www.casarosada.gob.ar/slider-principal/41080-cck

Imagem 2Lideranças comparecem a ato chamado por Macri para gerar consensos nacionais” (Fonte):

http://www.casarosada.gob.ar/slider-principal/41080-cck

Livia Milani - Colaboradora Voluntária

Mestre e doutoranda em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais "San Tiago Dantas" (UNESP,UNICAMP, PUC-SP) e graduada em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista - UNESP. Participa do Grupo de Estudos em Defesa e Segurança Internacional (GEDES/UNESP). Pesquisa principalmente nos seguintes temas: Segurança Regional, Política Externa, Integração Regional, Relações Brasil-Argentina, cooperação em Defesa na América do Sul, Relações Inter-americanas.

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