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[:pt]Made in China 2025: mudanças na indústria e foco na produção de tecnologia[:]

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A estratégia Made in China 2025 é o primeiro passo de uma série de três planos econômicos que visam tornar a China uma das maiores nações produtoras de tecnologia industrial e inovação até 2049, ano que tem aparecido de forma recorrente nos planejamentos estratégicos do país, pois simboliza o centenário do Governo do Partido Comunista. A estratégia pretende incrementar toda a cadeia produtiva nacional, apresentando objetivos em indústrias específicas, tais como: tecnologia da informação e internet; navios e equipamentos marítimos; equipamentos de transporte rodoviário; desenvolvimento de baterias e veículos ligados a tecnologias sustentáveis; equipamentos agrícolas; novos materiais; biofármacos; tecnologia aeroespacial e aeronáutica; máquinas automotivas e robótica.

Um dos aspectos mais importantes da estratégia consiste na produção doméstica de partes e componentes de alto valor agregado, aumentando a porcentagem do conteúdo nacional utilizado nos produtos tecnológicos para 40% dos componentes até o ano de 2020, chegando ao marco de 70% dos componentes criados através de manufaturas chinesas até o ano de 2025, com critérios e indicadores específicos para se medir os avanços nos diferentes setores industriais abordados.

Existem definições acerca do envolvimento estatal, porém com espaço para atuação de empresas do setor privado. Uma série de projetos coordenados pelas diferentes províncias e regiões já foram elaborados e espera-se que a fase de execução comece ainda neste segundo semestre do ano de 2016.

Apesar do crescimento moderado do PIB chinês, se comparado à trajetória dos últimos anos, o setor industrial do país vem apresentando sinais de dinamismo. O lucro das maiores empresas industriais da China registrou um crescimento de 6,2% no primeiro semestre de 2016, sendo que, no setor de eletrônicos, o aumento dos lucros chegou a 15%, em comparação com o mesmo período do ano passado (2015). O setor de manufaturas de alta tecnologia registrou um crescimento de 10,2% em sua produção, em relação ao mesmo período de 2015, tendo crescido em ritmo mais elevado do que o resto da indústria do país.

O progresso da propriedade intelectual é um fator representativo da reestruturação rumo ao maior desenvolvimento de tecnologia. A China vem liderando o ranking mundial de pedidos de patentes há cinco anos, contando com cerca de 1,1 milhão de pedidos em 2015, excedendo a soma do que foi depositado no Japão e nos Estados Unidos no mesmo período.

Grandes projetos tecnológicos, já em execução ou mesmo em fase de finalização, permitem visualizar alguns dos avanços intentados pela estratégia Made in China 2025. Alguns exemplos emblemáticos incluem: o Supertelescópio Esférico Aperture, que possui 500 metros de diâmetro; o programa espacial chinês, que pretende aterrissar uma sonda espacial em Marte, até o ano de 2021; além da construção de um acelerador de partículas, previsto para o ano de 2028, cuja extensão será quase o dobro do maior acelerador de partículas atualmente existente, que fica localizado na Europa.

Em um aspecto mais amplo, a reestruturação econômica enfrentará desafios, sobretudo no que diz respeito a aspectos sociais e demográficos. Estimativas apontam que o número de pessoas com idade superior a 60 anos na China aumentará de 200 milhões (dados do ano de 2015) para 300 milhões de pessoas até o ano de 2030, havendo, concomitantemente, uma previsão de queda na população economicamente ativa, sobretudo na faixa de jovens entre 20 a 24 anos. Em uma economia com elevado grau de planejamento, estes fatores podem influenciar no sucesso da trajetória de reestruturação e modernização do país. A China deve continuar aumentando o investimento em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias, elevando ao mesmo tempo os investimentos na qualificação de sua mão de obra.

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Imagem (Fonte):

https://41.media.tumblr.com/b44935d10fc04c5d1e3f11957d1c824d/tumblr_nnl826dnB81qjvnc4o3_1280.jpg

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Ricardo Kotz - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na linha de Economia Política Internacional. Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2015.

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