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Maduro reuniu-se com Putin no Brasil para assinar acordos e propor alianças

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Nesta quarta-feira, dia 16 de julho, o presidente venezuelano Nicolás Maduro encontrou-se com o presidente russo Vladimir Putin em reunião paralela a VI Cúpula do BRICS. Foi divulgado na imprensa que ficou acertada a abertura de uma linha de crédito pela Rússia para a Venezuela, sem divulgar valores, mas que se especula que gira em torno de 2 bilhões de dólares para a extensão das relações comerciais entre os dois países[1]. A ministra venezuelana da comunicação Delcy Rodríguez informou em sua conta no Twiter: “Rusia aprobó nueva línea de crédito a Venezuela. (…) ambos mandatarios resaltaron el avance de las relaciones energéticas y se concretaron nuevas inversiones petroleras rusas en Venezuela[2].

Maduro deslocou-se ao Brasil para participar também da reunião entre o grupo que compõe o BRICS e grupos os regionais latino-americanos União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e Comunidade dos Estados Latino-Americanos e do Caribe (Celac), para fortalecer parcerias, além de realizar encontros bilaterais também com as autoridades da China, África do Sul e da Colômbia.

Analista avaliam que, da perspectiva de Maduro, a possibilidade de uma ação conjunta entre esses grupos pode ser uma saída para a situação em que se encontra o Governo venezuelano, mas, para além dos interesses desse Governo, também para todos os bolivarianos na região, cujos modelos político e econômico estão sob questionamento nas suas respectivas sociedades, apesar de Maduro apontar que as vantagens serão conseguidas para os sul-americanos como um todo.

Afirmou: “Sin lugar a dudas, la reunión entre BRICS y Unasur es de carácter histórico, un bloque sudamericano que va encontrando su propio camino en lo económico, en lo cultural, en lo político, en lo territorial, en la identidad sudamericana [se encontrando com as] cinco naciones emergentes más importantes en este momento[3].

Ou seja, o venezuelano levanta a possibilidade de uma ação comum no sistema internacional, no seu entendimento benéfico para todo o continente, certamente contra as grandes potências internacionais, reivindicando voz ativa e confrontando diretamente os demais organismos financeiros que existem, já que aposta na possibilidade de que tanto o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD, que será o Banco do BRICS), quanto o fundo de reservas do BRICS serão usados para financiar os demais países em desenvolvimento no mundo, complementando ou substituindo o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM).

Nesse sentido, Maduro propôs uma “Aliança de Trabalho” acreditando que realmente são complementares as economias dos países envolvidos, bem como que haverá apoio automático entre eles, ou que não ocorrerá concorrência, mas apenas auxilio mútuo, a partir da perspectiva compartilhada de que deve ocorrer um reordenamento das relações internacionais. Mais ainda, é possível pensar que ele chega a acreditar que o modelo e econômico que Rússia, Índia e China querem construir definitivamente nos seus respectivos países são semelhantes aos dos bolivarianos.

Declarou: “Ha nacido una poderosa forma de acción (…) comienza a verse la cara de una nueva alianza, de una nueva geopolítica mundial, de una nueva alianza que ahora es para el desarrollo y la paz [propondo uma aliança de trabalho entre o Banco do Sul e o do BRICS que está a se constituir, pois] Tienen el mismo objetivo: la construcción de una nueva arquitectura financiera que beneficie el desarrollo económico en condiciones de equidad para nuestros países, donde se acabe el capital especulativo financiero que saquea a nuestras economías y comience a promoverse la inversión productiva (…) una alianza de ganar y ganar, de los que en el pasado fuimos países dominados y ahora somos países y bloques emergentes[4].

Analistas apontam que a perspectiva do questionamento da condução da política internacional contemporânea é compartilhada pelos países que estiveram reunidos, mas por motivos diversos e, especialmente no caso da Rússia, este Estado vem sendo empurrado a procurar apoio internacional nos mais variados pontos do sistema, razão pela qual tem de buscar alguns pontos de apoio na região latino-americana, onde EUA e europeus tem grandes antagonistas.

Na questão dos créditos concedidos pelos russos aos venezuelanos, afirmam os observadores que este estão dentro da lógica de um conjunto de acordos comerciais que já havia entre os dois países e apenas foram reforçados em face do atual cenário em que a Europa e os EUA vem pressionando a Rússia graças à Crise da Ucrânia, que está sendo usada como justificativa para acelerar o avanço da União Europeia e da OTAN em direção ao leste, algo que, no entanto, vem ocorrendo ao longo da década e meia e não apenas neste momento, embora seu ápice recente seja o problema ucraniano.

Nesse sentido, apontam que uma possível evolução intensa dos contatos e parcerias entre  bolivarianos e latinos com os membros do BRICS, com destaque para China* e principalmente com a Rússia, pode ser entendida como um efeito colateral das políticas externas dos norte-americanos e dos europeus que estão tentando conter a China, mas sobretudo isolar a Rússia e, por isso,  acabarão gerando uma nova versão de guerra fria e bipolaridade (agora de blocos e não mais de duas superpotências), mesmo que tanto Rússia como China queiram integra-se ao Ocidente, apesar de estarem pedindo tempo para realizarem cada uma a seu modo os processos de modernização de suas economias e de seus sistemas políticos, mas, que, por razões especificas do Ocidente, tem sido levadas a procurar construir um sólido grupo antagônico aos ocidentais para sobreviverem e manterem seus avanços econômicos, políticos e reporem seus progressos diplomáticos.

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* Que também está em reunião com membros do Celac e em reuniões bilaterais com os latino-americanos.

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Imagem (Fonte):

http://venezuelanalysis.com/files/imagecache/images_set/images/2013/07/1017652_10151444868196179_508776699_n.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://socialistasn.blogspot.com.br/2014/07/el-presidente-nicolas-maduro-y-el.html

Ver também #VIDEO | Presidente Nicolás Maduro se reunió con su homólogo Vladimir Putin”:

http://www.socialismo21.org/2014/07/17/vtvcanal8/video-presidente-nicolas-maduro-se-reunio-con-su-homologo-vladimir-putin/

[2] Ver:

http://www.notitarde.com/Internacional/Rusia-aprobo-linea-de-credito-a-Venezuela/2014/07/16/339472

[3] Ver:

http://www.notitarde.com/Pais/Nicolas-Maduro-participara-hoy-en-la-Cumbre-Brics/2014/07/16/339345

[4] Ver:

http://www.noticias24.com/venezuela/noticia/246738/maduro-afirma-que-la-cumbre-brics-unasur-marca-el-nuevo-tiempo-del-siglo-xxi/

Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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