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Manifestações ameaçam a estabilidade política na Tailândia

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Uma onda de manifestações vem tomando conta das ruas de Bangkog, capital da Tailândia, desde o início de novembro, e ameaça seriamente a estabilidade política do país. A onda de protestos teve começo em 1o de novembro de 2013, por conta da polêmica aprovação de uma Lei que anistia os responsáveis por crimes políticos perpetrados entre anos 2004 e 2013, incluindo o ex-primeiroministro Thaksin Shinawatra (2001-2006).

Ele é acusado de diversos crimes, como aquisição ilegal de terras e abusos aos direitos humanos por conta de sua guerra contra as drogas, dentre outras acusações. Por estes crimes ele foi condenado a dois anos de prisão pela “Corte Suprema” do país. Thaksin vive em exílio na Inglaterra onde foi dono do popular time de futebolManchester City[1].

A lei que anistiou Thaksin e outros políticos chocou o país não só por sua aprovação em si, mas, principalmente, pela forma como foi aprovada. O Parlamento aprovou a Lei com 310 votos a favor e nenhum contra. Simpatizantes do movimento “Frente Unida pela Democracia Contra a Ditadura”, conhecidos também como “Camisas Vermelhas”, que lideraram as manifestações contra Thaksin, sentiram-se traídos pelos congressistas e iniciaram massivas manifestações por toda Bangkok. Os “Camisas Vermelhas” acusam o governo de ser manipulado por Thaksin[2]. No entanto, a chegada de simpatizantes de outros grupos políticos, como o “Aliança Popular Democrática”, ou os “Camisas Amarelas”, criou um cenário inusitado nos protestos.

Embora seja o principal responsável pelas manifestações contra o governo, os “Camisas Vermelhas” querem que seja formado um novo Gabinete mas que este esteja sob a liderança da atual coalizão liderada pelo “Pheu Thai Party (algo como: “Partido para os Tailandeses”).

A contradição se dá pelo fato dos “Camisas Amarelas”, embora simpáticos a eliminação da influência de Thaksin na vida política do país, serem opositores do atual partido do governo e pedirem a renúncia do Gabinete inteiro, além do estabelecimento de um novo, sob comando de simpatizantes do movimento. Ou seja, ambos são contra a anistia mas divergem sobre o estabelecimento de um novo Gabinete. Em alguns locais essas diferenças têm levado a choques entre os dois grupos[3].

As contradições das ruas estão conectadas pelo próprio cenário político. Pressionado pelas manifestações, o Senado rejeitou a Lei aprovada pelaCâmara dos Deputadostambém por um placar unânime de 141 votos a favor e zero contra, fazendo com que aLei de Anistiavoltasse para a Câmara para uma nova votação no prazo de 180 dias.

A atual primeira-ministra Yingluck Shinawatra do “Pheu Thai Party e irmã de Thaksin, se vê agora num dilema. Ela precisa decidir se usará a sua influência para aprovar a Lei que anistia o irmão e, assim, permitir a sua volta ao país, ou se irá permanecer neutra, mantendo o suporte dos “Camisas Vermelhas” e aumentando suas chances de continuar no cargo[4].

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Imagem Manifestante durante os protestos que tomaram conta das ruas de Bangkok nas últimas semanas” (Fonte):

http://www.windsorstar.com/news/Thailands+Senate+meets+amid+tight+security+vote+amnesty+bill/9150075/story.html

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Fontes consultadas:

[1] VerThailand’s amnesty bill revives national tensions”:

http://www.eastasiaforum.org/2013/11/28/thailands-amnesty-bill-revives-national-tensions/

[2] ibid.

[3] VerProtesters and red-shirts clash in Samut Prakan”:

http://www.bangkokpost.com/news/politics/382323/red-shirts-and-anti-government-protesters-clash-in-samut-prakan

[4] VerThailand Senate rejects controversial amnesty bill”:

http://www.bbc.co.uk/news/world-asia-24903958

Moisés Lopes de Souza - Colaborador Voluntário Sênior

Graduado em Relações Internacionais pelas Faculdades Integradas Rio Branco. Doutorando em Estudos de Ásia-Pácifico no Doctoral Program in Asia-Pacific Studies (IDAS) da National Chengchi University (Taiwan). Pesquisador Associado do Center for Latin America Trade and Economy, Chihlee Institute of Technology.

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