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Manifestantes no Quênia clamam à empresa chinesa por mais empregos

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O crescente investimento chinês nos países africanos levanta um debate em torno dos reais benefícios transmitidos aos cidadãos africanos. Se por um lado especialistas advogam a favor da presença chinesa, alegando que ela gera um aumento da produtividade e da renda do trabalhador africano[1], outros acreditam que, na maioria das vezes, empresários chineses privilegiam o emprego de compatriotas ao invés da população local[1].

Há um expressivo contingente populacional chinês presente na África: um quarto dos chineses que trabalham fora de seu país está na África[1]; além disso, ano passado, mais de 210 mil chineses desembarcaram na África, montante 18% maior que o de 2012[1]. Animados pelas crescentes oportunidades advindas da significativa expansão econômica dos últimos anos, chineses direcionam-se ao continente para, principalmente, supervisar obras e orientar a mão de obra local[2].

Segundo alguns especialistas, esta presença da mão de obra chinesa é essencial para que a produção seja levada a cabo, uma vez que eles possuem o know-how necessário para a execução das atividades. Além disso, pesquisadores alegam também que o trabalhador chinês é mais produtivo que o trabalhador africano[1][2].

Contudo, há casos em que a mão de obra chinesa é empregada em situações onde africanos seriam totalmente aptos para a execução das atividades[3]. Em Angola e Zimbábue, por exemplo, há casos onde trabalhadores chineses ocuparam posições, como a de motoristas de caminhão, que seriam, a princípio, delegadas aos cidadãos locais[4].

Claramente descontentes com estes casos, reivindicações comumente ocorrem ao redor do continente africano. Na sexta-feira passada (dia 3 de outubro), na cidade de Voi, no Quênia, um grupo de manifestantes fechou a rodovia que liga o porto de Mombassa a outras cidades do interior, como Nairóbi[4]. O porto de Mombassa é um dos principais portos na África Oriental e por ali ocorre o escoamento dos principais produtos de exportação do Quênia, como chá e frutas.

Segundo autoridades locais, os manifestantes demandavam maior número de empregos a uma empresa chinesa – a “China Road and Bridge Construction Company” – que opera a construção de uma ferrovia local[4]. A princípio, convencionou-se que cerca de 30 mil quenianos seriam empregados, sendo que apenas algumas centenas de chineses seriam contratados para a supervisão das obras. Contudo, autoridades locais alegam que esta empresa não entregou o número de empregos prometidos à população local, tendo concedido significativa parte deles à trabalhadores chineses[4].

Este protesto em Voi ilustra que há a probabilidade de que a crescente internacionalização das economias africanas e o aumento do investimento estrangeiro direto traga, de forma parcial, o desenvolvimento esperado. Para os índices de produtividade e de renda realmente melhorarem, torna-se necessária a adoção de estratégias inclusivas, que garantam a participação dos trabalhadores africanos nos grandes projetos industriais e de infraestrutura.

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Imagem (FonteJamii Forums):

www.jamiiforums.com

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Fontes Consultadas:

[1] VerThe Wall Street Journal”:

http://online.wsj.com/news/articles/SB10001424052702304788404579519631654112594

[2] VerCS Monitor”:

http://www.csmonitor.com/World/Africa/2013/0904/As-Africa-welcomes-more-Chinese-migrants-a-new-wariness-sets-in

[3] VerChina in Africa”:

http://www.chinaafricarealstory.com/p/chinese-workers-in-africa-anecdotes.html

[4] VerAgência Reuters”:

http://www.reuters.com/article/2014/10/03/us-kenya-protests-road-idUSKCN0HS0YH20141003

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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