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Manutenção do conflito prenuncia uma incontrolável tragédia humanitária na Síria

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O conflito sírio arrasta-se por cerca de dois anos e permanece sem solução diante do impasse político-militar entre os rebeldes e o governo do presidente Bashar Al Assad. O mandatário e suas forças mantêm um firme controle sobre a capital Damasco, mas os rebeldes já dominam várias regiões do interior do país gerando um empate técnico entre as forças em combate, ainda que o Exército sírio esteja  melhor equipado e coordenado. Como resultado mais imediato do confronto, grupos de direitos humanos calculam que o conflito já resultou em mais de 70.000 mortes[1].

Em decorrência desse cenário, o correspondente da BBC para assuntos de segurança, Jonathan Marcus, afirmou: “Em que pese o embargo contra o fornecimento de armas para a Síria, Reino Unido e França já planejam oferecer armas aos insurgentes”[1].

Para os observadores, o que mais preocupa no conflito é que ele está se convertendo numa situação sem saída onde nenhuma das partes tem possibilidade de vitória e sua espiral de violência está produzindo uma grande catástrofe humanitária.

Os milhares de mortos, os milhões de refugiados e deslocados internos sírios bem como o nefasto impacto regional com consequências imprevisíveis para os países fronteiriços traçam o real perfil desse conflito, existindo ainda uma acentuada preocupação de que o mesmo se estenda aos países vizinhos e envolva Turquia, Líbano, Irã, Arábia Saudita e possivelmente Israel, podendo gerar um desequilíbrio regional capaz de afetar a totalidade do sistema internacional.

Atualmente, o governo iraniano é a maior fonte de amparo ao regime de Al Assad e supostamente lhe fornece armas e outros suprimentos, violando as sanções impostas pela “Organização das Nações Unidas” (ONU)[1]. Os iranianos ainda apóiam o movimento muçulmano xiita Hezbollah, o qual exerce forte influência na política libanesa e é também outro apoiador do governo sírio.

Por outro lado, a Arábia Saudita, cujos dirigentes são predominantemente muçulmanos sunitas, posiciona-se contra o governo Assad, cuja elite dirigente é alauíta*,apesar da maioria da população síria ser sunita, o que imprime ao conflito um vetor religioso de difícil controle. Segundo a BBC[1], os  sauditas e outras monarquias do “Golfo Pérsico” têm abastecido os rebeldes com auxílio financeiro, logístico e armas.

O isolamento do atual governo sírio tem crescido, na mesma medida em que os rebeldes ganham amparo na “Comunidade Internacional”. Um exemplo deste isolamento foi o fato de a Síria ter sido representada pelos rebeldes na última cúpula da “Liga Árabe” realizada na semana passada, em Doha, no Catar[2]. No entanto, isto não significa que surge no cenário uma solução em curto prazo para a crise que o país vive.

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* Grupo islâmico com características próprias, mas que se considera xiita.

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Imagem (Fonte):

https://www.voltairenet.org/local/cache-vignettes/L400xH271/arton176452-d5fef.gif

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/03/130315_siria_2anos_bg.shtml

[2] Ver:

http://internacional.elpais.com/internacional/2013/03/26/actualidad/1364289328_671884.html

Tags:
Marcos Aurélio Reis - Colaborador Voluntário

Doutorando em Estudos Estratégicos Internacionais (UFRGS-RS), Mestre em Relações Internacionais (UFF-RJ), Especialista em História das Relações Internacionais pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e Graduado em Ciências Sociais e Jurídicas pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Também possui graduação em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) e especialização em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado Maior do Exército. É professor universitário da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) em Relações Internacionais e atua nas áreas de Política e Segurança Internacional.

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