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Medidas concretas realizadas na disputa comercial entre China e Estados Unidos

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Após meses de tensão nas relações bilaterais entre Estados Unidos (EUA) e China, o presidente norte-americano Donald Trump cumpriu com uma de suas principais promessas de campanha: o endurecimento da posição do país no comércio com a China. Inicialmente, os EUA impuseram tarifas de 25% sobre a importação do aço e 10% sobre a importação do alumínio. A China respondeu mediante a imposição de tarifas para a importação de alumínio, carne de porco, frutas e outros bens provenientes dos EUA.

Gráfico demonstrando o comércio entre China e Estados Unidos

No segundo round da disputa, os norte-americanos impuseram tarifas de 25% sobre a importação de 11.102 produtos chineses do gênero de máquinas e diversos bens intermediários, totalizando uma perda de US$ 46.3 bilhões no comércio bilateral. Por sua vez, a China respondeu taxando os alimentos e produtos agrícolas oriundos dos EUA, ocasionando uma perda estimada de US$ 50 bilhões para a economia norte-americana. Estas medidas serão implementadas oficialmente no dia 6 de julho (2018).

Os consumidores de ambos os países serão os principais prejudicados por estes movimentos. Visto que a economia mundial está organizada através de cadeias globais, nas quais os produtos passam por diferentes etapas de processamento através de várias fronteiras nacionais, a elevação de tarifas poderá promover distorções de comércio que produzam prejuízos sistêmicos. Adicionalmente, estimativas apontam que mais de 312.000 empregos poderão ser negativamente afetados na economia doméstica dos EUA.

Território da China sobreposto sobre o mapa mundi

Somando esta difícil conjuntura à possibilidade de elevação da taxa básica de juros nos Estados Unidos, produz-se um sinal de alerta para os países em desenvolvimento. O aumento das taxas de juros nas economias desenvolvidas tende a provocar a fuga de investimentos em economias emergentes. A escalada de medidas protecionistas recíprocas entre as duas maiores economias do mundo tende, nesse sentido, a provocar perdas para o conjunto da economia global.

Recentemente, o presidente Donald Trump anunciou tarifas adicionais totalizando um valor de US$ 200 bilhões, além de restrições à entrada de investimentos chineses. As restrições aos investimentos, que provavelmente serão impostas pelos EUA à aquisição de empresas de tecnologia do seu país, serão o golpe mais significativo realizado na disputa comercial até o momento. As disputas comerciais poderão afetar negativamente a atuação internacional das empresas destes setores. O contexto mais amplo do conflito (geo)econômico e geopolítico entre os dois gigantes reside no controle e desenvolvimento de tecnologias como a inteligência artificial e a robótica avançada.

Por fim, a China anunciou a redução de tarifas sobre a importação de 8.549 produtos oriundos da Índia, Coréia do Sul, Bangladesh, Laos e Sri Lanka. A lista inclui produtos químicos, commodities agrícolas, medicamentos, roupas e vestuário, além de aço e alumínio. O movimento estratégico serve como uma medida que atua indiretamente contra a competitividade dos produtos norte-americanos, simultaneamente promovendo o adensamento do comércio regional.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro entre os mandatários da China e dos Estados Unidos” (Fonte):

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:President_Trump_with_President_Xi,_April_2017.jpg

Imagem 2 Gráfico demonstrando o comércio entre China e Estados Unidos” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:China_USA_trade.png

Imagem 3 Território da China sobreposto sobre o mapa mundi” (Fonte):

https://pixabay.com/pt/china-mapa-china-mapa-%C3%A1sia-pa%C3%ADs-2965333/

Ricardo Kotz - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na linha de Economia Política Internacional. Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2015.

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