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Paralelamente à reunião do “G-8” os líderes ocidentais acordaram que a “Federação Russa”, por intermédio de seu Presidente, Dmitri Medvedev, será a mediadora da crise na Líbia visando encerrar a uma saída política para a situação que o país se encontra.

 

Os mandatários que solicitaram a ação foram Barack Obama (EUA) e Nicolas Sarkozy (França), não recebendo adesão imediata de David Cameron (Grã-Bretanha) e apenas o aceno positivo de Ângela Merkel (Alemanha), mas tendo a concordância dos demais: Itália, Canadá e Japão.

De qualquer forma, ficou acertado que os russos executarão a tarefa de buscar a saída para o encerramento da crise, uma vez que o governo da Rússia concorda com a perda da legitimidade de Kadhaffi, algo que equivale à exigência do seu imediato afastamento, a principal solicitação dos rebeldes, europeus, norte-americanos e demais democracias do globo.

Observadores estão apontando que muitas variáveis estão em jogo nesta negociação e aceitação dos russos para serem os atuais mediadores da Crise: (1) a questão das relações entre a Rússia e os europeus; (2) as negociações paralelas que estão sendo feitas entre Obama e Medvedev para solucionar os problemas acerca da instalação do escudo antimísseis na Europa, já que a continuidade do programa estava gerando novo endurecimento dos diálogos entre Rússia e EUA; (3) as negociações de Moscou com a OTAN, que está sendo extremamente criticada por Moscou pela sua ação na Líbia e necessita redefinir seu papel e inimigos, afinal, ela foi criada para confrontar a antiga “União Soviética”; (4) a recuperação do espaço que a Rússia ocupa na Líbia, com intenso e significativo comércio de armamentos, algo afetado pela ação das grandes potências; (5) a aposta de que serão aceitas suas exigências contra qualquer ação direta do Ocidente na Síria, já que os russos tem interesse neste Estado, no que representa o mandatário deste país para o equilíbrio regional e, principalmente, em impedir mais avanços das grandes potências numa área que afeta diretamente sua “zona de influência” e (6) a expansão dos interesses russos na África, correndo atrás do espaço que precisam ocupar para ficar próximos do status de outros Estados, em especial dos emergentes China e Índia, que estão fazendo grandes investimentos neste continente.

Medvedev afirmou que Kadhaffi tem de sair, mas que a solução deverá ser essencialmente política e não militar. Declarou: “Se leram a declaração da cimeira, lá está escrito que o regime de Kadhafi perdeu a legitimidade, que deve sair. Isso foi aprovado por unanimidade”, concordância com a exigência dos rebeldes, dos europeus e dos estadunidenses. “A Rússia está interessada na conservação da Líbia como Estado independente, livre e soberano”, ponto crucial para que mantenha as intensas relações comerciais com a Líbia e não permita o avanço de outros produtores de armamentos ou negociadores econômicos após a queda do regime atual. Vários analistas apontaram que o conflito se mostrou uma grande vitrine de armamentos nas três primeiras semanas de ação da OTAN.

Mostrando que a tarefa será encampada pelo seu governo, antecipou: “Para podermos utilizar melhor os contatos existentes entre a Rússia e Benghazi, por um lado, e Trípoli, por outro, decidi enviar a Benghazi o meu representante especial para África (o assessor para os “Assuntos Africanos”, Mikhail Marguelov). Por enquanto, considero que seria correto enviá-lo a Benghazi. Quanto a Trípoli, aí a situação é mais complexa mas, em qualquer caso, espero que tenha possibilidade de conversar tanto com a oposição, com as novas forças políticas, como com representantes da anterior direção”.

A situação, contudo é complexa. Medvedev acatou a saída do mandatário líbio e declarou que recusará aceitá-lo como exilado. Afirmou: “Penso que a saída de Kadhafi não tem significado substancial. Mas se ocorrer, será últil para o país, iremos discutir o que fazer. A comunidade mundial não o vê como dirigente da Líbia. É preciso discutir que país concederá refúgio a Kadhafi caso se demita”. Ou seja, está aberta a questão do que ocorrerá com o atual líder da Líbia após sua queda.

Os países da “União Africana” acataram positivamente a mediação russa e mostraram que apoiarão Medvedev, mesmo porque o discurso dos russos esteve em consonância com o temor dos africanos acerca das ações do Ocidente na África, em especial neste momento em que os países muçulmanos estão em ebulição. Ainda assim, a questão do que será feito com Kadhaffi poderá dificultar o processo. Ele já foi denunciado em “Tribunal Internacional”, sendo mais uma variável do complexo processo que os russos tem pela frente nesta mediação que resolveram abraçar.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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