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Megaeventos esportivos e Democracia em rota de colisão

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Há algum tempo que os megaeventos esportivos vêm exigindo dos países e/ou cidades que se propõem a sediá-los esforços quase que hercúleos para sua perfeita realização. Sem embargo, pode-se falar sobre a existência de um regime internacional dos megaeventos esportivos, haja vista que estes impõem inúmeros condicionantes às sedes e, não obstante, também contribuem para relativização da soberania dos países-sedes, os quais devem, obrigatoriamente, se adequar, respeitar e cumprir as determinações impostas pelas organizações esportivas internacionais – FIFA e COI – caso queiram sediar tais eventos.

Outrossim, tem-se constatado que, quanto maior o nível de desenvolvimento econômico, político e social de um país, menor será a ingerência externa das organizações esportivas internacionais nas leis deste. Isso é observado ao se analisar e comparar a atuação da FIFA, por conta da realização da “Copa do Mundo FIFA”, nas edições de 2006 e 2010, executadas na Alemanha e na “África do Sul”, respectivamente, e, principalmente, a “Copa do Mundo de 2014”, a ser realizada no Brasil.

Tendo em vista esta conjuntura, após a realização de um plebiscito, cujo resultado foi conhecido no último dia 10, os cidadãos de Munique (Alemanha) rejeitaram a ideia de uma candidatura da cidade para sediar osJogos Olímpicos de Inverno de 2022”. Segundo os cidadãos, enquanto a sede disponibiliza recursos e promove altos gastos, o COI obtém apenas lucros. Desta forma, a maioria dos habitantes de Munique e das localidades de Traunstein, Berchtesgaden e Garmisch-Partenkirchen, que receberiam algumas competições, foi contrária à candidatura às Olimpíadas, sendo de caráter unânime a recusa à mesma, resultado este que desagradou o secretário-geral daFederação Alemã de Esportes Olímpicos”, Michael Vesper.

Assim, de acordo com reportagem publicada no periódico “Deutsche Welle” (DW), a recusa de Munique se relacionou, primordialmente, aos custos imprevisíveis e à grande desconfiança para com o COI, que poderia vir a forçar a cidade a aceitar contratos que resultariam nas mesmas experiências anteriormente vividas por outras cidades-sede, com lucros extraordinários para o COI durante o megaevento enquanto a cidade e as comunidades vizinhas arcariam com todos os custos de organização. Em adição, o temor de alterações drásticas na paisagem local, com danos irreparáveis ao meio ambiente, já havia feito a “Associação Alemã de Hipismo” se pronunciar contra a candidatura de Munique. Por último, os moradores de Traunstein, Berchtesgaden e Garmisch-Partenkirchen temiam que o fluxo acentuado de turistas geraria caos na região, que já não atende os habituais visitantes.

O caso de Munique não foi um caso isolado. Recentemente, cidades da Suíça, França e Áustria, ao serem consultadas por intermédio de plebiscitos semelhantes, também se mostraram contra a apresentação de uma candidatura para megaeventos esportivos desta magnitude. Tem-se observado que nos países desenvolvidos e democráticos é cada vez maior a desconfiança para com o COI e a FIFA, o que leva a crer, na visão de alguns analistas internacionais, que os megaeventos esportivos tendem a ser, cada vez mais, direcionados para países de pouca tradição democrática, onde a população não pode se pronunciar sobre a aceitação do megaevento, a exemplo das “Olimpíadas de Inverno de 2014”, a ser realizada em Sochi, na Rússia; da “Copa do Mundo de 2018”, também na Rússia, e da “Copa do Mundo de 2022”, a ser realizada no Qatar.

Na opinião do ex-presidente da “Associação Atlética Alemã”, o COI deveria mostrar clara predisposição para reformar o processo de candidatura aos Jogos, tornando-o mais simples, menos oneroso e reduzindo as exigências feitas às cidades-sede, já que, de acordo com o sociólogo alemão, Helmut Dingel, seria um grande pesar para o desenvolvimento dos esportes e do espírito olímpico se o COI decidisse optar por realizar as Olimpíadas em países de pouca ou nenhuma tradição democrática.

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ImagemMunique descarta Olimpíadas” (Fonte):

http://www.dw.de/população-de-munique-envia-recado-ao-coi-ao-rejeitar-jogos-ol%C3%ADmpicos/a-17221879

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Fonte consultada:

http://www.dw.de/população-de-munique-envia-recado-ao-coi-ao-rejeitar-jogos-ol%C3%ADmpicos/a-17221879

Mario Joplin - Colaborador Voluntário

Mestre em Relações Internacionais pela UERJ, Especialista em História das Relações Internacionais e Bacharel em Ciências Econômicas pela UFRJ. Possui experiência na área de Economia, com ênfase em Economia Política Internacional e Formação Econômica Brasileira. Foi bolsista de FAPERJ por um ano e Bolsista de Vocação para Diplomacia do Instituto Rio Branco (IRBr) por 4 (quatro) anos. Áreas de interesse: Esporte e Relações Internacionais; Diplomacia Futebolística; e Soft Power e Política Externa.

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