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[:pt]Melhor prevenir do que remediar: alternativas para enfrentar desastres naturais na América Central[:]

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Frequentemente debatido nos meios humanitários, a gestão de riscos e prevenção de desastres busca minimizar os impactos dos desastres naturais, ao montar um sistema integrado de planejamento, resposta e resiliência para as comunidades atingidas. Com o intuito de pôr em prática os discursos e assimilar da melhor forma a realidade social, política, institucional e ambiental local, os agricultores da América Central criaram um mecanismo de proteção e transferência de risco que atua como seguro agrícola, voltado diretamente para aqueles que não têm acesso aos sistemas financeiros tradicionais.

Os “Fundos Mútuos de Contingência” são gerenciados por associações de produtores com o objetivo de ajudar os associados em casos de emergência e já contam com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em Honduras e Guatemala. Dessa maneira, as famílias mais vulneráveis afetadas por desastres – tais como secas, furacões, inundações e terremotos –, podem utilizar esses fundos para financiar a retomada de suas atividades ou redirecionar para outros fins, como na compra de insumos para uma nova temporada agrícola após perder a colheita, para apoiar a segurança alimentar das famílias durante uma emergência, ou para ajudar nas atividades produtivas e de comércio quando a comunidade perde fontes de renda.

Além de ser útil como uma rede de segurança diante das catástrofes naturais, os fundos também visam fortalecer o compartilhamento de boas práticas agrícolas, a geração de renda na região, o empoderamento feminino e a sustentabilidade do uso dos recursos. No âmbito das boas práticas, destacam-se aquelas que evitam as queimadas, o manejo de restolhos*, a criação de cercas vivas para delimitar os terrenos, os bancos comunitários de sementes nativas, hortas, hortícolas e métodos de purificação da água. Além disso, as associações devem desenvolver atividades geradoras de renda paralelamente, de forma a gerar renda e dar sustentabilidade.

A implantação desse sistema na América Central não é fruto do acaso. De acordo com a FAO, a região é uma das mais expostas e vulneráveis às ameaças e às mudanças climáticas no mundo. Destaca-se também a existência do corredor seco que inclui áreas da Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Costa Rica e Panamá. Por exemplo, a cada cinco ciclos de colheita dessa região, três sofrem perdas significativas.

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* Restolho é o nome dado às folhas e caules de cereais como milho e soja que são deixados nos campos após as colheitas e que podem ser utilizados para alimentar os gados ou para forragem.

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Imagem (Fonte):

https://brasil.efeagro.com/wp-content/blogs.dir/3/files_mf/cache/th_a42a72a425c164dd4407cbac84a3d92a_seca.jpg

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João Antônio dos Santos Lima - Colaborador Voluntário

Mestre em Ciência Política na Universidade Federal de Pernambuco e graduado em Relações Internacionais na Universidade Estadual da Paraíba. Tem experiência como Pesquisador no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no projeto da Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional (Cobradi). Foi representante brasileiro no Capacity-Building Programme on Learning South-South Cooperation oferecido pelo think-tank Research and Information System for Developing Countries (RIS), na Índia; digital advocate no World Humanitarian Summit; e voluntário online do Programa de Voluntariado das Nações Unidas (UNV) no projeto "Desarrollar contenido de opinión en redes sociales sobre los ODS". Atualmente, mestrando em Development Evaluation and Management na Universidade da Antuérpia (Bélgica) e Embaixador Online do UNV na Plataforma socialprotection.org.

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