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[:pt]Mercados e Instituições financeiras respondem de forma majoritariamente favorável ao Referendo turco[:]

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No último dia 16 de abril, ocorreu um Referendo na Turquia, onde a população pode escolher entre aprovar ou rejeitar uma mudança constitucional, composta de 18 Emendas, a qual foi proposta pelo partido que atualmente controla o Executivo, o AKP, Partido da Justiça e Desenvolvimento. Entre as mudanças sugeridas, centradas no aumento do poder do Executivo, estão a abolição da função de Primeiro Ministro; a substituição do sistema Parlamentar por um Presidencial; e o alinhamento temporal das eleições para a formação do Legislativo e o Executivo. O resultado foi uma vitória apertada para o “Sim”, com 51,41% dos 58,3 milhões de votos. Após as eleições de 2019, as Emendas serão incorporadas na Constituição turca.

Diversos foram os focos de contestação da consulta popular, advindos da oposição ao AKP e de países europeus. Problemas em seus procedimentos foram apontados pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, e diversas nações europeias, além de bloquearem manifestações a favor do Referendo em seus países, não reagiram formalmente ao seu resultado. Os líderes dos EUA, China e Rússia, por sua vez, parabenizaram Recep Tayyip Erdogan, fundador do AKP e atual Presidente da Turquia.

Investidores ao redor do mundo, todavia, viram o resultado da votação de maneira favorável, com a moeda turca, a Lira, subindo 0,5% em relação ao dólar e com as ações turcas tendo seus valores ligeiramente aumentados.  De acordo com John Defterios, jornalista do CNN Money, os investidores valorizaram a estabilidade política e a possibilidade de implementação das políticas econômicas propostas pelo AKP. Apesar do fraco crescimento de 2,9% do PIB em 2016, os investidores prezam a responsabilidade fiscal turca. O crescimento do PIB no último trimestre de 2016 de 3,5% também melhorou as perspectivas da economia turca.

As principais agências de avaliação de risco de crédito também sinalizaram que, caso se comprove a continuidade do governo do AKP e se mantenha a estabilidade no país, as notas atribuídas aos títulos soberanos turcos não serão modificadas. A Fitch Ratings analisou que o Referendo sinaliza uma mudança na política na Turquia que pode facilitar o renascimento de reformas econômicas positivas para a credibilidade de seus títulos. Não houve alteração na perspectiva de mudança de sua nota, ou em sua nota, BB+. Para a agência, ela é um reflexo da combinação de uma fraqueza estrutural, sinalizada na alta dependência de financiamento externo, com uma relação dívida/receitas mais baixa que a maioria dos países emergentes.

A Agência Moody’s, por sua vez, mudou a perspectiva de mudança de nota dos títulos turcos de estável para negativa. As razões principais para tal alteração foram, segundo a agência: a erosão da força institucional; as fracas perspectivas de crescimento; o aumento de pressões nas contas públicas e externas; e o risco de choque de crédito. A priorização de medidas de crescimento de curto prazo levada a cabo pelo governo do AKP também vai ao encontro da estabilidade macroeconômica do país. Entretanto, a agência não modificou a nota turca, enfatizou a força de sua economia e das políticas econômicas turcas e colocou que, caso o risco político de seu ambiente doméstico e regional diminua, a perspectiva de mudança de nota pode ser retificada para estável. Dessa forma, as instituições e mercados financeiros apontam que, caso o AKP consiga estabilizar politicamente o país e manter suas diretrizes econômicas, não irão se colocar opostos às mudanças políticas que estão ocorrendo no país.

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Imagem 1 Boletim de voto e envelope utilizados no Referendo” (Fonte Nub Cake):

https://en.wikipedia.org/wiki/Turkish_constitutional_referendum,_2017#/media/File:Turkish_constitutional_referendum_vote_and_envelope.jpg

Imagem 2Recep Tayyip Erdogan, em 2017” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Recep_Tayyip_Erdo%C4%9Fan#/media/File:Recep_Tayyip_Erdogan_2017.jpg

Imagem 3Logo da Moodys” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Moody%27s#/media/File:Moodys_logo_blue.jpg

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Livi Gerbase - Colaboradora Voluntária

Mestranda em Economia Política Internacional pela UFRJ e Bacharel em Relações Internacionais pela UFRGS. Ex-pesquisadora do Núcleo Brasileiro de Estratégia e Relações Internacionais e do Centro Brasileiro de Estudos Africanos. Atualmente é estagiária do the South-South Exchange Programme for the Research on the History of Development (SEPHIS). Se interessa por assuntos relacionados aos países em desenvolvimento e recentemente tem focado no sistema financeiro internacional.

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