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Metadata é um termo extremamente abrangente, atribuído à um conjunto de dados que se referem a outros dados, os quais, por sua vez, englobam desde perfis em redes sociais, até registros médicos, históricos online, números de chamadas telefônicas, mensagens de texto, documentos, enfim, qualquer gama de dados.

O termo ficou mais famoso principalmente em 2013, quando Edward Snowden revelou que a Agência de Segurança Nacional norte americana (NSA) estava coletando a Metadata de milhões de usuários da operadora Verizon. No entanto, representantes do Governo não perderam tempo e o próprio presidente Obama afirmou à população que as suas privacidades não estavam sendo invadidas, pois o Governo não tinha acesso ao conteúdo das falas e, portanto, ninguém esta escutando as suas conversas. Segundo foi declarado, o que de fato era monitorado eram os números na chamada (tanto o que ligava, quanto o que recebia a ligação), o local, a duração e a hora da chamada.

No entanto, um grupo de três cientistas da Stanford University, em Palo Alto, Califórnia*, começou a desenvolver um estudo a respeito do quanto a Metadata revela sobre uma pessoa, o qual foi publicado pela Proceedings of National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS).

Os autores, Jonathan Mayer, Patrick Mutchler, e John Mitchell desenvolveram um aplicativo chamado MetaPhone, que, depois de instalado em um Smartphone, e, mais importante, depois do consentimento do dono do telefone, iria começar a enviar a Metadata para os cientistas que, então, iriam analisá-la, começando a relacioná-la com outros bancos de dado.

Um grupo de 800 pessoas que instalaram o aplicativo e consentiram no envio de metadata proporcionaram 1,2 milhão de mensagens e 250 mil ligações, durante o período que o estudo foi realizado. Se o que os representantes da NSA e do Governo Norte Americano afirmam é verdade, o estudo não iria conseguir fazer relações ou revelar muito sobre o conteúdo das chamadas ou a identidade das pessoas. No entanto, o resultado foi justamente o oposto.

Foi revelado que a Metadata possibilita um mapeamento das redes de comunicação não através de um individuo ligando para outro, mas através de serviços e estabelecimentos públicos que interconectam usuários, servindo de pontos em uma vasta rede de empresas e pessoas.

Os cientistas também apontam que, ao correlacionar a Metadata com outros bancos de dados, públicos ou comerciais, foi possível mapear os números com negócios, organizações, estabelecimentos e perfis de redes sociais que revelam não só a identidade e o local dos usurários, mas também detalhes íntimos, como afiliação religiosa, histórico de saúde, rotina etc.

Sem dúvida, o estudo acrescenta muito material e expressivas contribuições ao constante debate acadêmico e midiático à respeito da privacidade dos usuários. Vale ressaltar que as implicações para as relações internacionais são significativas, a partir do momento que as gigantes de telecomunicações norte-americanas englobam usuários do mundo todo, pois, no momento em que estrangeiros utilizam os serviços de uma empresa norte-americana, como a Microsoft, ou quando um turista, durante uma viagem pelos EUA, compra um cartão SIM da Verizon para ter acesso à Internet em seu smartphone, a Metadata de ambos passa a fazer parte de um vasta trova de dados obtidos pela NSA.

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* Lar de grandes empresas de tecnologia, como a Apple e o Google e berço de diversas Startups que comercializam seus serviços e produtos no mundo todo.

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Imagem (FonteJoão Batista Neto / CC BY 3.0):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=43063497

Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

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