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[:pt]México como um dos principais clientes do mercado internacional de espionagem[:]

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Foi reportado no dia 12 de setembro de 2016, pelo jornal mexicano “Reforma”, a recém aquisição de equipamentos e softwares de espionagem e monitoramento, por parte do Governo mexicano. A Procuraduría General de la República (PGR), agência governamental responsável por delitos e investigações federais no México, gastou cerca de 15 milhões de dólares entre 2014 e 2015, adquirindo softwares da empresa israelense NSO Group. Existem registros da tecnologia sendo usada para o monitoramento de alguns ativistas e jornalistas, no México, mas ela pode ser utilizada em uma escala nacional, englobando toda a população. 

Dentre as vítimas de espionagem estão o Jornalista Rafael Cabrera, que investigou e escreveu reportagens a respeito de corrupção na alta cúpula do Governo mexicano, e o ativista Jesús Robles Maloof, representante do grupo de direitos humanos Contingente MX, que alegou ter sido ameaçado e que as suas comunicações e de sua família vinham sendo monitoradas.

Na compra relatada pelo jornal, dentre as tecnologias obtidas, estão o software “Pegasus” da NSO Group. O software, permite a interceptação de mensagens, e-mails, cliques e teclas digitadas. Em uma outra reportagem, a revista “Processo” relatou a aquisição de IMSI catchers, vendidos pelo empresa finlandesa Exfo Oy, em 2014, por parte do Governo mexicano. IMSI catchers são dispositivos móveis que se passam por torres de telefonia móvel e “enganam” os celulares em um determinado raio de alcance, que, por sua vez, fornecem todo tipo de informação a respeito de chamadas sendo realizadas, localização no GPS, entre outras.

Além do software da empresa Israelense NSO Group, o grupo de ativistas de direitos digitais, Citizen Lab, da Munk School of Global Affairs, na Universidade de Toronto, detectou que o Governo Mexicano adquiriu e utilizou softwares e tecnologias da empresa FinFisher, de origem britânica, e amplamente utilizada no Oriente Médio. Em 2015, foi reportada a compra no valor de 6 milhões de Euros do programa Remote Control System (RCS), que, além de obter os contatos e conteúdos das comunicações, permite a ativação remota de microfones e câmeras do dispositivo infectado; o malware, foi comprado da empresa Hacking team, de origem italiana e fortemente presente na América Latina, onde o México é um de seus principais compradores, seguido por Colômbia, Chile, Panamá, Equador, Honduras e Brasil.

Juntas, as três empresas representam os principais fornecedores de softwares e tecnologias de espionagem e monitoramento que vem atuando e expandindo sua carteira de clientes em um mercado praticamente sem regulação. Decorrente do medo de ataques terroristas, e pressões para o aumento da vigilância, esse mercado vêm se expandindo globalmente. O Governo mexicano se negou a declarar informações a respeito de como e para quem essas tecnologias serão utilizadas.

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ImagemCâmeras de Segurança” (Fonte):

http://www.flacso.edu.mx/noticias/Camaras-de-vigilancia-no-previenen-delincuencia-y-si-fomentan-control-de-la-poblacion

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Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

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