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[:pt]México é apontado como país com mais homicídios estando depois da Síria[:]

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Não é comum que o nível de violência do crime organizado seja comparado ao de países em guerra. Entretanto, é o que está ocorrendo no México e na região do Triângulo Norte da América Central (El Salvador, Honduras e Guatemala). De acordo com a última edição da pesquisa sobre conflitos armados, produzida pelo Instituto Internacional para Estudos Estratégicos (IISS, sigla em inglês), os quatro países juntos somaram 39 mil homicídios em 2016. Sozinho, o México aparece em segundo lugar no ranking mundial de homicídios (23 mil), atrás apenas da Síria. E os números atuais são preocupantes. Em março de 2017 foram 2.020 assassinatos. Número recorde desde junho de 2011, época em que o então presidente Felipe Calderón instituiu uma política de “guerra as drogas”.

Para o Ministério das Relações Exteriores e do Interior, o “México está longe de ser o país mais violento do mundo”, pois, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), a taxa de homicídios de 16,4 assassinatos por 100 mil habitantes do México é menor que a do Brasil (25,2 assassinatos por 100 mil habitantes), Venezuela (53,7 assassinatos por 100 mil habitantes) e Honduras (90,4 assassinatos por 100 mil habitantes).

O impacto da violência tem consequências na atividade empresarial, no desenvolvimento socioeconómico, no funcionamento das instituições e no Estado de Direito. De acordo com a Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH), até o início de 2016, aproximadamente 35,4 mil pessoas foram forçadas a se deslocar internamente no México em decorrência da violência e das condições sociais.

E é justamente em função da fraqueza das instituições estatais e do baixo desenvolvimento socioeconômico que a violência se consolidou, segundo a pesquisa. Ou seja, é um círculo vicioso. Além disso, seu aumento atual está ligado à corrida armamentista travada entre as forças de segurança e as organizações criminosas. A estratégia dos carteis (dos Zetas, de Sinaloa e de Jalisco, por exemplo) é atuar de forma “hiperviolenta” para assustar a população local, desestimular os rivais (inclusive o Estado) de disputar territórios e maximizar a extorsão às empresas.

A corrupção institucional mexicana é outro fator que aumenta a dinâmica das atividades criminosas. A polícia tem sido uma instituição problemática para a administração do presidente Peña Nieto. Em 2014, 43 estudantes desapareceram após protestarem contra uma família de políticos do Estado de Guerrero, ligados ao grupo criminoso Guerreiros Unidos. Os investigadores suspeitam que a polícia tenha entregue os estudantes aos Guerreiros Unidos para matá-los, embora o caso ainda não tenha sido solucionado.

Por fim, o relatório aponta que saída para a crise de violência mexicana estaria na reforma da polícia e numa nova estratégia de segurança pública. Seria necessário maior investimento em políticas multidimensionais envolvendo forças militares, aplicação da lei, planejamento urbano, infraestrutura e tecnologia.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Arundel House, sede do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos em Londres” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/International_Institute_for_Strategic_Studies

Imagem 2Rotas de tráfico de drogas no México” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mexican_Drug_War

Imagem 3Veículos blindados da Polícia Federal mexicana” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Fuerza_policiales_por_pa%C3%ADs

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Tainan Henrique Siqueira - Colaborador Voluntário

Mestrando em Direito Internacional pela Universidade Católica de Santos. Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Santos. Experiência acadêmica internacional na Cidade do México e atuação profissional no Consulado do Panamá e no Turismo Nuevo Mundo. Concluiu trabalho de extensão sobre Direitos Humanos e Refugiados, iniciação científica na área do Direito Internacional e da Política Externa Brasileira, sendo esta segunda iniciação premiada em terceiro lugar entre as áreas de ciências humanas e ciências sociais aplicadas da UniSantos em 2015. Atuou como Monitor na disciplina de Teoria das Relações Internacionais­I, durante o último semestre de 2015. Atualmente é monitor e pesquisador do Laboratório de Relações Internacionais da UniSantos em parceria com o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (LARI­IPECI), onde auxilia no desenvolvimento de projetos semestrais pautados por três frentes de pesquisa: 1) Direitos Humanos, Imigração e Refugiados; 2) Política Internacional e Integração Regional; e 3) Relações Internacionais, Cidades e Bens Culturais. Tem objetivo de seguir carreira acadêmica.

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