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México e Canadá permanecerão no NAFTA, mesmo sem a presença dos EUA

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De acordo com o Jornal Reuters, na última quinta-feira (dia 31 de agosto), o Ministro da Economia mexicano, Ildefonso Guajardo Villarreal, disse que o México e o Canadá irão permanecer no Tratado de Comércio Livre da América do Norte (NAFTA), mesmo que a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, abandone o Acordo.

Durante um evento na Cidade do México, o Ministro salientou que o NAFTA continuará regulamentando a relação entre os dois países, caso Washington deixe o Tratado, pois, de fato, essa decisão pode ser tomada pelo vizinho, dependendo de como se desenvolvam as negociações.

Chrystia Freeland, Ministra dos assuntos estrangeiros do Canadá (centro), fala com Bob Lighthizer, representante do comércio dos EUA, ao lado de Ildefonso Guajardo Villarreal, Ministro da Economia do México (direita), durante a primeira rodada das renegociações do NAFTA, em Washington, DC., 16 de agosto de 2017

Villarreal lembrou ainda que esta renegociação do NAFTA entre representantes norte-americanos, mexicanos e canadenses está acontecendo, em grande parte, por pressão dos Estados Unidos para atualizar o acerto que já dura 23 anos. Ou seja, o país que propôs a renegociação é o mesmo que ameaça deixar o Acordo, caso o resultado não satisfaça seu anseio, sendo que as reuniões apenas iniciaram.

Especialistas em comércio acreditam que a advertência de Trump pode ser apenas um blefe para fazer o México e o Canadá aceitarem suas demandas. Nesta linha, Tim Keeler, ex-chefe de gabinete do United States Trade Representative (USTR) durante o governo Bush, argumenta que os EUA precisam fazer com que as outras partes acreditem que a única opção é promover mudanças substanciais no NAFTA. Uma delas seria forçar seus vizinhos a demandarem mais produtividade das indústrias estadunidenses, através do novo acerto.

 

Os EUA já apostaram em posições contrárias ao Canadá e México. Propor agora sua própria remoção como elemento chave, embora seja controverso, pode proteger os investimentos de suas empresas no exterior, alega Gary Hufbauer, especialista em NAFTA do Instituto Peterson para Economia Internacional.

Vista do centro de imprensa durante o primeiro dia da segunda rodada de negociações do NAFTA, na Cidade do México, em 1º de setembro de 2017

As negociações na Cidade do México fazem parte da segunda rodada da remodelação do Tratado de Comércio Livre da América do Norte, que iniciaram sexta-feira passada (dia 1o de setembro), após a primeira fase de debate que ocorreu em Washington, há três semanas.

Trump argumenta que o Acordo, do jeito que está, dificulta a empregabilidade e a capacidade industrial dos Estados Unidos. Por outro lado, o México argumenta que a integração regional os tornou mais competitivo, ajudando a proteger os empregos.

Para Adam Austen, porta-voz do Governo canadense, a saída dos norte-americanos seria um “tiro no pé”, pois a forte relação econômica entre Canadá e EUA é responsável por 9 milhões de empregos americanos dependentes do comércio e do investimento mútuo.

Após uma reunião com legisladores acerca do tema, Villarreal disse ainda que “nem o Canadá nem o México anunciarão sua retirada (do acordo), pois queremos continuar sendo regulamentados pelo NAFTA”.

As eleições presidenciais mexicanas, que ocorrerão em julho de 2018, representam um prazo para o término das negociações. Entretanto, o candidato à Presidência mais cotado pelas pesquisas, Andrés Manuel Lopez Obrador, prometeu ser insistente na relação comercial com os EUA.

 

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Fontes das Imagens:

 

Imagem 1As bandeiras do Canadá, dos Estados Unidos e do México preparam o palco antes do início das negociações para a modernização do NAFTA, em Washington, DC., 16 de agosto de 2016” (Fonte):

 

http://www.gettyimages.com/license/832610478

 

Imagem 2Chrystia Freeland, Ministra dos assuntos estrangeiros do Canadá (centro), fala com Bob Lighthizer, representante do comércio dos EUA, ao lado de Ildefonso Guajardo Villarreal, Ministro da Economia do México (direita), durante a primeira rodada das renegociações do NAFTA, em Washington, DC., 16 de agosto de 2017” (Fonte):

 

http://www.gettyimages.com/license/832546736

 

Imagem 3Vista do centro de imprensa durante o primeiro dia da segunda rodada de negociações do NAFTA, na Cidade do México, em 1º de setembro de 2017” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/841572144

Tainan Henrique Siqueira - Colaborador Voluntário

Mestrando em Direito Internacional pela Universidade Católica de Santos. Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Santos. Experiência acadêmica internacional na Cidade do México e atuação profissional no Consulado do Panamá e no Turismo Nuevo Mundo. Concluiu trabalho de extensão sobre Direitos Humanos e Refugiados, iniciação científica na área do Direito Internacional e da Política Externa Brasileira, sendo esta segunda iniciação premiada em terceiro lugar entre as áreas de ciências humanas e ciências sociais aplicadas da UniSantos em 2015. Atuou como Monitor na disciplina de Teoria das Relações Internacionais­I, durante o último semestre de 2015. Atualmente é monitor e pesquisador do Laboratório de Relações Internacionais da UniSantos em parceria com o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (LARI­IPECI), onde auxilia no desenvolvimento de projetos semestrais pautados por três frentes de pesquisa: 1) Direitos Humanos, Imigração e Refugiados; 2) Política Internacional e Integração Regional; e 3) Relações Internacionais, Cidades e Bens Culturais. Tem objetivo de seguir carreira acadêmica.

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