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México e Cuba discutem possível solução para à crise venezuelana

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De acordo com o Jornal Reuters, o Ministro das Relações Exteriores do México, Luis Videgaray, foi à Havana disposto a persuadir Cuba (um dos principais aliados da Venezuela) a ajudar a resolver a complexa situação política do seu aliado sul-americano. Videgaray, acompanhado pelo chefe do Bancomext, chegou a Havana na quinta-feira (dia 17 de agosto) para se encontrar, no mesmo dia, com o Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez.

Para ganhar a confiança cubana, o México concordou com o pedido de Havana de expandir uma linha de crédito com o Banco Bancomext (estatal mexicano), de 30 milhões para 56 milhões de euros, como um gesto de boa vontade. Tal linha de crédito é de extrema importância para a ilha pagar suas principais importações.

Presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, durante uma reunião com Fidel Castro, em Havana em janeiro de 2014

Segundo Videgaray, o Governo mexicano busca, a partir da cooperação, entender qual é a posição cubana frente à crise venezuelana, saber o impacto dessa crise em Cuba e tentar auxiliar nesse processo de transição política na Venezuela, mesmo que isso ainda leve algum tempo.

O Estado venezuelano é o aliado estratégico e ideológico mais próximo de Cuba. Desde o início dos anos 2000, a ilha cubana já recebeu bilhões de dólares em ajuda de seu parceiro, que sempre sustentou seus gatos vendendo petróleo. Não obstante, tal dependência do mercado petrolífero (fruto de uma matriz produtora pouco diversificada) é o principal problema da sua balança comercial, que subsidiou a crise econômica atual.

Já a relação do México com Cuba não teve tanta expressividade nos últimos anos. Entre 2001 e 2006, durante o mandato do então presidente mexicano Vicente Fox, o desprezo a Fidel Castro marcou a relação de ambos. Um movimento que agradou aos Estados Unidos, mas impactou negativamente a influência regional do México.

Entretanto, atualmente, Cuba tem sido ignorada pela Venezuela, pelo fato de apoiar os esforços regionais (inclusive com a participação dos Estados Unidos) que visam pressionar o governo do presidente venezuelano Nicolas Maduro a restaurar a ordem democrática no país, após meses de protestos mortais.

Presidente venezuelano, Nicolas Maduro, protesta contra suposta ingerência estadunidense

Ainda assim, segundo Videgaray, o México, que abandonou anos de políticas externas isolacionistas para liderar os esforços diplomáticos latino-americanos e pressionar Caracas, acredita que não haverá uma transição pacífica na Venezuela sem a ajuda de Cuba.

Para o Chanceler mexicano, se o Governo cubano for mais crítico à política venezuelana, a situação ficará difícil para Nicolás Maduro, pois poderá induzir outros aliados menores da Venezuela no Caribe a seguirem a posição de Havana.

O objetivo da viagem é também garantir a Cuba que o México intervirá para apoiar o país insular, caso a Venezuela entre em colapso. A provisão de petróleo mexicano não está oficialmente na mesa, mas Videgaray disse que poderia ser oferecida no futuro.

Para o Governo mexicano, o melhor cenário seria que Cuba reconhecesse publicamente que a situação venezuelana é insustentável e divulgasse uma declaração crítica ao regime de Maduro, pedindo alguma forma de transição. No entanto, Videgaray acha que existe também a possibilidade de Cuba reiterar seu apoio à Maduro e recorrer a uma resolução multilateral, negociada através da Comunidade dos Estados da América Latina e do Caribe (CELAC), bloco regional fundado em Caracas. Portanto, o Ministro não sabe de fato qual é a intenção cubana.

Não obstante, de acordo com autoridades mexicanas e norte-americanas, o México também escolheu liderar empenhos regionais contra Maduro, como parte de seus esforços para assegurar uma renegociação favorável do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA, na sigla em inglês) com os Estados Unidos.

Os esforços diplomáticos, em grande parte através da Organização dos Estados Americanos (OEA), são vistos como vantajosos para o México, pois agradam a Washington e envolvem custos políticos domésticos limitados.

Ainda sobre o encontro entre chanceleres, segundo a Secretaria de Relações Exteriores mexicana, os ministros falaram sobre comércio, investimentos, turismo, cooperação técnica e científica, entre outros assuntos. De acordo com Rodriguez, as relações bilaterais estão se desenvolvendo em constante progressão e ainda existe um grande potencial a ser explorado em todas as áreas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O chanceler cubano Bruno Rodríguez (à direita) recebe o chanceler mexicano Luis Videgaray” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/835101606

Imagem 2Presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, durante uma reunião com Fidel Castro, em Havana em janeiro de 2014” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Relaciones_entre_Cuba_y_M%C3%A9xico

Imagem 3Presidente venezuelano, Nicolas Maduro, protesta contra suposta ingerência estadunidense” (Fonte):

http://www.gettyimages.com/license/831485502

Tainan Henrique Siqueira - Colaborador Voluntário

Mestrando em Direito Internacional pela Universidade Católica de Santos. Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Santos. Experiência acadêmica internacional na Cidade do México e atuação profissional no Consulado do Panamá e no Turismo Nuevo Mundo. Concluiu trabalho de extensão sobre Direitos Humanos e Refugiados, iniciação científica na área do Direito Internacional e da Política Externa Brasileira, sendo esta segunda iniciação premiada em terceiro lugar entre as áreas de ciências humanas e ciências sociais aplicadas da UniSantos em 2015. Atuou como Monitor na disciplina de Teoria das Relações Internacionais­I, durante o último semestre de 2015. Atualmente é monitor e pesquisador do Laboratório de Relações Internacionais da UniSantos em parceria com o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (LARI­IPECI), onde auxilia no desenvolvimento de projetos semestrais pautados por três frentes de pesquisa: 1) Direitos Humanos, Imigração e Refugiados; 2) Política Internacional e Integração Regional; e 3) Relações Internacionais, Cidades e Bens Culturais. Tem objetivo de seguir carreira acadêmica.

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