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México foca seus poderes de vigilância na sociedade civil

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De acordo com o The New York Times, desde meados de 2011, agências federais mexicanas vêm expandindo seu arsenal de vigilância, gastando aproximadamente 80 milhões de dólares em softwares de monitoramento da empresa israelense NSO Group. O principal programa, Pegasus, permite o controle e monitoramento de todas as funções do celular de um alvo, desde o controle da câmera e microfones ao acesso à aplicativos, como e-mail, calendários, fotos, entre outros.

Esse software já havia sido usado para espionar membros da sociedade civil no México, mais especificamente contra o Jornalista Rafael Cabrera, que reportou a corrupção na alta cúpula do Governo mexicano, e o ativista Jesús Robles Maloof, representante do grupo de direitos humanos Contingente MXque alegou ter sido ameaçado e que as suas comunicações e de sua família vinham sendo monitoradas. A relação das agências do governo mexicano com o mercado de monitoramento em massa já foi previamente reportada aqui.

Juan E. Paradinas

Porém, revelações recentes apontam que a proporção do monitoramento de membros da população civil, que poderiam representar qualquer tipo de oposição ao Governo é muito maior do que se pensava. Segundo Juan E. Paradinas, diretor do Instituto Mexicano de Competitividade, o qual teve seu celular e o de sua esposa acessados pelo software, “nós somos os novos inimigos do Estado”.

Junto com Paradinas, advogados, acadêmicos, jornalistas e ativistas anticorrupção, em conjunto com seus familiares, foram alvo do software, o qual contamina os dispositivos alvo, enviando mensagens de texto com links que, após acessados, comprometem o dispositivo. As mensagens são altamente personalizadas, no caso da esposa de Paradinas, a mensagem afirmava conter provas de que seu marido estava tendo um caso extraconjugal.

Segundo propostas analisadas pelo The New York Times, a NSO Group cobra US$650.000 somado a uma taxa de instalação de US$500.000 para espionar 10 usuários de iPhone. E conforme a empresa, apesar de verificarem as práticas de direitos humanos de seus clientes, eles não podem controlar o uso do programa após a sua instalação e licenciamento nas agências clientes.

Em declaração, o Governo mexicano argumenta que “Como em qualquer governo democrático, para combater o crime e ameaças contra a segurança nacional, o governo mexicano realiza operações de inteligência”, mas “nega categoricamente que qualquer um dos seus membros se envolve em operações de vigilância ou comunicação contra defensores de direitos humanos, jornalistas, ativistas anticorrupção ou qualquer outra pessoa sem autorização judicial prévia”.

O crescimento do mercado internacional de softwares de espionagem e monitoramento, fornecendo serviços à governos, representa uma resposta às práticas e aos movimentos a favor da privacidade de usuários. Conforme empresas como Facebook e Apple criptografam os seus serviços, para o desgosto de alguns governos, empresas como o NSO Group e outros respondem a nova demanda criada, atuando no Catar, México, Síria, dentre outros.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Logo NSO Group” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Nso-group-logo.png

Imagem 2Juan E. Paradinas” (Fonte):

http://imco.org.mx/es/author/juan-pardinas/

Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

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