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México: mais de uma década de luta contra o Narcotráfico

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Há mais de uma década o México convive com intensa violência oriunda da guerra do narcotráfico. Ao longo desses anos, mais de 220 mil pessoas morreram e aproximadamente 32 mil estão desaparecidas. Em função do aprofundamento e crescimento da violência, no último dia 5 de julho de 2017, a Federação Internacional para os Direitos Humanos (FIDH) com apoio de outras organizações não-governamentais e associações entregou um relatório ao Tribunal Penal Internacional (TPI), onde denunciam o Governo mexicano por crimes contra a humanidade.

Mapa do México

De acordo com declarações de Jimena Reyes, diretora da FIDH no continente americano, e segundo destacou à ANGOP, com a ajuda do Cartel de Los Zetas, as autoridades mexicanas são culpadas por crimes contra a humanidade que tem ocorrido no país desde 2009. Ela assinalou ainda que a organização pede abertura de investigação preliminar, partindo do reconhecimento pelo Estado mexicano de que atos de violência que tem acontecido no país se caracterizam como crimes contra a humanidade.

A princípio, o relatório tem como foco o Estado de Coahuila, situado na região fronteiriça com os Estados Unidos da América (EUA), especificamente com o Estado do Texas. Na região da Coahuila, segundo apontou o documento da FIDH, cerca de 1.830 pessoas desapareceram e há o registro de mais de 500 casos relacionados à tortura, privação de liberdade e desaparecimentos. Notícias retratando o assassinato e o sumiço de cidadãos, estudantes e jornalistas mexicanos tem se tornado recorrentes nos últimos tempos. Em 2011, no Estado de Veracruz foram encontrados 35 cadáveres em frente a um estabelecimento comercial. Na ocasião, uma organização criminosa denominada Nova Geração assumiu o massacre.

La fuerza militar del Estado Mexicano en Michoacán, principal participante en la Guerra contra el Narcotráfico

Mais recentemente, em setembro de 2014, por exemplo, os noticiários relatavam o desaparecimento de 43 estudantes do Estado de Iguala. Ao longo das buscas pelos jovens, foram encontrados outros cadáveres carbonizados e enterrados em fossas, que evidenciavam a brutal violência que assola o país. Naquela ocasião, quase 60 suspeitos foram presos, entre eles encontravam-se criminosos do narcotráfico, mas também policiais e agentes de segurança municipal. Naquele momento, Enrique Peña Nieto, Presidente do México, prometeu, como destaca a DW, que o povo não presenciaria mais massacres como o de Iguala.

No entanto, a violência generalizada continua vitimando a sociedade mexicana e também ativistas e jornalistas que tentam denunciar os crimes que ocorrem no país. Em maio de 2017, Javier Valdez Cárdenas, um jornalista premiado no México, foi assassinado em Culiacán, no Estado de Sinaloa, na região noroeste. Em novembro de 2016, Cárdenas, concedeu uma entrevista à agência de notícias Efe, segundo também destacou a DW, onde ressaltou que a cumplicidade dos políticos com o narcotráfico assegurou que exista liberdade de impressa no país, porque o crime organizado e os governos corruptos impõem o silêncio a base de tiro e dinheiro. E disse ainda que falta na sociedade comoção e sentimento de solidariedade com os jornalistas.

Esse cenário reacende o debate acerca das ligações entre narcotráfico e as autoridades governamentais mexicanas. Em dezembro de 2006, Felipe Calderón, então Presidente do México, enviou tropas das Forças Armadas do país ao Estado de Michoacán, em virtude do número crescente de homicídios. Segundo analistas, a estratégia adotada por Calderón fracassou e, embora tenham prendido policiais, políticos e chefes do tráfico, esses foram substituídos por outras “peças” no tabuleiro. Em 2012, houve a ascensão ao poder do atual presidente Peña Nieto e, tal como seu antecessor, ele não conseguiu combater eficazmente os agentes corruptos que integram o Governo e a Polícia, e o Exército não possui um papel com diretrizes claras. Além disso, desde o período de Calderón, o Exército é acusado de cometer violações dos direitos humanos.

Tais acontecimentos evidenciam que aprofundamento da violência e as denúncias feitas por organizações retratam um cenário contínuo de barbárie. Alguns organismos internacionais como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o Alto Comissionado para os Direitos Humanos das Nações Unidas, tem afirmado que o país vive um momento constante de violações dos direitos humanos. Para alguns analistas, no México existe um modus operandi de violência que é tolerada pelos mais distintos níveis do governo.

Nesse aspecto, Abel Barrera Hernandez, fundador do centro de direitos humanos Tlachinollan, questionava, ainda em 2014, que embora o governo de Peña Nieto queira modernizar o país, as estruturas corruptas e o seu entrelaçamento com o Estado e o crime organizado continuam, logo, como essa modernização daria certo? Por fim, parece que há silêncio sistêmico sobre o aprofundamento da violência e do fracasso de algumas políticas de segurança na luta contra o narcotráfico.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira do México” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9xico#/media/File:Flag_of_Mexico.svg

Imagem 2 Mapa do México” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9xico#/media/File:Mexico__Location_Map_(2013)_-_MEX_-_UNOCHA.svg

Imagem 3 La fuerza militar del Estado Mexicano en Michoacán, principal participante en la Guerra contra el Narcotráfico” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_contra_o_narcotr%C3%A1fico_no_M%C3%A9xico#/media/File:Fuerza_del_Estado_Michoac%C3%A1n.jpg

Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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