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México perde espaço para a China na indústria automobilística

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De acordo com o Jornal Reuters, na semana passada (dia 20 de junho), a Ford anunciou que vai realocar a produção do novo modelo Focus de Michigan para à China e não para o México, como havia pré-estabelecido.

A mudança de plano ocorre um mês após a empresa automobilística nomear seu novo Diretor Executivo (CEO, sigla em inglês), Jim Hackett, ex-dirigente da unidade de mobilidade inteligente, responsável pelos projetos de veículos autônomos da Ford.

Diretor Executivo da Ford Motor Company

O objetivo anterior de mudar a produção para o México já havia sido criticado pelo presidente Donald Trump, mesmo que a mudança não impactasse o mercado de trabalho norte-americano, pois a Ford planejava substituir a produção do Focus em Michigan por dois novos veículos.

É interessante destacar que, durante a campanha presidencial, Donald Trump chegou a culpar a China e ao México pela fuga das fábricas estadunidenses do país e ameaçou impor tarifas pesadas aos carros fabricados no território vizinho. Entretanto, após eleito, Trump passou a ser mais moderado em relação ao tema. Os preparativos para a renegociação do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA, sigla em inglês), que começa em agosto, acabaram reaproximando os dois países.

Contudo, a decisão atual da Ford preocupa a economia mexicana, pois não é o primeiro movimento de recuo dado pela empresa. Em janeiro deste ano (2017) a empresa cancelou a construção de uma montadora avaliada em 1,8 bilhão de dólares no Estado mexicano de San Luis Potosi. Apesar disso, segundo Alfredo Arzola, diretor do cluster automotivo do Estado de Guanajuato, ainda existe uma grande taxa de investimento nas montadoras mexicanas.

Não obstante, o novo plano da Ford preocupa também o representante de comércio dos EUA, Robert Lighthizer, que disse não entender o motivo da mudança. Para Lighthizer, se a mudança for por “razões não econômicas”, o Governo deve agir de alguma forma.

Segundo Philippe Houchois, analista de investimentos no setor automobilístico do Banco Jefferies, a produção mexicana de carros foi favorecida, durante muito tempo, pela baixa qualidade dos veículos produzidos na China, que não alcançavam os padrões globais. Porém este cenário tem se modificado. Na última década, as montadoras mundiais investiram fortemente em fábricas chinesas para torná-las capazes de construir carros com a qualidade dos mercados desenvolvidos, mas, alguns estudos ainda mostram que a fabricação mexicana é competitiva e os líderes empresariais acreditam que as negociações do NAFTA entre o México, os Estados Unidos e o Canadá podem, em última instância, produzir regras regionais que beneficiem o investimento local.

Ford modelo Focus RS 2016

Mesmo assim, a Ford destaca que sua decisão equilibrou seu custo em relação às taxas de mão-de-obra chinesa (mais barata) e o transporte (mais caro), e após uma remodelação já planejada de sua fábrica chinesa, a empresa economizou cerca de 500 milhões de dólares com a mudança. Portanto, aparentemente, foi por razões econômicas.

Em 2016, a Ford vendeu 169.000 veículos Focus, um declínio de 17% comparado ao ano anterior. Tal queda nas vendas pode estar relacionada ao fato de que o Focus atual está um pouco ultrapassado em comparação com seus concorrentes, como Honda Civic, Toyota Corolla e Hyundai Elantra.

Segundo Jacob George, gerente geral da J.D. Power Asia Pacific Operations, apesar da melhora significativa da qualidade dos carros produzidos na China, quando se compara o percentual de qualidade entre China e México, nota-se ainda um atraso de 4 a 6 anos da produção chinesa. Essa é a média de tempo que a nova planta da Ford tardará para iniciar sua produção na China. O início de sua implantação está previsto para meados de 2019.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O Ford World Headquarters em Dearborn, Michigan, também conhecido como Glass House” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Ford_Motor_Company

Imagem 2Diretor Executivo da Ford Motor Company” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/James_Hackett_(businessman)

Imagem 3Ford modelo Focus RS 2016” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Ford_Focus

Tainan Henrique Siqueira - Colaborador Voluntário

Mestrando em Direito Internacional pela Universidade Católica de Santos. Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Santos. Experiência acadêmica internacional na Cidade do México e atuação profissional no Consulado do Panamá e no Turismo Nuevo Mundo. Concluiu trabalho de extensão sobre Direitos Humanos e Refugiados, iniciação científica na área do Direito Internacional e da Política Externa Brasileira, sendo esta segunda iniciação premiada em terceiro lugar entre as áreas de ciências humanas e ciências sociais aplicadas da UniSantos em 2015. Atuou como Monitor na disciplina de Teoria das Relações Internacionais­I, durante o último semestre de 2015. Atualmente é monitor e pesquisador do Laboratório de Relações Internacionais da UniSantos em parceria com o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (LARI­IPECI), onde auxilia no desenvolvimento de projetos semestrais pautados por três frentes de pesquisa: 1) Direitos Humanos, Imigração e Refugiados; 2) Política Internacional e Integração Regional; e 3) Relações Internacionais, Cidades e Bens Culturais. Tem objetivo de seguir carreira acadêmica.

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