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México: a questão da efetividade dos seus acordos comerciais

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Tem sido identificado pelos observadores e analisas que, na dinâmica da assinatura de acordos comerciais pelo Estado mexicano, a quantidade nem sempre tem proporcionado efetividade para a economia do país.  Com 12 Tratados de Livre Comércio que envolvem 46 parceiros, o México é um dos países que mais apostaram na abertura comercial nos últimos anos. Entretanto, como dito, a quantidade de acordos comerciais não está gerando os benefícios esperados. Conforme os dados levantados pelo site Trading Economics, o país registrou um déficit comercial de 1,0792 bilhão de dólares em maio de 2017, depois de ter apresentado uma baixa recorde de 3,47 bilhões de dólares em janeiro deste ano (2017).

Produtos exportados pelo México em 2014

Desde a década de 1990, sua política comercial está entre as mais abertas do mundo. Além do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), que envolve os Estados Unidos (EUA) e o Canadá, o país possui acordo com Chile, Colômbia, Costa Rica, Nicarágua, Peru, Guatemala, El Salvador, Honduras, Israel, Japão, Islândia, Liechtenstein, Noruega, Suíça e União Europeia. Contudo, seu principal parceiro ainda são os EUA, responsáveis pela aquisição de, aproximadamente, 80% das exportações mexicanas, enquanto 47% de suas importações vem dos norte-americanos. Oito de cada dez dólares exportados vem do seu vizinho, sendo esta uma vinculação que preocupa os mexicanos.

Essa dependência dos EUA torna a economia mexicana mais suscetível às condições econômicas e políticas do seu vizinho. A crise financeira global de 2009, por exemplo, que contribuiu para uma desaceleração na economia norte-americana, resultou na mais profunda recessão mexicana desde a década de 1930. Fora isso, as polêmicas declarações do presidente estadunidense Donald Trump sobre a construção do muro na fronteira entre os dois países e sua política protecionista impactam diretamente no valor do peso mexicano, que oscila, geralmente, para baixo.

Bolsa Mexicana de Valores

Porém, alguns especialistas da indústria afirmam que o setor manufatureiro do México tem numerosos benefícios estratégicos e financeiros para as empresas estrangeiras que procuram vantagens competitivas. Tendo em vista o aumento dos custos trabalhistas na China nos últimos dez anos, alguns setores industriais mexicanos ainda estão mais em conta. Outra vantagem que o México tem, em comparação com a China, é a proximidade geográfica dos EUA, que proporciona semelhanças culturais, maior eficiência nas operações de manufatura, menores custos de transporte e maior eficácia na cadeia de suprimentos. No entanto, os mexicanos continuam a enfrentar uma forte concorrência da China e de outras economias asiáticas no setor manufatureiro. Por exemplo, em 2003, a China lhe substituiu como segunda maior fonte de importações dos EUA.

Segundo Ignacio Bartesaghi, diretor do Departamento de Negócios Internacionais e Integração da Universidade Católica do Uruguai, o México não tem utilizado os acordos comerciais assinados tanto quanto poderia para diminuir a dependência dos norte-americanos. Para Ignacio, o Brasil e a Argentina são dois parceiros de grande importância nesse sentido. Conforme afirma, “O México tem um grau de complementaridade muito alto com ambos e o potencial de relacionamento é grande”. Além disso, o diretor salienta que o país conta com o maior complexo industrial da América Latina e pode liderar a região nesse âmbito nas próximas décadas. Fora o NAFTA, a maioria dos outros acordos possui um impacto marginal na economia.

Para Horacio Sobarzo, professor do El Colegio de México, a dificuldade está nos custos de transporte ou complementaridades entre as economias que, na prática, impactam muito mais do que a ausência de tarifas. O professor explica: “Enviar um produto mexicano para a Europa ou para Ásia é muito caro e os portos e aduanas não estão preparados”.

Outra barreira que dificulta as exportações mexicanas são as normas e regulamentos comerciais do NAFTA. A produção de bens no país é tão alicerçada nos requisitos de Washington e, em menor medida, nos de Ottawa, que se torna incompatível com os outros mercados, como o europeu. A título de exemplo, sobre este caso, Ignacio Martínez, coordenador do Laboratório de Análise de Comércio Exterior da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), cita o caso das geleias de manga: “basta alterar o rótulo e o custo do frasco aumenta sete dólares para o mercado europeu, sem contar o transporte. Além disso, existem poucos exportadores mexicanos: são apenas 37 mil dentre cinco milhões”. 

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Países com os quais o México possui Acordo de Livre Comércio” (Fonte):

https://es.wikipedia.org/wiki/Tratados_de_libre_comercio_de_M%C3%A9xico

Imagem 2Produtos exportados pelo México em 2014” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Economy_of_Mexico

Imagem 3Bolsa Mexicana de Valores” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Economy_of_Mexico

Tainan Henrique Siqueira - Colaborador Voluntário

Mestrando em Direito Internacional pela Universidade Católica de Santos. Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Santos. Experiência acadêmica internacional na Cidade do México e atuação profissional no Consulado do Panamá e no Turismo Nuevo Mundo. Concluiu trabalho de extensão sobre Direitos Humanos e Refugiados, iniciação científica na área do Direito Internacional e da Política Externa Brasileira, sendo esta segunda iniciação premiada em terceiro lugar entre as áreas de ciências humanas e ciências sociais aplicadas da UniSantos em 2015. Atuou como Monitor na disciplina de Teoria das Relações Internacionais­I, durante o último semestre de 2015. Atualmente é monitor e pesquisador do Laboratório de Relações Internacionais da UniSantos em parceria com o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (LARI­IPECI), onde auxilia no desenvolvimento de projetos semestrais pautados por três frentes de pesquisa: 1) Direitos Humanos, Imigração e Refugiados; 2) Política Internacional e Integração Regional; e 3) Relações Internacionais, Cidades e Bens Culturais. Tem objetivo de seguir carreira acadêmica.

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