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Mídia começa a trazer aspectos da fragilidade do CNT líbio

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Após a declaração feita no dia 12 de setembro de 2011 pelo presidente do “Conselho Nacional de Transição” (CNT) líbio, Mustafá Abdul Jalil, de que o Islã será a base do novo governo, o mundo começou a refletir sobre as dificuldades para a garantia da integração da Líbia, bem como para as possibilidades de um verdadeiro encerramento da Crise política UE assolou o país. O líder declarou ao povo na “Praça dos Mártires”, em Trípoli, que “O Islã será a principal fonte da legislação. (..) Não aceitamos nenhuma ideologia extremista de direita ou de esquerda. Somos um povo muçulmano, com um Islã moderado, e vamos preservar essa via, (…). Vocês estarão conosco, contra todos aqueles que tentarem roubar nossa revolução”*.

 

Foram três afirmações que mostraram a fragilidade do grupo que está sendo legitimado no poder, pois até então o CNT estava sendo considerado como secular inclusive pelos rebeldes, tanto que isto havia despertado a atenção dos religiosos que apoiaram a rebelião.

Dentre eles, o xeque Ali Salabi**, tomado como líder espiritual da revolta, e Abdel Hakim Belhaj**, chefe do “Conselho Militar de Trípoli”, que liderou não mais existente o “Grupo Combatente Islâmico Líbio”, embora tenha sido rebatizado como “Grupo Islâmico Líbio pela Mudança”.

O “Grupo Combatente Islâmico Líbio” está listado pelas “Nações Unidas” como uma organização terrorista. Belhaj, por sinal, lutou com Osama Bin Laden no Afeganistão, embora tenha sempre negado contato com a Al-Qaeda para combater os EUA. Suas afirmações são de que sempre se voltou contra o regime de Muammar Kadhaffi, mas, em suas declarações, ficam os elementos de que usou para tanto de táticas terroristas.

Analistas apontam que o CNT é frágil em sua composição interna, devido as graves divergências entre os sub-grupos que o compõem, mesmo que tivessem conduzido a revolta, e são representados no CNT, ou buscam lugar no Conselho, para participar do novo governo.

Observadores apontam que certamente haverá dificuldades para construir instituições democráticas nos parâmetros da civilização ocidental, da mesma forma que a declaração de não aceitar extremismos de esquerda ou de direita, denota ou o desconhecimento da filosofia política construída pelo Ocidente, ou a tentativa de criar uma terceira via, mas este foi comportamento trilhado também por Muammar Kadhaffi, que se afirmava como porta-voz de um terceiro caminho, expressado em seu “Livro Verde”.

Diante do quadro, os especialistas começam a identificar que a situação líbia não se resolverá tão logo Kadhaffi caia, apostando que haverá um período de diálogo, mas que não surpreenderá se ocorrerem novos atos de violência, senão uma fragmentação do grupo agora dirigente, que poderá ter de adotar a violência para manter o controle do país.

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* Fonte:

http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2011/09/12/interna_internacional,250295/isla-sera-principal-fonte-da-legislacao-na-libia.shtml

** Fonte na mídia sobre a biografia dos dois líderes muçulmanos libios:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,islamicos-e-laicos-se-distanciam-na-libia,773955,0.htm


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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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