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Migração é tema de encontro das Nações Unidas na Etiópia

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Ao redor do mundo se presenciam intensos processos migratórios e, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), estes são reflexos do elevado número de conflitos que se vivencia. Não à toa, o Organismo classifica o atual período como o mais sangrento desde o fim da Guerra Fria.

Tendo esta conjuntura como plano de fundo, a Comissão Econômica para África – órgão do Conselho Econômico e Social da ONU – sediou em Addis Ababa, entre os dias 26 e 27 de outubro (2017), o “Encontro Consultivo Regional Africano para o Compacto Global em Segurança, Ordem e Migração”. O Encontro faz parte de uma série de eventos promovidos pela Organização para debater a implementação da “Declaração para Refugiados e Migrantes de Nova York”.

ONU e suas agências regionais são cruciais para a representação completa das necessidades dos migrantes africanos

A Declaração foi assinada em setembro do ano passado (2016), durante a Assembleia Geral da ONU, pondo início à preparação de um Compacto Global para trabalhar no gerenciamento e na governança participativa em torno das questões migratórias, bem como para a promoção de direitos e oportunidades socioeconômicas aos refugiados. Atualmente, a Organização trabalha na consolidação do Compacto junto aos seus principais stakeholders*. Espera-se que este seja assinado na Assembleia Geral de 2018.

Neste sentido, o Encontro ocorrido na capital etíope foi um momento de congregação de atores públicos e civis para a discussão das principais questões envolvendo as migrações dentro do continente. Estas representam 52% do total envolvendo africanos. São alguns destes processos internos a migração Somali e Oromo no chifre da África; os movimentos ocorridos na Nigéria, com a atuação do grupo terrorista Boko Haram; e o deslocamento devido aos conflitos no coração do continente, como na República Centro-Africana e no Sudão do Sul.

A consulta de hoje é uma oportunidade de analisar as tendências migratórias, desafios e oportunidades em níveis regionais e sub-regionais. Nós devemos melhor compreender o que motiva as pessoas a migrarem através de canais irregulares, bem como expandir os caminhos legais e regulares para melhor gerenciar a oferta e demanda de trabalhadores no mercado de trabalho mundial”, declarou a Representante Especial do Secretário-Geral da ONU, Louise Arbour. Para ela, uma das principais urgências discutidas no Encontro é ampliar as possibilidades empregatícias aos migrantes nos países que os recebem.

Considera-se como impreterível o envolvimento dos países africanos para a consolidação do Compacto Global, a fim de que as políticas públicas construídas a partir daí representem as questões mais urgentes para a mitigação dos processos migratórios nessa região. Neste sentido, o fortalecimento e protagonismo das agências regionais da ONU configuram-se como o único caminho possível para dar voz à população local dentro do cenário internacional.

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Nota:

* Stakeholders é um termo empregado pela própria ONU, referindo-se às principais organizações e atores interessados e impactados diretamente pelo trabalho desenvolvido pela Organização.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Migração é tema de encontro da ONU em Addis Ababa” (Fonte):

http://www.coalitionclimat22.org/en/2016/09/20/new-article-on-climate-migration-in-africa-by-four-visiting-american-students/

Imagem 2ONU e suas agências regionais são cruciais para a representação completa das necessidades dos migrantes africanos” (Fonte):

http://et.one.un.org/content/unct/ethiopia/en/home/resources/un-agencies-profiles/united-nations-economic-commission-for-africa–uneca-.html

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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