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É alarmante o número de refugiados que chegam em Angola vindos da República Democrática do Congo (RDC). Desde o início do ano passado (2016), aproximadamente um milhão de congoleses se deslocaram da Província de Kasai devido aos conflitos instaurados nessa região.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e o Governo angolano estimam que, no mínimo, 16 mil refugiados congoleses já chegaram à Província de Lunda Norte, na região norte de Angola. A média de chegadas diárias está entre 300 e 400 refugiados, sem previsão de arrefecimento.

Com um orçamento anual de 2,5 milhões de dólares para auxiliar, aproximadamente, 56 mil refugiados instaurados no território angolano, o escritório local do ACNUR afirma ser necessário dispor de um orçamento de 5,5 milhões – pouco mais do que o dobro do montante atual – para socorrer adequadamente os refugiados que chegaram, bem como aqueles previstos para os próximos meses.

Consonante à história de tantos outros deslocamentos na África Subsaariana, a crise dos refugiados congoleses tem sua explicação na atual conjuntura política da RDC. Os conflitos romperam em agosto do ano passado, quando o líder oposicionista Kamwina Nsapu foi morto pelas forças governamentais.

Desde então, milícias fieis a Nspau e às Forças do Estado vem travando sangrentos conflitos. As milícias pedem a deposição do Presidente da RDC, Joseph Kabila, o qual ultrapassou os limites de dois mandatos estabelecidos pela Constituição. A escalada de violência ocorre à medida que civis são mortos a qualquer suspeita de ligação com algum dos dois lados do conflito. Estima-se que, no mínimo, 400 pessoas já foram vitimadas.

As pessoas que chegam precisam urgentemente de ajuda vital, como comida, água, abrigo e serviços médicos. O ACNUR também está procurando alimentos cultivados localmente para apoiar as pessoas mais vulneráveis, incluindo crianças, mulheres grávidas e idosos”, afirmou Sharon Cooper, representante regional do ACNUR para o Sul da África, sobre as condições de acolhimento da população refugiada. Para recebe-la, o ACNUR de Angola gerencia um centro de recolhimento na zona de Dundo, capital da província de Lunda Norte.

O Governo angolano prevê deslocar os refugiados para o centro de recolhimento no município de Camulo, a fim expandir a capacidade de assistência e abrigo. Isto devido a não haver nenhuma previsão de diminuição no volume de chegadas. Acima de tudo, o fluxo migratório de congoleses para Angola demonstra a crucialidade da adoção gradativa de sistemas pacíficos e transparentes de transferência de poder na África Subsaariana.

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Fontes da Imagens:

Imagem 1 Refugee Camp” / “Campo de Refugiados” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Refugee_camp

Imagem 2 Joseph Kabila Presidente da República Democrática do Congo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_Kabila

Imagem 3 ACNUR Brasil” (Fonte):

https://nacoesunidas.org/acnur-lanca-edital-para-selecionar-parceiros-no-brasil/

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Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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