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Milícia Xiita Kata’ib Sayyid al-Shuhada ameaça o Governo Saudita

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Kataib Sayyid alShuhada (também conhecido como Kataib Abu Fadl alAbbas e Kataib Karbala; em português: Batalhão dos Mártires de Sayyid),  é uma milícia xiita radicada no Iraque, fundada em 2013, que integra o grupo de combatentes que luta contra os sunitas e rebeldes na Síria e que se move em defesa do Governo de Bashar alAssad. O Kataib Sayyid alShuhada é apoiado pelo Irã e mantém relações estreitas com a Força Qods, uma Unidade da Guarda Revolucionária Islâmica responsável pelas operações especiais do Governo Iraniano para a promoção e suporte às revoluções islâmicas no Oriente Médio e pela execução de ações fora do território nacional, incluindo atentados[1]. Neste momento, a milícia xiita declarou que a Arábia Saudita é um alvo legítimo de “ataque e destruição[2]. A ameaça tornou-se pública em 26 de outubro, na sequência da confirmação da sentença de morte do preeminente clérigo xiita Nimr alNimr, pela Suprema Corte saudita. Juntamente com mais seis pessoas, o Xeique alNimr foi sentenciado à morte sob a acusação de ter promovido, entre 2011 e 2012, manifestações pró-democracia, nas quais morreram 20 pessoas[3].

A condenação à morte de alNimr elevou as tensões entre os xiitas e o reino sunita. O Kataib Sayyid alShuhada, em comunicado em seu site oficial na Internet, ameaçou o Governo Saudita, tendo afirmado que “a Arábia Saudita insiste, como todos os tiranos têm feito ao longo da História, em cometer pecados e erros graves, que excederam além do reino da obediência e do temor a Deus. Na verdade, eles entram no reino dos grandes erros históricos, como exemplificado pela decisão de manter a execução do generoso xeique Nimr al-Nimr por um dos Tribunais sauditas[4]. A decisão da Justiçasaudita surpreendeu a comunidade internacional, que não esperava que a execução do Xeique fosse confirmada. Porém, a Arábia Saudita se defendeu ante a mídia ocidental, tendo assegurado que a sentença não foi motivada por questões políticas. Em contrapartida, o ViceMinistro das Relações Exteriores do Irã, Hossein AmirAbdollahian, declarou que “a execução do Xeique Nimr significa, para a Arábia Saudita, enfrentar um custo pesado[5].

Os fatos recentes aumentaram as inquietações na petromonarquia saudita, que se vê na contingência de ter que enfrentar os descontentamentos externos e uma possível insurgência xiita vinda de fora do território nacional. A milícia Kataib Sayyid alShuhada asseverou que, “nós, no Batalhão Sayyid al-Shuhada, consideramos os interesses sauditas um alvo legítimo e admissível, a todos os níveis, que  nós vamos atacar e destruir sempre que nos agradar. Os governantes do petróleo vão aprender que os seguidores de Ahl al-Bayt [família de Maomé] não vão se contentar em derrotar [o Governo saudita] em Baiji, Ramadi e outras áreas do Iraque, mas vamos levar a batalha para o próprio ninho da aranha[6].

A resistência islâmica xiita Kataib Sayyid alShuhada manifestou claramente a sua oposição ao tipo de penalidade aplicada peloTribunal Saudita ao Xeique Nimr alNimr e se diz disposta a eliminar aquele Governo considerado por eles sectário e perseguidor dos xiitas, tendo solicitado, ainda, que o Iraque corte as relações diplomáticas com a Arábia Saudita, tida como o “reino do mal[7].

A revolta xiita contra a Arábia Saudita revela uma divisão interna de origem política religiosa, que coloca em risco a estabilidade daquele reino do Oriente Médio, a partir da tentativa de intimidação externa, como é o caso de Kataib Sayyid alShuhada, que conta, também, com apoio interno.

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Imagem Kataib Sayyid alShuhada logo” (Fonte):

https://iraqinsurgentsblog.files.wordpress.com/2014/10/10514754_485641518244357_7478808208325957013_n.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.globalsecurity.org/intell/world/iran/qods.htm

[2] Ver:

http://www.longwarjournal.org/archives/2015/10/popular-mobilization-committee-militia-threatens-to-strike-and-destroy-the-saudi-government.php

[3] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2015/oct/25/saudi-arabia-supreme-court-upholds-death-sentence-on-shia-cleric

[4] Ver:

http://www.longwarjournal.org/archives/2015/10/popular-mobilization-committee-militia-threatens-to-strike-and-destroy-the-saudi-government.php

[5] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2015/oct/25/saudi-arabia-supreme-court-upholds-death-sentence-on-shia-cleric

[6] Ver:

http://www.longwarjournal.org/archives/2015/10/popular-mobilization-committee-militia-threatens-to-strike-and-destroy-the-saudi-government.php

[7] Ver:

http://www.aymennjawad.org/2014/10/kataib-sayyid-al-shuhada-threats-to-saudi-arabia

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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