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Militares portugueses se juntam aos países aliados no combate ao Estado Islâmico

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Portugal acaba de se juntar à coligação internacional de 40 países que combate o Estado Islâmico[1]. Os insurgentes, que assumiram o controle de várias localidades do Iraque e da Síria e avançaram para além das fronteiras do Oriente Médio, são um fator de preocupação para o Ocidente que, hoje, vê os seus valores ameaçados e tenta bloquear militarmente o domínio daquele grupo, cujas estratégias de combate são alimentadas pela ideologia religiosa radical que tem dado fôlego aos seus militantes rumo à consolidação do Califado.

Na última quinta-feira, 7 de maio, 30 militares portugueses partiram com destino ao Iraque para apoiar a coligação internacional. Desde dezembro de 2014, Portugal já estava ciente desta missão, mas desconhecia como iria participar, para onde iria e durante quanto tempo. Estas questões foram esclarecidas praticamente na véspera de os militares seguirem para o Iraque. Durante uma entrevista em Lisboa, o representante adjunto do presidente norte-americano Barack Obama para a coligação internacional contra o Estado Islâmico, Brett McGurk, informou que os portugueses ficarão no Iraque durante um ano para treinar os colegas iraquianos, não participando em combates[2]. Segundo McGurk, “a iniciativa de treino em que Portugal vai participar é muito importante porque as Forças de Segurança iraquianas entraram em colapso no Verão passado[3].

Em cerimônia que antecedeu a partida dos militares, o vicealmirante Fernando Manuel de Macedo Pires da Cunha, Comandante Operacional Conjunto (COCONJ), enfatizou a importância da participação portuguesa no combate ao Estado Islâmico, que decorrerá “no âmbito da defesa da humanidade e da paz porque o Estado Islâmico faz ataques de forma indiscriminada e é uma ameaça global. É essencial estarmos com os nossos aliados nesta luta contra a tentativa de domínio dos nossos valores[4].

Embora a incumbência de Portugal seja especificamente a de treinamento, o Chefe do EstadoMaior General das Forças Armadas, Pina Monteiro, admitiu que a tarefa envolve riscos, ao afirmar: “é naturalmente uma missão arriscada como muitas outras, mas em função disso é que vão militares e não vão outros cidadãos, que não usam uniforme[5]. Para o general José Alberto Loureiro dos Santos, analista de temas de Estratégia, Segurança e Defesa, os riscos são evidentes, pois “eles [os militares portugueses] estão numa zona que pode ser atingida pelo Estado Islâmico, mas os militares comprometeram-se a arriscar a sua vida[6].

O conflito que assola o Iraque, e que aniquilou as Forças Armadas do país, tem constituído, em muitas ocasiões, uma armadilha para os militares que enfrentam o perigo não somente nos campos de batalha, mas também em campos de treinamento, onde não é incomum serem alvo de ataques, com ênfase para os atentados suicidas. Os militares portugueses terão pela frente o desafio de superar todos esses riscos, assim como outros ainda desconhecidos, para conseguirem treinar as tropas iraquianas de modo a aniquilar o Estado Islâmico, que desconhece os princípios de uma guerra convencional e se beneficia das táticas de guerrilha e do conhecimento do terreno. Desse modo, eles têm resistido à investida dos vários países ocidentais aliados, minando as forças adversárias e, principalmente, a resistência nacional iraquiana.

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Imagem Partida dos militares portugueses para o Iraque. Aeroporto Militar de Figo Maduro, Lisboa, 7 de maio de 2015” (Fonte):

https://observador.pt/wp-content/uploads/2015/05/militares-iraque09_770x433_acf_cropped.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=4114280

[2] Ver:

http://pt.blastingnews.com/pais/2015/04/militares-portugueses-voltam-ao-iraque-para-nova-missao-00358207.html

[3] Ver:

http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=4522386

[4] Ver:

http://observador.pt/2015/05/06/militares-portugueses-vao-combater-estado-islamico-partiram-hoje-iraque/

[5] Ver:

http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/militares/portugueses-no-iraque-nao-ha-nenhuma-missao-militar-isenta-de-riscos?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+iol%2Fdiario+(IOL+Di%C3%A1rio+-+%C3%9Altima+Hora)

[6] Ver:

http://pagina1.sapo.pt/detalhe.aspx?fid=347&did=186506&number=11873

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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