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Ministro do Meio Ambiente de Israel renuncia após guinada da coalizão governista à direita

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Na última sexta-feira, dia 27 de maio de 2016, o Ministro do Meio Ambiente de Israel, o centrista Avi Gabbay, anunciou sua renúncia, em protesto contra a inclusão do ultranacionalista Avigdor Lieberman no Governo de coalizão. Gabbay, apesar de não fazer parte do Parlamento, é membro fundador do Koolanu, partido centrista na coligação governista, com 10 legisladores na casa legislativa. Seu anúncio vem dias após o Ex-Ministro da Defesa, Moshe Ya’alon, do partido conservador de Netanyahu, o Likud, ter renunciado tanto ao mandato no Parlamento, quanto cargo de Ministro da Defesa, em protesto contra a sua pasta ter sido oferecida a Lieberman.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nomeou Lieberman como novo Ministro da Defesa de Israel na quarta-feira, 25 de maio. Com a sua nomeação, ocorre a entrada do partido Yisrael Beiteinu, ao qual ele pertence, na coalizão composta por seis partidos. Dessa forma, o Primeiro-Ministro expandiu a base do Governo, passando dos 61 assentos para 66, dos 120 lugares do Parlamento israelense (o Knesset). O ganho de 5 novas cadeiras fez a base oposicionista encolher para 54. Até o último pacto com Lieberman, Netanyahu governava com uma maioria das mais apertadas na história do Knesset.

Em seu comunicado de renúncia do Ministério do Meio Ambiente, Avi Gabbay alertou para o impacto que a nomeação de Lieberman poderia ter sobre a sociedade de Israel. “A recente manobra política e substituição do Ministro da defesa são, em minha opinião, ações graves que ignoram o que é importante para a segurança do país e trarão mais extremismo e fendas entre as pessoas”, reportou à agência de notícias Reuters. E concluiu: “Eu não podia aceitar a remoção de Ya’alon, um ministro de defesa profissional”.

Com a ação, Netanyahu fez com que a nova coalizão fosse descrita por observadores como “a mais direitista da história de Israel”, conforme o Middle East Monitor. Gabbay declarou ainda: “[o país] tem o direito de ter um governo de direita, mas eu não acho que seja correto formar um governo extremista”.

O Governo dos Estados Unidos declarou que a nova coalizão levanta “questões legítimas” sobre o compromisso do governo de Netanyahu a uma solução de dois Estados com os palestinos. “E também sabemos que muitos de seus ministros disseram que se opõem a uma solução de dois Estados”, afirmou Mark Toner, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.

Gabbay tinha disputas com Netanyahu sobre os planos do Governo para desenvolver reservas de gás natural israelenses no mar Mediterrâneo, no âmbito de um consórcio que os críticos consideram que irá limitar a concorrência e manter os preços elevados. Gabbay era crítico feroz do acordo de gás além mar da costa de Israel.

Com esta nova configuração política, o Knesset irá debater uma série de questões controversas nos próximos meses, incluindo regras sobre o financiamento externo para ONGs, orações mistas de gênero no Muro das Lamentações e medidas que permitam que os legisladores sejam suspensos do Knesset*, o que deverá afetar, principalmente, os representantes árabes.

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* A Lei se referre à: “incitação ao terrorismo, violência ou racismo, apoio ao conflito armado contra Israel, ou negação de Israel como Estado judaico e democrático”.

A ideia é para Projeto de Lei, originalmente sugerida por Netanyahu, depois que os membros do Knesset Jamal Zahalke, Hanin Zoabi e Bassel Ghattas do Balad se reuniram e consolaram famílias de palestinos mortos em ataques à israelenses. Na ocasião, os três parlamentares observaram um minuto de silêncio, o que, conforme críticos, seriam manifestações de apoio ao terror.

A Comissão de Ética Knesset decidiu, em 8 de fevereiro, que Zoabi e Ghattas seriam proibidos de participar de Sessões e Comissões do Knesset durante quatro meses, enquanto Zahalka seria suspenso por dois meses.

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ImagemAvi Gabbay, um dos fundadores do partido centrista Kulanu, no lançamento do novo gabinete de Benjamin Netanyahu, em maio 2015” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Avi_Gabai

Natalia Nahas Carneiro Maia Calfat - Colaboradora Voluntária

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).

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