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Moçambique: um centro de investimentos asiáticos na África

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O Continente africano vem recebendo grande “gama” de investimentos estrangeiros. China, Brasil, Rússia, vários europeus e os Estados Unidos mantêm suas presenças em determinados países da África. Da mesma forma, a Índia também está se mostrando ativa na região para não ficar distante do trabalho que vem sendo realizado pelos membros do “BRICS”.

 

Os africanos recebem grandes investimentos em infraestrutura através da China, uma postura em processo de adoção pela também pela Índia, que está próxima de iniciar grande projeto de construção de um novo porto, mais moderno, em Moçambique, constituindo-se essa iniciativa uma forma de beneficiar os escoamentos locais e ter um retorno positivo nos destinos das exportações moçambicanas.

Segundo dados da imprensa indiana, o grupo nacional Essar está investindo 30 bilhões de rúpias, cerca de 212 milhões de dólares, objetivando que o novo Porto com investimento indiano possa ter a capacidade de processamento entre 30 a 40 milhões de toneladas de Carvão e “Minério de Ferro” ao ano.

Moçambique tem recebido grande atenção dos investidores e as obras de infraestrutura constituem-se como uma janela para o desenvolvimento deste país. O grupo português da “Galp Energia” juntamente com o “Fundo de Apoio à Inovação da Agência de Energia” (Adene) tem seus investimentos girando em torno de 2 milhões de euros de orçamento, focados em uma segunda geração de biocombustíveis produzidos com o “óleo de pinhão-bravo”, que é cultivado em Moçambique.

Os portos do país foram acumulando investimentos estrangeiros, destacando-se a empresa australiana “Riversdale Mining”, a brasileira Vale, a chinesa “CCCC Fourth Harbour Engineering Co.”, a “Shnhua e a Guangdong Yudean”, no “Porto de Zhuhai”, cujos investimentos, somados, ultrapassam o bilhão de dólares, recursos que beneficiaram os portos locais prouzindo maior capacidade operacional e de armazenamento.

Além destes investimentos no setor portuário, os indianos também se mobilizam para o setor energético, tal qual faz de forma intensa a China. Atualmente, os chineses estão investindo forte no setor de geração e distribuição de energia no continente africano. Em Moçambique, a “parceria luso-chinesa”, formada pela “China Grid” e pela portuguesa “Redes Energéticas Nacionais” (REN) iniciou suas negociações entrando no desenvolvimento de infraestruturas energéticas, algo que preocupa outros investidores, que já se deparam com um forte concorrente.

Enquanto os lusos-chineses planejam entrar neste mercado em Moçambique com um percentual variando entre 15% a 40% de participação, o grupo indiano Essar parte para a construção de um oleoduto, o “Slurry Pipeline”, que ligará o Porto que eles construirão em Moçambique até o Zimbabué, num investimento que terá participação da empresa “Zimbabwe Iron and Steel Company”.

No ano passado (2011) o Grupo havia iniciado a construção de um terminal de minério de ferro no “Porto da Beira”, Moçambique, o que aumentou a sua capacidade para 20 milhões de toneladas. A Essar já havia comprado mais de 50% da “Zimbabwe Iron and Steel Co.”, que estava paralisada devido ao acúmulo de dívidas (2004). Por isso, os indianos investiram cerca de 750 milhões de dólares para a reativação desta empresa com o intuito de ter participação significativa no país.

Para a construção do Porto, o Grupo busca parcerias de empresas locais que demonstrem interesse pela obra. É uma estratégia para evitar o “monopólio” do mesmo e assim minimizar o fato de sua política ser vista como voltada para que a economia local mantenha um crescimento favorável apenas aos seus investimentos, apesar de o grupo indiano ter um histórico positivo no país

Observadores apontam que a participação indiana em Moçambique, a presença chinesa na “União Africana” (UA)*, além de inúmeros investimentos da Ásia na região, dentre eles os sul-coreanos e japoneses, fazem com que os países asiáticos, hoje, superam os velhos parceiros do continente. Ou seja, europeus e norte-americanos vem perdendo seus espaços. Acrescido a isso, as presenças russa e brasileira deixam o continente cada vez mais próximo de ser um “grande parceiro dos BRICS”.

No ano passado, os membros do BRICS haviam aprovado um plano de ação para a agricultura, pelo qual os países concordaram em investir na agricultura mundial, por meio de inovação tecnológica, informação, acompanhamento das mudanças climáticas e abastecimento. Esse plano de ação é importante para a África, pois os integrantes do Grupo têm seus investimentos bilaterais na área agrícola em vários Estados do continente, sendo eles  muito mais relevantes que os demais realizados por outras nações.

Nesse sentido, Moçambique, junto com Angola constituem-se como portais de entrada dos investimentos estrangeiros no continente, razão pela qual seus desenvolvimentos específicos e o interesse dos investidores por seus mercados potenciais serão cruciais para o desenvolvimento africano nos próximos anos.

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Fontes:

* Ver (1) Análises de Conjuntura “Macau HUB Arquivos 2010-2011”:

http://www.macauhub.com.mo/pt/2012/02/06/grupo-portugues-galp-energia-vai-liderar-projecto-cientifico-em-mocambique/

* Ver (2) Análises de Conjuntura “Macau HUB Arquivos 2010-2011”:

http://www.macauhub.com.mo/pt/2011/01/06/empresa-chinesa-vai-construir-terminal-de-carga-no-porto-de-zhuhai-china/

Ver também “Câmara de Comércio Brasil-Índia”:

http://www.indiabrazilchamber.org/?p=3463

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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