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Morales acusa Colômbia de estar a serviço dos EUA

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O presidente da Bolívia, Evo Morales, acusou a Colômbia de ter suas “Forças Armadas” sob o comando de militares norte-americanos, uma vez que, de acordo com a acusação feita, há uma base militar estadunidense dentro do país.

Segundo o Mandatário boliviano, faz parte do planejamento dos “Estados Unidos” afirmar que a Colômbia perdeu seu posto de principal produtor de cocaína para Peru e Bolívia, como forma de justificar a sua presença naquele país para combater o narcotráfico, que vem gerando resultados.

 

Afirmou Morales: “Claro, estão minimizando a Colômbia como um país que tem problema de narcotráfico porque ali fica a base militar dos Estados Unidos, ali os norte-americanos estão comandando as Forças Armadas da Colômbia. (…) quer elogiar o país onde aceitam que haja bases militares dos Estados Unidos. (…). O tema do narcotráfico por uma parte é bem aproveitado pelo capitalismo com fins econômicos e por outra parte, aproveitado politicamente para desgastar dirigentes ou autoridades antiimperialistas e anticapitalistas*.

Analistas apontam que a investida de Morales segue os procedimentos articulados entre os três bolivarianos da América do Sul (Hugo Chávez – Venezuela; Rafael Correa – Equador;  Evo Morales – Bolívia) que se revezam confrontando diretamente os norte-americanos, acusando-os de agirem no continente com apoio de países que lhes permitem colocar bases militares.

Segundo entendem, esta uma forma de desviar a atenção, acusar as oposições aos governos de esquerda América do Sul de serem aliados dos denominados imperialistas estadunidenses e criar um discurso de confronto a um inimigo comum, que serve inclusive para combater as Oposições dos governos bolivarianos dentro de seus respectivos países.

Afirmam os observadores que os líderes bolivarianos estão preocupados com as quedas seguidas de popularidade e com aumento seguido das oposições internas que vem recebendo, mesmo da esquerda e de antigos aliados, devido suas políticas antidemocráticas e aos fracassos administrativos e desvios de recursos, resultantes em perdas para as sociedades e pouco crescimento econômico.

Um dos principais problemas que vive Morales está nos vínculos cada vez mais divulgados de seu governo com o tráfico de drogas, tanto que outra medida adotada por Evo para tentar combater a imagem que vem sendo firmada foi processar a brasileira “Editora Abril”**, pelas denúncias feitas pela sua “Revista Veja” de que há ligações de membros do Governo com traficantes de droga, além de ter anunciado que a perseguição ao senador Roger Pinto Molina, abrigado na embaixada brasileira, se deu por ele ser um dos que vem apontando no seu país os erros cometidos Governo em relação à política de combate ao tráfico de drogas.

Morales é representante dos cocaleiros bolivianos (grupo legal que usa a folha de coca para fins culturais, religiosos e medicinais, sem referência a cocaína que é um derivado da folha) e tem adotado política de proteção e apoio ao grupo, tanto que  em 2008 expulsou os agentes da DEA (Agência dos EUA de combates às drogas) e, hoje, segundo a ONU, levou a Bolívia a ter 31.000 hectares de coca, embora as leis bolivianas reconheçam apenas 12.000 para os usos tradicionais*: mascagem, infusão e rituais andinos.

Nesse excesso de área para cultivo da folha de coca e na falta de controle e combate ao tráfico tem havido, segundo vem sendo disseminado na mídia, o avanço dos grupos de narcotraficantes que aproveitam da falta de combate as suas atividades e tem se infiltrado no Governo, ao ponto de vários especialistas estarem acusando a Bolívia de estar se tornando um Estado narcotraficante.

Conforme apontam os observadores internacionais, a Agência norte-americana era a principal instituição a dar subsídios, treinamento, recursos financeiros para a toda a polícia boliviana e tinha uma atuação de combate à produção de cocaína, trazendo resultados elogiados neste empreendimento. Com saída, o Brasil passou a ser o principal apoiador, mas o Governo Morales tem impedido a ação das instituições policiais brasileiras de atuarem em seu território, ou de combater os grupos criminosos.

Analistas afirmam ainda que Evo Morales está temeroso com os questionamentos internos, grave oposição que tem recebido e, para reagir, tem adotado a tática usada constantemente por Hugo Chávez de desviar as atenções para um inimigo externo, visando provocar união em torno de seu Governo. Segundo apontam é baixa a expectativa de resultado rápido. 

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Fonte:

* Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI6124011-EI8140,00-Morales+diz+que+EUA+comandam+Forcas+Armadas+da+Colombia.html

** Ver:

http://brasil247.com/pt/247/midiatech/77673/Morales-processa-Civita.htm

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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