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Morales cancela rodovia e demonstra perda de apoio político no país

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O presidente Evo Morales cancelou a construção da rodovia que passaria pelo “Território Indígena do Parque Nacional Isidoro Sécuro” (TIPNIS, acrônimo pelo qual é conhecido o Parque). A decisão ocorreu após diálogo com 25 lideranças no “Palácio Presidencial”, diante da obrigação de recebê-los que se criou depois que uma multidão recebeu com entusiasmo os manifestantes, apelidados pela mídia como “marchistas de TIPNIS”*, uma vez que realizaram seu manifesto com uma marcha que percorreu mais de 600 Km até “La Paz”, durante 65 dias, a qual foi reprimida com violência pela polícia em várias ocasiões.

 

Morales encontra-se agora numa tarefa difícil de resolver. Em muitos momentos acusou os manifestantes de estarem envolvidos em uma armação com a Oposição, de haver influência externa para prejudicá-lo, que havia sido preparada pela “Embaixada dos EUA” e provavelmente com apoio dos setores de Inteligência para derrubá-lo.

O processo mostrou que era espontâneo, nasceu de uma revolta dos grupos indígenas contra uma decisão unilateral, acompanhada de violência e tinha apoio do povo, independente de qualquer acusação feita pelo governo.

De acordo com analistas internacionais, sua popularidade tem decrescido constantemente ao longo do último ano, tendo se tornado constante a observação por parte dos bolivianos do isolamento do Presidente, bem como as diferenças entre ele e os demais grupos indígenas do país.

Morales tinha declarado que a construção sairia por ser uma necessidade econômica do país e declarou que faria um plebiscito para tratar do tema. No entanto, ele desistiu após os resultados das eleições dos principais Juízes bolivianos, que existem no país devido as reformas que foram efetuadas na última Constituinte.

Seguindo orientação da oposição, 60% dos eleitores não compareceram às urnas de votação, ou votaram nulo, demonstrando que, apesar do grande capital político que Morales ainda dispõe, foi criada uma fissura em sua base e um afastamento do povo, abrindo um vasto espaço para os opositores de todos os  partidos.

Analistas acreditam que o Presidente ainda tem capacidade de manter o poder e venceria qualquer eleição na atualidade, mas, também de acordo com os analistas, isso se daria devido ao ganhos econômicos recentes que podem recuar, graças ao modelo que está aplicando, e, principalmente, pelo fato de a Oposição estar fragmentada e sem proposta para apresentar. Fica em aberto, no entanto, uma possibilidade que parecia não haver mais de se buscar o Líder e o “Programa de Governo” que sirva de catalisador para realizar uma frente contra Morales.

Fechar esta abertura configura-se no momento sua principal tarefa, superior, inclusive, a de resolver com o Brasil como tratará da questão da obra da rodovia que estava a cargo da empresa brasileira OAS, com recursos financiados pelo “Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social” (BNDES)

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* Fonte:

http://www.publico.pt/Mundo/presidente-do-peru-cancela-projecto-de-autoestrada-na-floresta-amazonica-1517751

** Outras Fontes:

Ver:

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/10/22/evo-morales-desiste-de-estrada-em-reserva-indigena

Ver:

http://www.ansa.it/ansalatinabr/notizie/fdg/201110211324411372/201110211324411372.html

Ver:

http://www.jb.com.br/claudio-humberto/noticias/2011/10/23/contribuinte-fica-com-mico-de-lula-na-bolivia/

 

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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