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Na semana passada, no dia 29 de outubro, terça-feira, os jornais bolivianos informaram que o Presidente do país, Evo Morales, anunciou a possibilidade de repensar a realização de investimentos no setor nuclear boliviano, em projeto para ser desenvolvido no futuro breve.

A ideia já tinha sido levantada, mas foi deixada de lado devido ao incidente de Fukushima, no Japão, quando voltou à tona a questão dos riscos com segurança nas “Usinas Nucleares”.

O mandatário boliviano, contudo, considerou novamente a hipótese diante da alegada necessidade de se pensar em formas alternativas de energia, graças à possibilidade de esgotamento da reserva boliviana de gás natural. Segundo divulgado, os bolivianos receberão ajuda da Argentina e da França. Da sua perspectiva é possível realizar tal projeto. Afirmou: “Por que não ter energia atômica com fins pacíficos? Temos total condição; temos estudos, sabemos como juntar isso e como implantá-los[1]. Seriam destinados fundos provindos do setor de hidrocarbonetos que  continuarão a ser explorados e desenvolvidos, pois são a principal fonte de divisas dos país, mas que deverão, dentro do planejado, gerar recursos para outros campos energéticos considerados essenciais ao país.

Observadores lembram que o governo iraniano esteve em muitos momentos visitando a Bolívia com o intuito de ter acesso as suas reservas de urânio, destacando-se ainda que o Irã é membro sem direito a voto da “Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa America” (ALBA)[2], o que facilitaria o trabalho de pesquisa conjunta, a transferência de tecnologias adquiridas até momento, bem como camuflar o próprio programa iraniano adquirindo minerais estratégicos, dentre eles o tântalo (para revestimento de mísseis) e o citado urânio existente na Bolívia. Além disso, receberia apoio imediato dos membros do grupo para qualquer empreendimento do gênero.

Como vem apontando os analistas, há um interesse acentuado dos persas. Conforme o especialista em assuntos de segurança global, Joseph Humire, em declaração dada à “Comissão de Segurança Nacional da Câmara dos Representantes dos EUA”, em julho deste ano (2013), “o Irã compreendeu que a onda de populismo autoritário conhecido como ‘Socialismo do Século XXI’ que vinha se expandindo pela região oferecia à República Islâmica um ambiente permissivo para ela levar a cabo sua agenda global contra o Ocidente[2], por isso estaria incrementando suas relações ao ponto de financiar a construção de bases de treinamento militar em “Santa Cruz”, na Bolívia.

Alguns observadores, no entanto, consideram que os cálculos bolivianos talvez estejam errados, a menos que o a disseminação na mídia tenha sido falha. Pelo que foi divulgado, o diretor geral do “Instituto Boliviano de Ciência e Tecnologia Nuclear” (IBTEN), Luis Romero, orçou como necessário para o desenvolvimento do Programa o valor de 10 milhões de dólares e cinco anos para construir os reatores. Tais informações estão confusas, pois não está claro a que o cálculo se refere, em que consistiria o Programa, nem se é apenas um discurso para consumo doméstico.  

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Fonte consultada:

[1] Ver:

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=7&id_noticia=228095

[2] Ver:

http://online.wsj.com/article/SB10001424052702303936904579176351363104092.html

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Ver também:

http://www.lostiempos.com/diario/actualidad/economia/20131030/morales-reafirma-que-programa-de-energia-nuclear-no-tiene-fines_233489_505924.html

Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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