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Morte de Afonso Dhlakama traz incertezas à política moçambicana

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O falecimento de Afonso Dhlakama, líder da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), remexeu com o cenário político moçambicano. Morto no início deste mês (maio de 2018), após um ataque cardíaco, a principal voz do partido de oposição participava na formulação de um acordo de paz em conjunto com o presidente Filipe Nyusi.

O acordo entre ambos vinha sendo discutido há pouco mais de um ano, com o objetivo primordial de pôr fim a divergências políticas, as quais acarretaram em severas instabilidades sociais em Moçambique. Em linhas gerais, Dhlakama reivindicava da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) uma maior representatividade de membros da RENAMO nos principais órgãos governamentais. Desde o término da guerra civil, em 1992, este partido nunca venceu as eleições para o Executivo, bem como jamais ocupou a maioria dos assentos no Parlamento moçambicano.

RENAMO deverá apresentar nova liderança, responsável por conduzir o partido nas próximas eleições municipais

O tratado de paz também visava a gradativa integração de membros das tropas da RENAMO no exército nacional, as quais recentemente participaram ativamente nos conflitos. Veteranos da guerra civil foram mobilizados por Dhlakama para a floresta de Gorongosa, na região central do país, entre os anos de 2013 e 2015. Nesta ocasião, presenciou-se inúmeros choques entre os braços armados de ambos os partidos, o que culminou na migração de mais de 15 mil moçambicanos ao Malawi.

No entanto, com a morte de Dhlakama, analistas têm discutido sobre como o acordo de paz avançará, atrelando a sua continuidade e o seu êxito à nova liderança que será apontada pela RENAMO em sua próxima convenção. De uma maneira provisória, Ossufo Momade foi apontado como líder partidário até as próximas eleições internas, sendo que este já se posicionou publicamente contra o acordo, caso suas prerrogativas não sejam implementadas em sua totalidade.

Outra incerteza que emerge com a atual conjuntura é a real possibilidade de a RENAMO angariar expressiva porção de votos nas eleições municipais, as quais ocorrerão em outubro deste ano (2018). Analistas apontam que a aprovação da FRELIMO se encontra expressivamente deteriorada, principalmente por causa da atual crise financeira e das pressões inflacionárias. Dhlakama, por sua representatividade histórica, seria um importante agente de mobilização para a RENAMO nas eleições que se aproximam.

Sua morte escancara a ausência de lideranças alternativas dentro do partido – fato que poderá beneficiar outros partidos, como o Movimento Democrático de Moçambique (MDM). Neste sentido, os próximos meses deverão ser de ampla expectativa quanto a nova liderança da RENAMO, sobre como esta levará a cabo o embrionário acordo de paz e de que maneira ela atuará ao longo da campanha para as eleições municipais de outubro.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 A morte de Dhlakama remexe com o cenário político moçambicano” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Afonso_Dhlakama.jpg

Imagem 2 RENAMO deverá apresentar nova liderança, responsável por conduzir o partido nas próximas eleições municipais” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Resist%C3%AAncia_Nacional_Mo%C3%A7ambicana

                                                                                              

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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