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MPLA vence as eleições gerais em Angola

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O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) foi o grande vencedor das eleições gerais. Com 61% dos votos, o partido do atual presidente José Eduardo dos Santos obteve 150 dos 220 assentos no Parlamento. Com isso, João Lourenço, atual Ministro da Defesa, será o novo Presidente de Angola.

Será a transição de poder de um dos mandatos mais longos de todo o mundo. Por quase quatro décadas, desde a independência de Portugal, dos Santos governou um país sustentado economicamente pela exploração de petróleo. Nos últimos anos, no entanto, a taxa de crescimento da economia caiu expressivamente, dada a drástica queda nos preços internacionais dessa commodity.

João Lourenço será o novo presidente de Angola

João Lourenço terá pela frente o desafio de retomar o crescimento, bem como achar alternativas à dominante exploração do petróleo para a sustentação da economia. O país vive uma recessão cuja causa se dá, em boa parte, devido a uma pauta de exportações pouco diversificada. O estímulo à indústria e à agricultura poderia representar um alívio às contas internas e externas, tão dependentes da venda externa de hidrocarbonetos.

No âmbito dos resultados das eleições, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) foi o segundo partido mais votado, com 26%. Porém, líderes desse partido reclamam dos resultados finais, acusando o processo eleitoral de haver sido pouco transparente e sujeito a fraudes.

Para eles, um dos principais problemas foi a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) ter renegado o acesso a urnas eleitorais em alguns distritos. Além disso, afirmam que a CNE alocou eleitores em seções muito distantes de seus distritos eleitorais de origem. “Estas são mais do que irregularidades. Elas são sérias violações da lei que claramente beneficiam o MPLA. Tudo o que nós queremos é transparência da Comissão Nacional Eleitoral”, declarou Mihaela Webba, deputada e assessora jurídica da UNITA.

Eleições são importantes processos onde a legitimidade da escolha dos representantes do povo deve ser assegurada. Se posta em xeque, ao invés de propiciar a troca pacífica do poder estatal, o processo eleitoral pode funcionar de maneira contrária, transformando-se em estopim para desestabilizações. A atual crise política em Moçambique, por exemplo, teve suas origens nas críticas à legitimidade do processo eleitoral de 2013.

Dessa maneira, será importante observar como serão tratadas e recebidas as críticas da UNITA e dos demais partidos de oposição à validade dos resultados eleitorais da semana passada. Com a economia em recessão, mobilizações populares se tornam muito mais suscetíveis a ocorrerem e, neste sentido, colocar em dúvida a legitimidade do processo eleitoral pode induzir futuras instabilidades sociais e políticas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira de Angola” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeira_de_Angola

Imagem 2João Lourenço será o novo presidente de Angola” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Louren%C3%A7o

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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