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Muda a posição brasileira em relação à crise líbia

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Segundo notas divulgadas na mídia brasileira, o “Ministério das Relações Exteriores” do Brasil está avaliando a situação da Líbia e fará consultas a “Liga Árabe”, a “União Africana”, a Índia e a China para decidir oficialmente sobre seu posicionamento em relação aos líbios. 
De acordo com porta-voz do Itamaraty, Tovar Nunes, o posicionamento da “Liga Árabe” influenciará a decisão brasileira, mas, como forma de mostrar autonomia do país em suas decisões sobre política externa, ele afirmou: “Isso não significa que automaticamente nós reconheceremos. É um elemento importante, mas não é o único. Continuaremos nossas consultas”*.
O posicionamento do Brasil era de defesa de uma saída negociada entre os Rebeldes e Kadhaffi e durante toda a crise o governo brasileiro argumentou que no seu processo de resolução deveria ser evitada a interferência externa, no caso extremo, sendo resolvido por participação dos povos árabes e seus próprios organismos.
Com a decisão da “Liga Árabe” de reconhecer o “Conselho Nacional de Transição” (CNT) como o governo legítimo da Líbia, considera-se que a decisão do governo brasileiro será também de reconhecer a Rebelião e este Órgão deliberativo. Tal tendência foi reforçada na segunda-feira após conversa com o presidente da Liga, Nabil Al-Arabi,  quando recebeu informações de que o Egito e o Líbano passaram a apoiar os rebeldes.
Conforme declarou o porta-voz do Itamaraty, “para nós, a opinião da Liga Árabe tem legitimidade e importância, pois brota dos países da região. A tendência é pelo reconhecimento”**.
Membros da Rebelião, contudo, estão sendo taxativos de que reverão a política externa da Líbia com relação ao posicionamento dos países ao longo da crise, bem como se lembrariam dos amigos e dos inimigos. O porta-voz da companhia de petróleo do CNT, Abdeljalil Mayouf, afirmou: “Não temos problemas com países ocidentais como Itália, França e Reino Unido. Mas podemos ter algumas questões políticas com Rússia, China e Brasil”**.
Analistas não estão apresentando avaliações precisas sobre o peso desta afirmação. As opiniões divergem. Alguns acreditam que o Brasil poderá perder prestígio em curto prazo, bem como possibilidades de negócios na reorganização política da Líbia. Contudo, também creem que a diplomacia brasileira tem condições de reverter à situação em médio prazo, uma vez que está seguindo o comportamento da “Liga Árabe” e da “União Africana”, as quais, juntamente com Rússia e China, também defenderam a solução negociada para a crise com uma alternativa para Muammar Kadhaffi. O argumento favorável ao Brasil será o de respeito aos povos árabes e contraposição a interferências externas, discurso que é bem vindo na região.
Outros apostam que o Brasil poderá ter papel relevante devido ao peso de Rússia e da China no “Conselho de Segurança da ONU”, que tenderão a buscar um ator mais neutro e próximo, tanto que já estão negociando com o Brasil para que os membros do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) tenham ação conjunta na ONU, visando evitar uma perda maior em relação à Líbia.
Por essa razão, os observadores em sua quase totalidade acabam convergindo para a conclusão de que o Brasil poderá recuperar seu peso, mesmo que a maioria invista na hipótese de que a França dominará o processo. Para que isso ocorra, no entanto, será necessário que as potências envolvidas na “crise líbia” aceitem que a ONU seja o canal adequado para coordenação do processo de reconstrução do país e não os europeus.
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*Fonte:
**Fonte:
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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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