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Após a reviravolta do Referendum britânico, com a vitória dos que desejam a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o panorama no Bloco Europeu segue conturbado. Líderes de todos os países membros reforçaram o discurso de integração e reformulação da grupo, tentando acalmar os mercados e a população frente aos possíveis impactos da saída britânica. Por outro lado, muitos partidos nacionalistas em diversos Estados da UE celebraram os resultados da consulta e apresentaram propostas de Referendum em países importantes do Bloco, tais como França, Itália e Holanda.

A União europeia entrou em um processo de reflexão e reformulação, havendo um esforço por agilizar ao máximo a saída do Reino Unido e, dessa forma, evitar o temido efeito dominó no restante dos membros. O euroceticismo aumenta e se vê refletido em pesquisas de opinião de toda a União que o Bloco deve recuperar a confiança, tanto interna como externa, e demostrar solidez e inovação. Perante o desafio de manter-se unida, depara-se com mudanças em outros países membros e a necessidade de realinhar a balança de poder dentro do seu território. Por um lado, a direita ganha força nos países centrais, frente a um crescente movimento de esquerda em países do Mediterrâneo.

Com a saída do Reino Unido, países como a Espanha – quarta maior economia do Bloco – deve recuperar poder político, ainda que o país demonstre em seu panorama interno as mudanças no alinhamento político e o acirramento de questões fundamentais para o futuro da UE, tais como o envelhecimento da população, o aumento desenfreado do desemprego, dívida pública acima dos 90% do PIB, a formação de novas forças políticas – com maior destaque para a esquerda popular (o partido Podemos) – e a questão migratória.

As negociações internacionais devem ganhar ritmo e acordos como os da União Europeia e Mercosul ou o Tratado Transatlântico de Comercio e Investimento (TTIP) poderão ser contemplados como forma de amenizar o fato de não poder contar com um dos principais polos financeiro do mundo (Londres). Por outro lado, a saída da capital britânica pode beneficiar polos financeiros como Frankfurt, Amsterdam e Paris.

Um indício de que a União Europeia não será tão afetada quanto a britânica é o fato de que algumas agências de risco já ameaçam em rebaixar a nota do país, por este não contar mais com o respaldo das instituições financeiras do Bloco.

As intervenções e participações militares que países membros possuem no exterior também podem sofrer alterações, refletindo um novo posicionamento global. O maior risco da União Europeia são as mudanças no alinhamento político, tanto de países membros como em importantes economias estrangeiras como a dos Estados Unidos.

A situação política na Europa preocupa mais do que a econômica, pois o Bloco segue sob a liderança econômica e política da Alemanha e da França, países que já refletem mudanças sociais e estruturais que, a longo prazo, podem eclodir e se expandir pelo território europeu. As mudanças em países periféricos também devem ser vistas desde outra ótica, já que a UE está em seu momento mais delicado e um novo impacto poderia ser fatal. Ainda assim, a Europa se caracteriza pela sua capacidade de reconstrução e, caso realize as reformulações necessárias, pode sair mais forte desse processo, caso contrário, estará fadada ao fim.

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Imagem (Fonte):

https://cdn1.img.mundo.sputniknews.com/images/105536/62/1055366220.jpg

Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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