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Mulheres curdas na linha de frente no combate ao Estado Islâmico

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Os curdos, grupo étnico pertencente a uma região conhecida por Curdistão, que inclui alguns países do Oriente Médio, se uniram para combater os jihadistas do Estado Islâmico. Desde o levante armado na Síria e no Iraque, os Peshmerga[1] vêm lutando para não perder as suas cidades na região, bem como proteger o seu povo e, para isto, têm travado violentas batalhas contra o inimigo. 

Através da Unidade de Defesa Popular (YPG), fundada em 2004 pelo Partido de União Democrática (PYD), associado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), os curdos traçaram a sua estratégia de defesa. Com o início da Guerra Civil na Síria, em 2011, a milícia curda principiou a luta armada para evitar que as suas terras caíssem em mãos inimigas.

Em 2012, a YPG entrou em combate contra os rebeldes do Exército Livre da Síria e libertou a cidade de Kobani e a região de Rojava[2]. Em setembro de 2014, os curdos desencadearam uma nova ofensiva para libertarem, novamente, Kobani, que caíra sob domínio do Estado Islâmico[3]. Acreditava-se que esta seria uma batalha fácil para os jihadistas, mas tal não se confirmou, tendo sido um dos maiores reveses sofrido pelo Estado Islâmico, pois, após 4 meses de luta, os radicais foram expulsos pelos combatentes curdos[4].

A milícia curda é mista, não havendo distinção entre homens e mulheres. Embora a presença de mulheres curdas na guerra seja atualmente mais explícita, entre eles, ela é comum já há bastante tempo. Na luta contra o Estado Islâmico, as mulheres estão na linha de frente e dispostas a morrer em defesa de uma causa.

Atualmente, as Peshmerga têm sido decisivas nos campos de batalha contra os insurgentes. Elas combatem, sem privilégios, ao lado dos homens. Em nome de um ideal coletivo, que é a defesa de suas terras, as Peshmerga sacrificam o direito de formar as suas próprias famílias. A maioria é jovem, entre 18 e 25 anos e, mesmo combatendo juntas com os homens, os relacionamentos afetivos entre eles estão proibidos, de modo que ambos os sexos vivem separadamente[5].

A igualdade entre homens e mulheres está expressa na doutrina política do PKK, exposta por Abdullah Ocalan, fundador e líder do partido. Preso pelos turcos desde 1999, Ocalan é uma figura inspiradora para os militantes curdos que respeitam o líder que considera que homens e mulheres têm o mesmo papel na sociedade, a qual será livre somente se as mulheres forem livres[6].

A defesa de Kobani contra o Estado Islâmico, em 2014, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, foi co-liderada por Mayssa Abdo, cujo nome de guerra é Narin Afrin. Esta curda, de 40 anos, que assumiu o comando do YPG, juntamente com Mahmud Barkhodan é uma líder respeitada entre os homens e as mulheres curdos. Na ocasião, Abdo fez a seguinte declaração: “podemos dizer que a resistência de Kobani é em especial uma resistência das mulheres. Para entrar em Kobani, os militantes do Estado Islâmico terão que passar sobre os nossos cadáveres[7]. Estima-se que 35% das tropas curdas são compostas por mulheres. Na Síria, de acordo com informações, são 10.000 mulheres curdas nos campos de batalha[8].

A milícia feminina curda, segundo analistas, tem sido considerada um pesadelo para os jihadistas do Estado Islâmico. Destemidas, as Peshmerga enfrentam os insurgentes de igual para igual e se inspiram nos exemplos produzidos no próprio campo de guerra para continuarem lutando ao lado dos demais camaradas, femininos e masculinos.

Dilar Gencxemis, por exemplo, uma jovem de 20 anos, mãe de dois filhos, conhecida por Arin Mirkan, é considerada, hoje, uma heroína para os combatentes curdos. Durante um confronto com os radicais islâmicos, Mirkan ficou encurralada e, para não se entregar, lançou mão da única alternativa que tinha no momento: o atentado suicida. Com o corpo envolvido por explosivos, ela correu em direção ao inimigo matando, de uma só vez, 23 insurgentes[9].

De acordo com informações, atualmente, os jihadistas do Estado Islâmico são mais temerosos em relação à milícia feminina curda do que aos ataques aéreos norte-americanos. Para eles, morrer nas mãos de uma mulher constitui uma desgraça e impede a entrada no Céu[10]. Independentemente dos riscos que enfrentam, essas mulheres lutam para defender aquilo em que acreditam e consideram uma obrigação pessoal estar no campo de batalha para defender o seu povo, as suas terras e, deste modo, conquistar a autonomia política.

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Imagem Combatente do Partido dos Trabalhadores do Curdistão faz guarda na base do PKK (Monte Sinjar, noroeste do Iraque)” (Fonte):

https://d.ibtimes.co.uk/en/full/1436353/kurdish-women-fighting-isis.jpg

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Fontes consultadas:

[1] VerPeshmerga: força de combate de etnia curda. Surgiu na década de 1920, após a desintegração do Império Otomano”:

http://jornal.ceiri.com.br/o-isis-conquista-redutos-estrategicos-e-avanca-para-bagdad/

[2] Ver Rojava: Curdistão Sírio ou Curdistão do Oeste, também chamado de Rojava (oeste em curdo)”:

http://www.anovademocracia.com.br/no-140/5648-kobane-rojava-a-luta-das-mulheres-curdas

[3] Ver:

http://www.anovademocracia.com.br/no-140/5648-kobane-rojava-a-luta-das-mulheres-curdas

[4] Ver:

http://extra.globo.com/noticias/mundo/curdos-expulsam-estado-islamico-de-kobani-apos-batalha-de-quatro-meses-15157231.html

[5] Ver:

http://www.ibtimes.co.uk/kurdish-women-fighters-wage-war-islamic-state-iraq-photo-report-1499134

[6] Ver:

http://www.ibtimes.co.uk/kurdish-women-fighters-wage-war-islamic-state-iraq-photo-report-1499134

[7] Ver:

http://www.telesurtv.net/english/news/Kurdish-Women-Turning-Kobani-into-a-Living-Hell-for-Islamic-State-20141014-0072.html

[8] Ver:

http://www.telesurtv.net/english/news/Kurdish-Women-Turning-Kobani-into-a-Living-Hell-for-Islamic-State-20141014-0072.html

[9] Ver:

http://www.ibtimes.co.uk/syria-isis-jihadis-terrified-fanatical-kurdish-women-soldiers-who-will-deny-them-place-paradise-1468887

[10] Ver:

http://media.rtp.pt/blogs/estadoislamico/mundo/mulheres-que-lutam-o-estado-islamico-peshmerga_603

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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