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Mulheres iraquianas combatem terroristas na Síria

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Após o anúncio da retomada da cidade de Mosul, a qual permaneceu durante anos sob o controle do grupo terrorista Estado Islâmico (EI), a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos passou a ter como prioridade a cidade síria de Raqqa, a qual ainda está sob domínio do EI. Mais do que um importante centro urbano para o país, a retomada da cidade representa um golpe estratégico para a organização terrorista, pois depende dos recursos da cidade para manter e até expandir suas atividades através da Síria e do Iraque. Além disso, há uma importante questão simbólica envolvida nessa campanha militar, uma vez que Raqqa foi declarada pelo próprio EI como capital do autoproclamado califado, há três anos.

É interessante notar que a referida campanha militar envolve as chamadas Forças Democráticas Sírias, as quais contam com efetivos tanto árabes quanto curdos, que apesar das diferenças étnicas, culturais e políticas, juntaram esforços no intuito de expulsar o Estado Islâmico de Raqqa, pois, caso contrário, as regiões em que vivem continuarão expostas ao jugo da mencionada organização terrorista. Dentre essas forças se destaca a unidade de mulheres yazidis iraquianas, as quais deixaram seus lares para combater os terroristas na Síria.

Refugiados yazidi após o massacre de Sinjar, em 2014

As mulheres da comunidade Yazidi – constituída por curdos cuja etnia e religião a distinguem em meio a outras comunidades sírias e iraquianas – têm estórias em comum envolvendo membros do EI. O relato dessas iraquianas inclui estupros, agressões e venda como escravas sexuais, fatos ocorridos desde 2014, quando o dito grupo terrorista causou o massacre de Sinjar, assim chamado em referência à principal cidade da região iraquiana composta majoritariamente por yazidis.  

O empenho das mulheres yazidis nessa campanha militar tem sido divulgada pela mídia internacional da mesma forma como ocorreu com as mulheres curdas. As duras experiências vividas por elas demonstram grande determinação e um forte senso de honra, típico daquela sociedade. Nesse sentido, um dos pontos a se considerar, é o fato de que a sociedade yazidi é completamente endogâmica, ou seja, não há união envolvendo pessoas que pertençam a qualquer outra etnia. Essa característica seria a principal motivação para que aquelas mulheres procurem resgatar sua honra ao combater aqueles que foram seus algozes.

Segundo o testemunho de uma dessas combatentes, elas sofreram as piores formas de injustiça”, e justamente por essa razão é que buscam “vingança proporcional aos males que lhes foram infligidos em sua terra natal. Mais do que derrotar os terroristas, essas iraquianas pretendem libertar outras mulheres que ainda se encontrem aprisionadas por integrantes do Estado Islâmico. Esse ideal fica claro ao se verificar o relato de outras combatentes yazidis, afirmando que “só completarão sua vingança quando todas as mulheres tiverem sido libertadas”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Terrorista do Estado Islâmico durante o massacre de Sinjar” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sinjar_massacre#/media/File:ISIS.in.Sinjar.jpg

Imagem 2Refugiados yazidi após o massacre de Sinjar, em 2014” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Sinjar_massacre#/media/File:Defend_International_Reaches_out_to_Yazidis.jpg

João Gallegos Fiuza - Colaborador Voluntário

Bacharel em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul. Especialista em Gestão de Políticas Públicas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, em Polícia Comunitária pela Universidade do Sul de Santa Catarina, em Gestão de Ensino a Distância pela Universidade Federal Fluminense, e em Estudos Islâmicos pelo Al Maktoum College of Higher Education (Reino Unido). Mestre em Segurança Internacional pela Universidade de Dundee (Reino Unido). Atualmente, é mestrando em Estudos Árabes pela Universidade de São Paulo. Pesquisa, principalmente, temas relacionados a conflitos no Oriente Médio e Europa, bem como a organizações criminosas transnacionais e terroristas. Professor de Criminalística no Curso de Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública da Academia de Polícia Militar do Barro Branco e Subchefe de Seção de Investigação da Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

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